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Correio Braziliense

Esta deve ser a semana mais fria do século em Brasília, prevê Inmet

Instituto Nacional de Meteorologia prevê temperaturas mínimas entre 7ºC e 9ºC até domingo (14/7), o que torna este o período mais frio dos anos 2000. Clima favorece uma série de doenças


postado em 09/07/2019 06:00 / atualizado em 09/07/2019 00:18

Os cariocas Lucas e Marianna foram supreendidos pelo frio candango(foto: Bruna Lima/CB/D.A Press)
Os cariocas Lucas e Marianna foram supreendidos pelo frio candango (foto: Bruna Lima/CB/D.A Press)
Sentiu que o frio apertou nos últimos dias? Pois se prepare. Esta promete ser a semana mais gelada deste século no Distrito Federal. Os termômetros registraram, na manhã de domingo (7/7), 5,7ºC, a temperatura mais baixa na área central de Brasília desde 2000. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as mínimas até o próximo fim de semana devem ficar entre 7ºC e 9ºC e a máxima, não passa dos 24ºC.

O tempo frio ajuda qualquer um a não esquecer o casaco em casa. No entanto, outros cuidados durante o inverno são necessários para evitar várias doenças mais recorrentes durante a estação. Além de resfriados e gripes, a queda nas temperaturas e a baixa umidade do ar aumentam a ocorrência de crises de asma, bronquite, sinusite e rinite. Problemas de pele e sintomas de dores crônicas também tendem a se intensificar e até mesmo doenças cardiovasculares crescem, em média, 30% durante o inverno.

Segundo o médico cardiologista Fausto Stauffer, com o frio, o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue para o corpo, pois as paredes dos vasos sanguíneos se contraem. “Se chega menos fluxo de sangue, menor a oxigenação, o que eleva os riscos do infarto. Há, também, uma relação com as doenças respiratórias, já que as infecções virais e bacterianas acabam aumentando os riscos de doenças cardiovasculares”, explica.

Quem tem mais propensão a sofrer problemas no coração — como hipertensos, diabéticos, obesos, fumantes e pessoas sedentárias — deve ter cuidado redobrado durante a estação. “É necessário manter as atividades físicas de forma regular, tomar as medicações nos períodos certos, se alimentar bem e beber bastante água. É justamente no frio que aumenta o percentual de sedentarismo e as pessoas tendem a comer mais carboidratos e isso é o contrário do que se deve fazer nesta época”, recomenda Stauffer.

Pressão alta

Quem garante que vai seguir à risca as recomendações do médico é a professora Gilda Almeida, 51. Hipertensa, ela passou por um susto e reconhece a necessidade de se cuidar. “Tive aumentos súbitos de pressão, senti inchaço, edemas e formigamento, ficando à beira de um infarto. A gente precisa ter qualidade de vida e, para isso, tem que se policiar, porque os riscos são grandes”, conta.

Para evitar que qualquer uma dessas doenças se manifeste, a copeira Maria das Graças, 54 anos, só anda agasalhada. “Mesmo que não esteja com frio, ao sair de um ambiente fechado para um aberto, boto logo o casaco, para evitar um choque de temperatura. Também bebo bastante água e evito ficar perto de gente gripada.” Ela tem sentido mais frio do que nos últimos anos. “Não esperava um inverno desses. Mesmo durante a tarde e fazendo sol, bate aquele vento bem mais gelado que a gente arrepia toda.”

Fenômeno

De acordo com o meteorologista Amilton de Carvalho, do Inmet, o inverno mais rigoroso não é característica exclusiva do DF. “A frente fria que atinge o Brasil veio mais intensa em 2019. Ela chega pelo Sul e se dissipa no Nordeste. No Centro-Oeste, essa maior intensidade também é percebida e como, este ano, tivemos chuvas dentro da normalidade das estações, o que não aconteceu nos últimos anos, isso contribui para uma estiagem”, explica.

Se as baixas temperaturas dos últimos dias surpreenderam os moradores da capital, imagina para quem veio do Rio de Janeiro passar a semana em Brasília. O casal carioca Marianna Boroto, 24, e Lucas Rodrigues, 25, esteve na cidade para fazer uma prova de concurso e não trouxe agasalhos suficientes. “A sorte é que ficamos na casa de amigos e eles emprestaram até meias grossas para esquentar. Usei até segunda pele”, diz Lucas. Mesmo durante um passeio à tarde, com bastante sol, o casaco foi peça fundamental. “A gente não está acostumado com esse tempo, então foi bem diferente, mas deu para segurar o frio”, comenta Marianna.

Apesar dos ventos gélidos que marcam o atual inverno, as temperaturas mínimas desta semana estão longe de ser as mais baixas registradas no DF. Em 10 de junho de 1985, os termômetros marcaram 1ºC. No mesmo ano, as estações do Inmet indicaram outras quatro mínimas inferiores a 4ºC e, naquele inverno, algumas madrugadas chegaram a apresentar sensações térmicas negativas. Desde o início do século 21, nenhuma temperatura ficou abaixo de 5ºC. Ainda que a menor registrada na área central tenha sido de 5,7ºC, nas regiões mais afastadas do DF, a Estação Águas Emendadas, em Planaltina de Goiás, chegou a aferir 5,2ºC, em 2013, e 5,5ºC, em 2010.

Cuidados

Dicas para minimizar doenças típicas do inverno:

» Evite banhos quentes
» Umidifique o ar
» Aplique soluções nasais e lágrimas artificiais
» Não utilize inseticidas, espirais contra insetos e desodorantes ambientais com cheiros ativos
» Evite aglomerações em ambientes fechados
» Use filtro solar e chapéu
» Redobre os cuidados com alimentação e hidratação
» Evite ter em casa tapetes, carpetes, cortinas, almofadas, bichos de pelúcia e móveis estofados
» Não use vassouras, panos secos e espanadores
» Faça exercícios físicos em locais abertos somente até 10h e após 17h

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