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Correio Braziliense

Militares participam de treinamento com simulação de guerra em Formosa

A operação, que começou na última segunda-feira, reúne 1,9 mil militares para testes e simulações em todos os setores de atuação da força armada


postado em 14/07/2019 07:00

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Explosões, tiroteios, ameaças químicas e combate. Formosa, nos últimos dias, virou campo de guerra. A cidade goiana, distante 85km de Brasília, é palco de treinamento intenso da Marinha do Brasil até 17 de julho. A operação, que começou na última segunda-feira, reúne 1,9 mil militares para testes e simulações em todos os setores de atuação da força armada. Muitos dos que participam carregam histórias de superação, sacrifício e paixão pela missão de servir ao Brasil.

A tenente Liana Arduíno de Magalhães, 39 anos, é a única mulher a comandar um pelotão na Operação Formosa. Ela entrou para a Marinha em 2001. Fazia parte do corpo de músicos e tocava saxofone. Em 2018, passou para o quadro de oficiais e, neste ano, assumiu a função de comando. Segundo ela, a transição da vida ligada à música para o trabalho de campo foi intensa, mas valeu a pena. “Eu estou tentando fazer da melhor maneira possível e vem dando certo”, diz.

Sob o comando dela, estão 44 homens. “Eles me respeitam da mesma maneira que respeitariam um homem. Deixo bem claro que sou a comandante.” Liana ressalta a importância de que mulheres conquistem espaço em funções de chefia em todas as profissões e incentiva que meninas tentem um lugar nas Forças Armadas. “O que eu falo para as outras mulheres é que, se elas querem, precisam tentar, se preparar, ter determinação e lutar pelo que desejam”, aconselha.
 
Ver galeria . 16 Fotos Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )
 

O comandante Luiz Carlos Costa, 69, está na reserva há 22 anos. Ainda assim, há 13, faz questão de participar da Operação Formosa. “Não vou largar nunca. É superemocionante. Fiz 50 anos de Marinha em abril”, conta o diretor social da Associação de Veteranos dos Fuzileiros Navais da Marinha. Carioca, Luiz nasceu em Sumidouro, no Rio de Janeiro. “Nasci e morei numa roça tremenda, estudei na roça também. Sempre quis servir e hoje estou aqui fazendo, há 50 anos, o que sempre quis. É uma alegria muito grande.” Luiz lembra com saudades do passado, mas reconhece os avanços da modernidade. “Vemos aqui no treinamento ações que antes demorariam quatro, cinco dias e, agora, são feitas em horas”, observa.

O sargento Eulálio Ferreira, 40, sonhava em trabalhar com a desativação de explosivos. Há 16 anos, integra o batalhão de engenharia da Marinha, fazendo exatamente o que sempre quis fazer. Paraense, mora no Rio de Janeiro desde que entrou para a instituição e atuou em intervenções em favelas e morros. “Temos uma rotina árdua. Precisamos estar sempre nos aprimorando e atentos a tudo. Até porque, com explosivos, só se erra uma vez”, alerta.

Longe do mar


O Forte Santa Bárbara, do Exército brasileiro, é o espaço onde os militares se alojam para as atividades, em Formosa. O local tem dimensões amplas, razão pela qual foi escolhido para o treinamento. São 58km de comprimento por 30km de largura. “Então, aqui conseguimos fazer a operação como se estivéssemos realmente em um campo de batalha, utilizando munição real e todo o poder dos equipamentos”, revela o almirante Leonardo Puntel, comandante de operações navais da Marinha.

Pode soar estranho que Formosa seja o local escolhido para um treinamento da Marinha, uma vez que o Planalto Central fica muito distante da costa brasileira. Mas o almirante Puntel explica que o forte é usado, na operação, como se fosse uma cabeça de praia — posição ocupada em território litoral inimigo para garantir acesso, avanço ou desembarque. “É como se os fuzileiros tivessem acabado de desembarcar, descessem do navio e se estabelecessem ao redor da praia. É esse ambiente que simulamos”, detalha.

O amplo espaço permite aos fuzileiros simularem situações que poderiam acontecer, de fato, em situações de guerra, missões humanitárias e nas intervenções em que as forças armadas atuam — como ocorre na cidade do Rio de Janeiro. Os militares convivem, assim como enfrentariam em uma operação para valer, com poeira forte, instalações improvisadas e condições adversas.

Em uma das simulações da Operação Formosa, os fuzileiros encenaram a reação a um ataque químico. Em meio ao confronto com um grupo inimigo, um dos oficiais brasileiros se intoxica ao cair em uma armadilha. No teste, o grupo que acompanhava o militar atacado agiu para socorrê-lo. Um hospital de campanha e um espaço de desintoxicação foram montados, e o fuzileiro passou por um processo, de várias etapas, para eliminar resquícios da arma química.

As explosões também são comuns na operação. Simula-se tanto situações em que os militares brasileiros atacam inimigos com bombas quanto momentos em que os inimigos é que se valem da estratégia para atacar. Em um dos testes, um robô entrou em ação para desativar um explosivo improvisado. A distância, os fuzileiros o controlavam. O drone retira o armamento e permite que ele seja detonado em um local seguro. Outros testes utilizam lançamento de foguetes, que podem alcançar alvos que estão a 30km de distância.

Tecnologia


Além do treinamento com equipamentos com os quais os militares estão acostumados a lidar, a Operação Formosa, deste ano, conta com o maior teste do novo sistema informatizado de operação e controle, adquirido recentemente pela Marinha e que deve estar em operação na prática até novembro. Com isso, monta-se uma central digital, em áreas de combate, para monitoramento em tempo real.

As ações do fuzileiros em campo são acompanhadas com auxílio de câmeras, satélite e outros equipamentos, quase todos integrados por sistemas sem fio. Assim, é possível orientar quem está na batalha com mais precisão e monitorar melhor as reações dos inimigos. “A grande vantagem é que temos mais consciência da operação de fato e informações mais rápidas para transmitir para quem está no terreno. É mais seguro e eficaz”, explica o capitão Cícero Lima, um dos responsáveis pelo projeto.




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