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Correio Braziliense

Donas do asfalto: motoclubes de mulheres se encontram no Capital Moto Week

Ao menos 10 motoclubes formados só por mulheres participam do Brasília Capital Moto Week, na Granja do Torto


postado em 21/07/2019 07:00

Neia Godinho comanda um motoclube: ''É uma vitória termos um espaço amplo e fazermos parte de um evento tão grande''(foto: Sarah Peres/CB/D.A Press)
Neia Godinho comanda um motoclube: ''É uma vitória termos um espaço amplo e fazermos parte de um evento tão grande'' (foto: Sarah Peres/CB/D.A Press)
A capital do Brasil começa a ser tomada por motociclistas de todo o país e do exterior, no primeiro fim de semana do maior encontro do gênero na América Latina, o Brasília Capital Moto Week, que começou quinta-feira e termina no próximo domingo. Em sua 16ª edição, são esperadas mais de 700 mil pessoas.

Ao andar pelos 250 mil m² do Parque de Exposições da Granja do Torto, onde é realizado o evento, se vê placas dos mais variados locais, como Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Recife, Mato Grosso, Santa Catarina e Argentina. A presença feminina também chama a atenção. Dos 205 motoclubes participantes, ao menos 10 são exclusivos de mulheres.

Vice-presidente e uma das fundadoras do Motoclube Guerreiras Mc Brasil e da Associação Motociclística da Capital Federal e Entorno, Neia Godinho, 58, comemora a presença feminina no evento. “Organizamos o nosso espaço no evento, para recebermos as guerreiras com conforto. Mas a nossa área é aberta e sempre recebemos outros motoclubes, até hoje (ontem), vieram 66 pessoas. É uma vitória termos um espaço amplo e fazermos parte de um evento tão grande, que tem desmistificado a ideia de que motociclistas são drogados ou doidões”, ressaltou Neia. Com sede em Curitiba, o Guerreiras tem filial em sete unidades federativas, incluindo o DF.

A bióloga e motociclista Juvânia Torres, 59, participa do Moto Week há nove anos. Para a pernambucana, ser mulher neste meio é sinônimo de força, determinação e muita resistência. “No começo, quando éramos poucas, havia muito preconceito por parte dos homens. Para termos o nosso espaço, tivemos de levantar a nossa bandeira e nos impor. Mostrar que, sim, mulheres podem pilotar motos de alta cilindradas e viajar pelo país, sem medo”, destacou. “O evento tem cuidado em pensar também nos motoclubes femininos. Isso é importante demais. A cada ano, o festival se supera!”, completou.
 
Mesmo enfrentando um câncer, a bióloga e Juvânia Torres não abre mão de participar do encontro com amigas motociclistas(foto: Sarah Peres/CB/D.A Press)
Mesmo enfrentando um câncer, a bióloga e Juvânia Torres não abre mão de participar do encontro com amigas motociclistas (foto: Sarah Peres/CB/D.A Press)
 

A história dos motoclubes femininos se entrelaça à vida de Juvânia Torres, que há seis anos luta contra o câncer. Ela teve diagnóstico confirmado e passou pelo estágio 4 da doença, que já apareceu no intestino, peritônio e fígado. Em 2016, teve a recidiva de câncer no pulmão, mas conseguiu superá-la após tratamento. Na quarta-feira, teve o resultado de uma nova biópsia, que indicou câncer na mama direita. “Mesmo em tratamento, nunca deixei de lutar pelo que acredito. Nunca deixei de vir a um Moto Week, pois isso aqui (o motociclismo) é parte da minha identidade. Na semana passada, peguei o diagnóstico, guardei e vim. Irei ter os cuidados médicos, mas, enquanto puder andar, estarei aqui no festival, rodeada pelos amigos que amo e aproveitando tudo o que o evento pode me proporcionar”, salientou.

Longa viagem

Esta é quarta vez que Jeferson Gaivota, 60 anos, viaja de moto de Porto Seguro (BA) até o Distrito Federal só para participar do Brasília Capital Moto Week. O professor pilotou por 1.460 mil quilômetros. Ele aproveitou a viagem para conhecer cachoeiras nas mineiras Buritis, Paracatu, Uruana e Unaí. “Como já estava com o pé na estrada, decidi aproveitar por completo. Para fechar com chave de ouro, vim encontrar os amigos e assistir aos shows, em Brasília. A organização sempre se supera. Não perco mais nenhuma edição”, afirmou Jeferson.

O servidor público municipal José Maria de Sá, 56, está conhecendo a força do festival pela primeira vez. Presidente da Associação dos Motoclubes de Juiz de Fora (MG) e do do motoclube Os Aventureiros, também com sede na cidade mineira, ele viajou sobre duas rodas por 981km, com três companheiros, até a capital do país. “Chegamos na quarta-feira, antes da abertura oficial. Estou impressionado com o tamanho do evento e como tem espaço para podermos andar com as motos e nos aconchegar nas tendas dos motoclubes. Sabia que era um festival grande e que todo motociclista tem que vir, mas superou as minhas expectativas”, ressaltou.

José de Sá pretende organizar uma viagem com integrantes do motoclube para Brasília para participarem em peso do Moto Week no próximo ano. “Anualmente, organizamos essas excursões. Passamos por locais como Passos (MG) e Foz do Iguaçu (PR). Dessa vez, o objetivo é virmos todos para o festival em Brasília. É uma grande oportunidade”, observou o motociclista.

» Programe-se

Confira as atrações de hoje do Brasília Moto Capital Week, que tem entrada 
das 9h às 22h:

Palco principal
A culpa é de 
Dulce, 18h
Vintage Tune, 19h
Dona Cislene, 20h

Saloon
TimeOut, 22h
4 You Jazz Roll, 23h50
Bartô Blues, 1h30

Moto Bar
Dj Léo Machado 12h
Dj Maffra 18h
Black Wolves 23h50

Lady bikers
Grupo Os 
Grudes, 16h

Outras atrações
Pet Offroads (feira, doação, ações e artigos), 10h
Globo da Morte, às14h, 
16h30 e 19h45
Oração, 17h45

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