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Correio Braziliense

Liberação do segundo lote do IR irá contemplar 112,7 mil moradores do DF

Em período de recessão econômica e endividamento da população, a renda extra é comemorada não só pelos diretamente beneficiados, mas por credores e o comércio


postado em 14/07/2019 07:00

(foto: Amaro Jr/CB/D.A Press e Pablo Alejandro/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Amaro Jr/CB/D.A Press e Pablo Alejandro/Esp. CB/D.A Press)
Moradores do Distrito Federal podem resgatar mais de R$ 275,5 milhões de restituição do Imposto de Renda a partir de segunda-feira (15/7). Referente ao segundo lote residual, o dinheiro vai contemplar 112,7 mil brasilienses que fizeram a declaração este ano e obtiveram descontos a partir das deduções, tais como gastos com dependentes, saúde, educação e pensão alimentícia. Em período de recessão econômica e endividamento da população, a renda extra é comemorada não só pelos diretamente beneficiados, mas por credores e o comércio.

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), mais de 774 mil brasilienses estão endividados, o que representa 78,9% da população da capital federal. No mesmo período do ano passado, esse percentual era de 75,1%. Em quase 90% dos casos, o cartão de crédito é a principal causa.

A advogada Frankilmaria Souza, 28 anos,  integra esse grupo. Ela vai usar o dinheiro para quitar as faturas do cartão de crédito, além de pagar as contas de luz e dos telefones celulares. “Quem tem dívida paga. Quem não tem não paga. Levando em conta a situação atual do país, toda renda é muito bem-vinda”, alega.

Assim como Frankilmaria, mais da metade dos contribuintes da capital devem aproveitar o momento para pagar dívidas, indica o Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista). A pesquisa, realizada pela entidade, revela que 54% do dinheiro será destinado a abater débitos com condomínio, aluguel, cartão de crédito, impostos atrasados, escola, carnês de lojas e universidade.
 
O microempreendedor Junior de Oliveira Cunha pretende comprar equipamento(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press )
O microempreendedor Junior de Oliveira Cunha pretende comprar equipamento (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press )
 
Para além do pagamento de débitos, o Sindivarejista prevê que as devoluções sejam usadas em compras, viagens e investimentos. O microempreendedor Júnior Oliveira, 47, vai converter a renda na compra de equipamentos para a dedetizadora. “Enxergo a garantia desses fundos como uma oportunidade para melhorar os serviços e extinguir as dívidas que criei na constituição do meu empreendimento. É um bem para a população”, observa.

A abertura do novo lote também traz expectativas positivas para os mais de 30 mil varejistas do DF. Dona de uma loja de roupas infantis na 301 do Sudoeste, Fernanda Siqueira, 36, destaca que, nesse período, as vendas aumentam até 20%. “É um dinheiro que as pessoas consideram extra. Elas capricham muito mais nos presentes, dando roupas e calçados, aquecendo o mercado”, acrescenta.
 
Dona de loja no Sudoeste, Fernanda Siqueira aposta em aumento nas vendas(foto: Thiago Cotrim/Esp. CB/D.A Press )
Dona de loja no Sudoeste, Fernanda Siqueira aposta em aumento nas vendas (foto: Thiago Cotrim/Esp. CB/D.A Press )
Para ela, até quem usa o dinheiro para quitar as dívidas acaba aquecendo as vendas, mesmo que de forma indireta. “Se a pessoa quitar uma parcela, um débito, fica mais livre para fazer novas compras e usar crédito”, diz.

O presidente do Sindivarejista, Edson de Castro, concorda: “Tão importante quanto quitar dívidas é voltar ao crediário, que responde a 34% das vendas no comércio. A abertura de crédito e a injeção de dinheiro são o que fortalece a economia”. O lote liberado amanhã inclui pagamentos para declarações de 2019, além de lotes residuais dos exercícios de 2008 a 2018.

Roupas e calçados


Os segmentos do comércio que devem apresentar maiores crescimentos nas vendas são os de roupas, calçados e objetos para o lar. “A estimativa é de 8% de incremento nesses setores, em relação ao ano passado. O primeiro lote da restituição, em junho, já mostrou que esse dinheiro extra ajudou a aquecer a economia, principalmente em relação aos produtos para o frio”, afirma Edson de Castro.

Sócia de uma loja de sapatos, Eliane Rodrigues, 40, conta que os últimos meses foram bons para o comércio e acredita que os R$ 257,5 milhões distribuídos pela capital aumentarão a saída das mercadorias. “Tomara que uns R$ 50 milhões desse valor venham para o comércio. É uma época em que as pessoas costumam gastar mais”, frisa.

Até dezembro de 2019, outras cinco remessas da restituição do Imposto de Renda e a consulta de cada liberação pode ser feita pelo site da Receita Federal ou pelo Receitafone, no 146. Ainda não há o cálculo de quanto a capital receberá ao fim da devolução, mas, segundo Edson de Castro, é possível estimar os resultados positivos para o comércio. “A restituição acontece de forma gradativa, assim como o pagamento das dívidas. Consequentemente, a perspectiva de melhoria da economia também é progressiva.”

* Estagiário sob supervisão de Renato Alves

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