Publicidade

Correio Braziliense

Noites frias castigam principalmente moradores de rua; veja como ajudar

A Secretaria de Desenvolvimento Social estima que haja cerca de 3 mil pessoas nessa situação, principalmente nas áreas centrais do Plano Piloto


postado em 18/07/2019 06:00 / atualizado em 17/07/2019 23:43

Pessoas em situação de rua buscam abrigo sob uma das marquises do maior terminal rodoviário do DF (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Pessoas em situação de rua buscam abrigo sob uma das marquises do maior terminal rodoviário do DF (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Os brasilienses devem enfrentar um alívio nos próximos dias em relação ao tempo seco. Após uma semana que começou com alerta de perigo emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a tendência a partir desta quinta-feira (18/7) é de que a umidade relativa do ar tenha uma leve alta e as temperaturas caiam, especialmente no início da manhã.
 
A temperatura, nesta quinta-feira (18/7) deve variar entre 14°C e 28°C. A previsão é de tempo estável, com céu claro a parcialmente nublado, e umidade relativa do ar entre 30% e 80%. Na segunda-feira, dia mais crítico, ela baixou a 17%. Na terça-feira, a mínima foi de 20%.

O índice começou a subir ontem. A menor umidade relativa do ar, 27%, foi registrada perto do Gama e na região norte do Distrito Federal. “A tendência para os próximos dias é de que ela fique em 30%. Nada muito crítico, como do último fim de semana até terça-feira. A máxima deve oscilar perto dos 90%. Até o próximo fim de semana, teremos um ligeiro alívio, pois os valores estão subindo um pouquinho”, explica a meteorologista do Inmet Naiane Araujo.

A partir de sexta-feira (19/7), a temperatura também começa a mudar, com máxima entre 24°C e 26°C, e mínima entre 8°C e 9°C. “As mais baixas serão por volta do amanhecer, entre 6h e 8h. As máximas estão previstas para a tarde, entre 15h e 16h. Amanhã (hoje), elas ainda estarão relativamente altas: ao amanhecer, devemos ter temperaturas na casa dos 12°C e, à tarde, em torno dos 28°C e 29°C”, completa Naiane.

Mesmo com a exceção deste ano, em que houve chuvas em áreas isoladas no início de julho, não há previsão de surpresas para os próximos dias. De acordo com a meteorologista, nada indica que ocorrerá precipitações até o fim do mês. “Embora a média climatológica da chuva em junho e julho seja muito baixa, girando em torno de 4 a 6 milímetros, um episódio ou outro dentro da estação seca não é descartado. Por isso, nossas estimativas não são para muito tempo. Mas, no horizonte dos próximos sete dias, não há previsão”, afirma a especialista.

Cerca de 40 pessoas dormem em frente a uma loja de departamento do Setor Comercial Sul(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Cerca de 40 pessoas dormem em frente a uma loja de departamento do Setor Comercial Sul (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Dificuldades

A queda das temperaturas aumenta a preocupação de quem não tem opção senão a de passar as noites nas ruas do DF. A Secretaria de Desenvolvimento Social estima que haja cerca de 3 mil pessoas nessa situação, principalmente nas áreas centrais do Plano Piloto. Uma delas é José Mario da Silva, 50 anos. Em 2016, um incêndio destruiu o barraco no qual ele morava, em Porto Velho. O pernambucano perdeu todos os documentos e não conseguiu mais emprego ou lugar para morar.

Em março, José Mario ganhou uma passagem de ônibus para Brasília. A expectativa era de que, aqui, conseguiria mais rápido a segunda via dos documentos e um trabalho. No entanto, o fato de a certidão de nascimento dele também ter sido queimada não facilitou as coisas. Desde então, ele passa dias e noites no Setor Comercial Sul (SCS). “Cheguei a ser chamado para uma vaga de auxiliar de cozinha, mas, quando souberam que eu não tinha documentos, não tiveram como me contratar”, lamenta.

Após um incêndio destruir seu barraco e documentos, José Mario foi parar na rua(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )
Após um incêndio destruir seu barraco e documentos, José Mario foi parar na rua (foto: Ed Alves/CB/D.A Press )
Além do desemprego, o inverno tem castigado ele e as outras cerca de 40 pessoas que dormem em frente a uma loja de departamento do SCS. José Mario conta que, apesar de haver muitas contribuições, elas são insuficientes. “Há muitos dependentes químicos aqui. Quando chegam com as doações, eles correm e nós não competimos com eles. Muitos pegam os itens para vender e comprar drogas. Saem atropelando todo mundo e acabamos ficando sem”, relata José Mario. “Meu objetivo é conseguir um emprego para ter moradia, mas, em meio a tanta gente, acabamos não ficando bem-vistos”, completa o pernambucano.
 


Onde doar


Abraçando o Mundo
» Asa Norte, Lago Norte e Grande Colorado (Gabi, 995-713-851)
» Asa Norte, Asa Sul, Sudoeste, Cruzeiro, Octogonal e Vila Planalto  (Dinho, 992-580-220; Ana Luísa, 999-062-703; João Vitor, 981-128-981)
» Cruzeiro Novo e Velho, Sudoeste, Octogonal, Candangolândia, Núcleo Bandeirante, Park Sul, Guará, SMU e Noroeste (Niky, 998-216-436)
» Granja do Torto, Asa Norte e Lago Norte (Renata, 996-664-774)
» Guará e Águas Claras (Pacheco, 982-209-068)
» Lago Sul, Jardim Botânico e Paranoá (Daniel, 981-787-169)
» Sobradinho, Grande Colorado e Asa Norte (Juliana, 981-189-735)
» Sobradinho, Grande Colorado, Taquari, Asa Norte e Sudoeste (Karine, 998-384-279)

Amo Ajudar
» Asa Norte, SEPN 707/907 Norte, UniCeub (Clara, 983-023-703)
» Asa Sul, SHIGS 703, Bl. H, Casa 28 (Clara, 983-023-703)
» Cruzeiro, SRES, Qd. 2, Bl. K, Casa 2 (Bruna, 999-834-603)
» Setor de Indústrias Gráficas, Edifício Parque Brasília, Qd. 1 (Bruno, 992-121-464)
» Sudoeste, SQSW 101, Bloco J (Bárbara, 998-110-038)

Armário Solidário
(doações em geral)
» Setor Comercial Sul
» Rodoviária do Plano Piloto
» Passarela subterrânea que liga o Guará ao Lucio Costa

Polícia Militar
» Qualquer unidade da PMDF
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade