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Correio Braziliense

Madrugadas abaixo dos 10ºC devem durar até o fim do mês, prevê Inmet

Instituto Nacional de Meteorologia prevê temperaturas abaixo dos 10ºC no Distrito Federal ao menos até o restante de julho. Clima tem levado brasilienses a andarem de casaco até no período da tarde, quando termômetros passam dos 20ºC


postado em 11/07/2019 06:00

O maranhense Weklayson veio para o DF há um mês: ''Para dormir, uso dois cobertores, uma meia, calça e camisa''(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
O maranhense Weklayson veio para o DF há um mês: ''Para dormir, uso dois cobertores, uma meia, calça e camisa'' (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Os brasilienses vão conviver com o frio até o fim do mês e manhãs abaixo dos 10ºC em algumas cidades, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nesta quarta-feira (10/7) a temperatura chegou a 6,6ºC na Estação Meteorológica de Águas Emendadas, em Planaltina. Na região central de Brasília, a mínima ficou em 9,5ºC. A máxima foi 26ºC, às 16h. A previsão é de essas mínimas e máximas se manterem, com pouco variação, até sábado.

Até agora, domingo foi o dia mais frio do ano, quando os termômetros marcaram 5,7ºC — a terceira temperatura mais baixa nos anos 2000. Em agosto de 2010, o Inmet registrou 5,5ºC, e, em agosto de 2013, 5,2ºC. Segundo o meteorologista Hamilton Carvalho, historicamente, o DF registra temperaturas mais baixas em maio, junho e julho. “Estamos tendo um inverno mais severo em relação aos anteriores devido a massas de ar fria mais intensas, o que ocasionou, inclusive, a temperatura mais baixa neste mês, até agora, registrada no domingo”, explicou. O inverno começou em 21 de junho.
Para suportar a friaca do início da manhã, quando as temperaturas estão mais baixas, tem gente saindo de casa com até três peças de roupa. Os acessórios, como cachecol, gorro e luva, também ajudam a manter o calor do corpo. Mas mesmo quando o sol aparece, no meio da manhã e durante a tarde, o vento frio faz com que algumas pessoas não tirem o casaco. Nesta quarta-feira (10/7), quando o relógio marcava 15h, pedestres caminhavam encasacados e com os braços cruzados, entre a Rodoviária do Plano Piloto e o Conjunto Nacional.

Elaine Veiga, 48 anos, e a filha Clara Veiga, 12, por exemplo, estavam bem agasalhadas. Elas moraram em Toronto, no Canadá, em 2017 e 2018, onde enfrentaram até -35ºC. Mas Elaine se surpreendeu com o frio de Brasília. “Mesmo quando está sol, na sombra faz frio. Sempre gosto de estar com um casaco mais pesado e um lenço para proteger o pescoço”, comentou. De férias, Clara está acordando mais tarde, mas, durante o período de aula, levanta às 6h. “Nesse horário, está mais frio. Levanto já de meia, coloco o tênis, o uniforme e o casaco da escola”, detalhou a menina.

A cabeleireira Edna Rodrigues da Silva, 39 anos, só sai de casa com a filha de 1 ano e 7 meses protegida. Nesta quarta-feira (10/7), Maria Fernanda estava com duas peças de roupa, touca, meia e ainda estava enrolada nos braços da mãe em uma manta. “Ela tem bronquite e, nesse tempo frio, o problema respiratório ataca ainda mais. Em casa, dormimos na mesma cama (eu, ela e o meu filho), com meia e com coberta para dar conta do frio”, contou. A irmã de Edna, Erineth Rodrigues da Silva, 26, tem um bebê da mesma idade e toma os mesmos cuidados. “Nesse tempo gelado, só dá para lavar o cabelo das crianças uma vez por semana e não deixo ficar muito tempo no quintal”, reforçou.

Efeito da seca

Natural de Barra do Corda, no Maranhão, Weklayson Silva Lobão, 32 anos, se mudou para o DF há um mês e precisou tirar o suéter do armário. “Por enquanto, tenho usado duas peças de roupa. Mas, para dormir, uso dois cobertores, uma meia, calça e camisa. Mesmo sendo maranhense, gosto desse tempo, mas os lábios já estão sentindo a seca”, ressaltou.
Moradoras de São Sebastião, a dona de casa Cilma Marques de Souza, 37 anos, e a filha Cibelly Marques Rodrigues, 10, contam que colocam o casaco por volta das 10h e só tiram quando voltam para casa, no fim do dia. “Acordo às 6h e, nesse horário, está gelado. Uso até três peças de roupa. Para dormir, temos recorrido ao moletom, meia e dois cobertores”, contou Cilma.

Gelo e neve

Apesar das temperaturas baixas sentidas pelos brasilienses, esse inverno não deve registrar o dia mais frio do DF. O recorde é de 18 de julho de 1975, quando a capital ficou sob 1,6ºC. Pelos registros históricos, chegou a cair gelo no DF, em 1961.  Fotos da época mostram as vias e os gramados da Esplanada dos Ministérios, e ao redor da Rodoviária do Plano Piloto, cobertos de branco, como se estivessem tomados por neve.

A meteorologista Morgana Almeida explica que nesse período ocorreu uma geada, que é diferente de neve. “Geada é quando o orvalho congela. A neve é uma chuva a qual a gotícula de água fica com textura de floco. Em 1961, geou no DF.”

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