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Correio Braziliense

Mulher é atingida por estaca de madeira durante possível tentativa de roubo

Mesmo ferida, a vítima conseguiu dirigir para pedir ajuda. O suspeito acabou preso em flagrante, mas foi liberado em audiência de custódia, sem fiança. O caso ocorreu na DF-451


postado em 02/07/2019 16:16 / atualizado em 02/07/2019 16:17

A estaca de madeira foi jogada no para-brisa da vítima, enquanto ela dirigia(foto: Arquivo Pessoal)
A estaca de madeira foi jogada no para-brisa da vítima, enquanto ela dirigia (foto: Arquivo Pessoal)
Uma vigilante de 32 anos quase foi morta na DF-451 quando um homem, de 26 anos, jogou uma estaca de madeira contra o para-brisa da vítima. O caso ocorreu por volta das 5h40 de domingo (30/6), quando ela seguia do Incra 7 para o trabalho, em Santa Maria. O suspeito, Jaime Pereira da Silva, foi preso em flagrante. No entanto, ele foi posto em liberdade nesta terça-feira (2/7), em audiência de custódia. 

A mulher conduzia o carro na estrada quando avistou pedaços de madeira jogados na pista, na área próxima ao Gol de Placa e ao Centro de Evangelização Renascidos em Pentecostes, em Ceilândia. Para não parar o automóvel, desacelerou, com o objetivo de desviar dos obstáculos. Nesse momento, a vigilante avistou Jaime surgindo do acostamento com uma estaca em mãos. 

“Quando o avistei, me arrepiei toda. Acho que até minha alma saiu do corpo. Eu só pensei: 'Meu Deus, me ajuda', e abaixei a cabeça. Quando eu levantei o rosto, eu não enxergava mais nada com o olho esquerdo. Consegui ver a estaca no vidro do carro e, nessa hora, me desesperei. Pensei que ia ficar cega. Só consegui pedir ajuda a Deus”, relata a vítima. 

Mesmo ferida, a mulher conseguiu dirigir por alguns metros em busca de ajuda. Um motoqueiro que viu a situação acionou uma viatura do Departamento de Trânsito (Detran), que estava na rodovia. Em seguida, auxiliou a mulher, ligando para o marido dela, para o Corpo de Bombeiros e para a Polícia Militar.  

Socorro e prisão 

A vítima foi encaminhada para o Hospital Regional de Ceilândia (HRC), onde precisou levar 40 pontos. À noite, após receber alta, ela compareceu à 24ª Delegacia de Polícia (Setor O), onde Jaime estava preso em flagrante por lesão corporal e dano qualificado. O homem não foi enquadrado em outro crime por falta de provas que sustentassem o objetivo do acusado em roubar o carro da vítima. 
 
A vigilante seguia para o trabalho(foto: Arquivo Pessoal)
A vigilante seguia para o trabalho (foto: Arquivo Pessoal)
 
Vídeos realizados no momento em que Jaime foi detido mostram que ele estava alterado. Segundo o delegado Ricardo Viana, chefe da 24ª DP, o homem estava visivelmente sob o efeito de álcool ou drogas. Para contê-lo, foi preciso fazer uso de força. Mesmo algemado, ele ficou se debatendo. 
 
“Ele não conseguiu prestar esclarecimentos, apenas disse que não havia arremessado o objeto no carro da vítima”, afirma o delegado. Ainda na unidade policial, Jaime alegou estar passando mal e, por isso, precisou de atendimento dos bombeiros.

Segundo o delegado Ricardo Viana, Jaime tem quatro passagens por furto. “Trabalhamos com a hipótese de roubo. Temos ainda 30 dias para finalizarmos o inquérito para ser entregue à Justiça e, neste período, vamos apurar todos os fatos. Ainda hoje, vamos coletar novos depoimentos de testemunhas. Se conseguirmos provar que a intenção do suspeito era levar o veículo, ele poderá responder até por uma tentativa de latrocínio”, afirma. 
 
A vítima foi socorrida ao HRC, onde levou 40 pontos na cabeça(foto: Arquivo Pessoal)
A vítima foi socorrida ao HRC, onde levou 40 pontos na cabeça (foto: Arquivo Pessoal)
 

Nesta terça-feira (2), a vítima passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML). Ela ainda está abalada com a violência sofrida. “Independentemente de qualquer coisa, agradeço a Deus todos os momentos. Tenho um bebezinho de 1 ano e 7 meses, que inclusive, não quer me ver. Ele está assustado com a minha aparência. As cicatrizes vão ficar, mas isso é o de menos. Estou viva para cuidar do meu filho e da minha família. Isso é motivo de agradecimento”, diz a vigilante, em lágrimas. 

Liberdade após audiência 

Jaime Pereira da Silva passou por audiência de custódia nesta terça-feira (2/7) e conseguiu a liberdade sem fiança. A decisão foi da juíza Flávia Pinheiro Brandão Oliveira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). O acusado não pode deixar o DF ou mudar de endereço sem informar às autoridades. 

No entendimento da magistrada, não havia necessidade na conversão da prisão em flagrante para preventiva. “A soma das penas máximas dos delitos não ultrapassa quatro anos, o agente não possui condenação com trânsito em julgado por crime doloso e o fato não se trata de garantir a execução de medidas protetivas de urgência. Dessa forma, não estão preenchidas as condições de admissibilidade da prisão preventiva, devendo o agente ser colocado em liberdade”, sustentou. 

A juíza estabeleceu que o homem não pode sair do DF por mais de 30 dias nem mudar de endereço sem autorização da Justiça; Jaime também terá de comparecer a todas as audiências do processo ou terá o benefício do alvará de soltura revogado. 
 
O marido da vítima ficou indignado com a decisão. “Ele tem que pagar pelo que fez. Isso não pode ficar impune, precisamos de justiça. Só quando ele matar que vai ter justiça? Não. Ele tentou contra a vida da minha esposa e ele tem que pagar por isso”, disse o também vigilante.  

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