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Correio Braziliense

Servidora que perdeu filho para o H1N1 cria campanha para deter o vírus

Depois de perder o filho, de 23 anos, servidora se engaja na campanha de vacinação para combater o Influenza A


postado em 21/07/2019 07:00

A imunização prepara o organismo para enfrentar eventual invasão do vírus da gripe, que matou 15 pessoas(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A imunização prepara o organismo para enfrentar eventual invasão do vírus da gripe, que matou 15 pessoas (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O número de brasilienses mortos por H1N1 dobrou em duas semanas. São seis os casos confirmados no último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde, três a mais do que o divulgado no balanço anterior. No total, a gripe levou 15 pessoas a óbito, sendo que 40% delas contraíram o Influenza A H1N1, considerado o subtipo viral mais grave da doença. Em menos de 24 horas da manifestação dos primeiros sintomas de um suposto resfriado, o estudante Lucas de Castro Dias Buarque de Gusmão, 23 anos, teve a morte declarada após dar entrada no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em 27 de maio. O H1N1 foi o responsável por tirar, de forma abrupta, a vida de um jovem saudável que, segundo a mãe, a servidora pública Thâmar Castro Dias, tomava as vacinas todos os anos.

“No meu trabalho, todos os funcionários e dependentes são imunizados e a campanha para ele tinha começado precisamente no dia em que ele faleceu. Então, não deu tempo. O que a morte do meu filho mostra é a letalidade desse vírus, que pode atingir qualquer pessoa. Lucas era um menino cheio de planos, sonhos e possibilidades reais porque era brilhante e querido. A dor que eu sinto é inominável, indescritível, imensurável. Falta uma parte de mim”, lamenta Thâmar.

Desde a partida de Lucas, a servidora pública se engajou na luta contra a doença, propagando a importância do combate eficaz. “As pessoas não se dão conta da necessidade das vacinas. Fomos humilhados por um vírus. Uma equipe médica de preparo indiscutível fazendo de tudo não foi suficiente”.

Foi no velório do Lucas que a mãe percebeu a quantidade de jovens que não julgavam necessária a imunização. “Comecei a chamar a atenção para a vacina. E isso não é só uma questão de proteção própria, é de pensar no coletivo. Quando você se protege, ajuda a fortalecer a barreira para outras pessoas. É preciso ser responsável e saber que a gripe mata.”

Nas redes sociais, pessoas até de fora de Brasília começaram a compartilhar as postagens da servidora e contar relatos pessoais que reforçam a necessidade da imunização, mesmo para aqueles que não fazem parte do público-alvo da Campanha contra a Gripe. “É uma doença que vem de vez. Nunca fui de ficar gripada, nada. Achei até que estava infartando”, relata a paulista Rosana Silvestre, 52.
 
Sentindo muita falta de ar, Rosana foi ao pronto-socorro e recebeu tratamento para bronquite. Horas depois, bastante debilitada, deu entrada no hospital e ficou internada 18 dias na unidade de terapia intensiva (UTI), em isolamento, após ser detectada a presença do vírus A H1N1. “Eu achei que não ia aguentar”. O caso ocorreu no ano passado, mas os prejuízos causados à saúde se refletem até hoje.

Comum em porcos, o H1N1 foi transmitido para o homem pela primeira vez em 2009. A gravidade do subtipo do Influenza A está, segundo o médico infectologista Leandro Machado, na capacidade de se reproduzir no corpo. “O H1N1 se diferencia dos outros subtipos pela maior virulência, ou seja, consegue se reproduzir e espalhar rapidamente no órgão e, por ser uma invasão intracelular, o corpo combate a doença atingindo as células contaminadas. Por isso, as chances de sequelas são maiores”. Quando há a imunização, o corpo se prepara para uma eventual invasão. “O corpo já produziu as células de defesa capazes de derrotar o vírus antes mesmo de gerar uma doença e uma lesão”, explica.

Perigo

Embora o Distrito Federal tenha imunizado mais de 92% das pessoas pertencentes ao público-alvo em 2019, conseguindo bater a meta de 90%, os grupos de crianças de seis meses até seis anos e gestantes ficou abaixo do esperado — com 79,9% e 88% de cobertura, respectivamente. 

» Como se cuidar


Além da vacinação, o Ministério da Saúde recomenda que a população siga os passos da “etiqueta respiratória”.

» Lave e higienize as mãos com frequência, principalmente antes de consumir algum alimento e após tossir ou espirrar
» Utilize lenço descartável para higiene nasal
» Cubra nariz e boca quando espirrar ou tossir
» Evite tocar mucosas de olhos, nariz e boca
» Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas
» Mantenha os ambientes bem ventilados
» Evite contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe
» Indivíduos que apresentem sintomas de gripe devem evitar sair de casa em período de transmissão da doença (até 7 dias após o início dos sintomas).

» Danos

» 15 mortes por gripe
» 6 por H1N1
» = 40% dos casos

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