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Correio Braziliense

Grupo se mobiliza para pagar traslado de corpo de jornalista morto no ES

Luís Felgueira José foi atropelado na tarde de segunda-feira (12/8), em Vitória. Amigos e familiares criaram vaquinha para arcar com custos da transferência do corpo do jovem para Angola, onde nasceu


postado em 13/08/2019 18:31 / atualizado em 15/08/2019 15:16

Luís se formou em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB) em dezembro(foto: Facebook/Reprodução)
Luís se formou em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB) em dezembro (foto: Facebook/Reprodução)
Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) e familiares de Luís Felgueira José, 32 anos, participam de uma mobilização para angariar fundos e levar o corpo do jovem para Angola, país de origem dele. Luís, formado recentemente pela instituição de ensino, morreu na segunda-feira (12/8), em Vitória (ES), onde morava com a noiva, Fernanda Sacramento, 26. Ele voltava do trabalho de bicicleta quando foi atropelado por um carro. O traslado do corpo do jornalista para o país africano ficou orçado em, aproximadamente, R$ 27 mil.

Luís não costumava ir de bicicleta para o trabalho, mas optou pelo meio de transporte devido à greve dos ônibus no estado capixaba. O acidente aconteceu por volta das 12h, na orla da Praia de Camburi. Ele chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos. A arrecadação de fundos para o velório do jornalista em Angola começou na segunda-feira (12/8). Toda a família do jovem mora no país do continente africano. 

Apaixonado por livros, como ele próprio descreveu no perfil pessoal do Facebook, Luís se formou em jornalismo em dezembro. Em março, colou grau na UnB. Nascido na capital Luanda, o jovem ingressou na carreira como forma de realizar o sonho da mãe, que aspirava seguir na profissão. Sem nunca ter se formado, ela contou a ele que gostaria de seguir na carreira. Ao saber disso, em 2014, ele abriu mão do curso de economia e mudou para comunicação social.

Luís homenageou a família durante a colação de grau da turma. “Consegui tirar o sobrenome Felgueira de políticas sociais do governo e levá-lo para um palco de formandos”, declarou. Ele se mudou para o Espírito Santo após terminar o curso. Os dois estavam juntos havia dois anos e tinham firmado um noivado há pouco tempo. 

Amigo próximo de Luís e Fernanda, Leonardo Carneiro, 24, cursou disciplinas na mesma turma que o jornalista. Ele conta que o jovem angolano era conhecido por ser um rapaz divertido e aplicado nos estudos. “O Luís sempre foi um cara muito comunicativo e expansivo. Era muito difícil fazer uma disciplina em uma turma e não conhecê-lo. Ele sempre brincava, de forma respeitosa, com todo mundo. E também era muito estudioso. Ele nunca ficava parado, estava sempre atrás de um edital”, contou Leonardo.

Trajetória

Antes de se formar, o jovem passou pelas assessorias de comunicação do Hospital da Criança de Brasília (HCB) e da organização não governamental (ONG) Rodas da Paz. A comunicação do hospital informou que ele fazia parte de um projeto da UnB que trazia estudantes de Angola e que a equipe está consternada diante da notícia da morte. “Ele ficou conosco por muito tempo. Era um cara muito sorridente, brilhante, inteligentíssimo, super esforçado”, elogiou Ana Luiza Wenke, coordenadora de comunicação da unidade de saúde.

Diretora da Rodas da Paz, Renata Fiorentino conta que Luís apoiou os trabalhos de promoção da segurança no trânsito com dedicação e que foi a última pessoa a conversar com Raul Aragão em 21 de outubro de 2017, data em que o ciclista foi atropelado. "Luís entrou na Rodas da Paz por meio de uma seleção para vaga de estágio em comunicação. A entrevista dele foi tão impressionante que, ao final, sabíamos que seria ele o contratado. No dia em que Raul foi atropelado, (os dois) haviam almoçado juntos na UnB. A dedicação de ambos não os poupou dos motoristas irresponsáveis que estão em nossas ruas", lamentou Renata.

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira/DF) emitiu nota lamentando a morte do jornalista. "Ele esteve conosco no auditório do Sindicato dos Jornalistas (Profissionais) do Distrito Federal, em 2017, ainda estudante, mas nos ensinando muito sobre a cobertura jornalística no e sobre o continente africano", afirma o texto. "Felgueira vive!", completa.

No Facebook, ex-professores de Luís também lamentaram a morte do jornalista. “Uma tristeza me invade. Há pouco, recebi a notícia da morte, por atropelamento, de Luis Felgueira, que foi meu aluno logo que chegou de Angola, cheio de sonhos. Formou-se neste início de ano. Preparava-se para uma pós. Queria voltar ao seu país e ser professor. Acho que precisaram de seu espírito de luz em outro lugar. Vá em paz”, escreveu Márcia Marques, professora da Faculdade de Comunicação (FAC) da UnB.

Como ajudar

Banco Santander
Agência: 4595
Conta: 01.078834.6
Titular: Fernanda Sacramento Samora
CPF: 143.043.127-07
 
*Estagiária sob supervisão de Humberto Rezende
 
 

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