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Correio Braziliense

Cada vez mais brasilienses se tornam padrinhos de um pet sem lar

O apadrinhamento de animais é uma forma de ajudar cães e gatos que estão em abrigos, à espera de um lar


postado em 14/08/2019 06:00

A ativista Thusnelda Frick cuida de nove cachorros, sendo que quatro estão disponíveis para adoção(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A ativista Thusnelda Frick cuida de nove cachorros, sendo que quatro estão disponíveis para adoção (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Pretinha não tinha um lar, muito menos comida e acompanhamento veterinário, até ser resgatada, em novembro, por meninas que descobriram a história dela por meio das redes sociais. Entre elas, a jornalista Yael Costa, 45 anos, e a estagiária de direito Domitila Barroso, 35, que não mediram esforços para salvar a cadela prenha, largada em um posto de combustíveis. Desde então, Yael e Domitila não só se comoveram com a situação da pet como se tornaram madrinhas dela.

A função é parecida com a de uma fada-madrinha. Ao apadrinhar um animal, a pessoa fica responsável por todo auxílio, da alimentação aos cuidados médicos. Quando resgataram Pretinha, as garotas não tinham condições de levá-la para casa. “Conseguimos um lar temporário para ela no Jardim Botânico. Montamos um grupo no WhatsApp para dividir os gastos. Eram seis pessoas, a princípio. Com o tempo, elas foram saindo do grupo e ficaram só três”, relata Yael, que passou a cuidar da cadela com Domitila e outra amiga, Patrícia Carvalho.

As garotas pagam, juntas, R$ 250 por mês só pela hospedagem. Há ainda os custos com ração, exames e de medicamentos. “É uma forma de a gente ajudar sem precisar levar para casa. Se cada um contribuir com um pouco, faz toda diferença”, destaca Domitila. As meninas preparam a cadela para a castração e, depois, colocá-la para adoção.

Necessidades

A ativista Thusnelda Frick, 65, sabe bem o custo de um animal. Ela cuida de nove, sendo cinco dela e quatro à espera de adoção. Mesmo responsável por tantos animais, Thusnelda apadrinhou outros três bichos, inclusive, um fora de Brasília. “Ajudo a ONG Paraíso dos Focinhos, no Rio de Janeiro, onde apadrinhei um cãozinho chamado Meninão. Também apadrinhei outros dois cachorros de rua resgatados por um casal daqui. Dou apoio com os procedimentos veterinários, medicamentos e ração”, relata a protetora. Antes desses animais, Thusnelda foi madrinha de outros três pets, Einstein, Junior e Sansão, que viviam em um abrigo temporário em Samambaia.

Para Thusnelda, o apadrinhamento é uma ótima forma de ajudar, principalmente quando não há condições de adotar. “Tem gente que não consegue manter o bicho em casa, então elas podem ser madrinhas ou padrinhos de um cão resgatado. Dessa forma, além de ajudar os animais, também ajudam as Ongs e os abrigos, que têm muitos cachorros e gatos”, ressalta.

A produtora de eventos Natália Ligieri apadrinhou cinco cachorros(foto: Arquivo Pessoal)
A produtora de eventos Natália Ligieri apadrinhou cinco cachorros (foto: Arquivo Pessoal)
A prática se tornou comum entre os apaixonados por animais. A produtora de eventos Natália Ligieri, 33, apadrinhou cinco cachorros. “Sempre tive animal de estimação. Morava em uma chácara com a minha família e a gente levava vários bichos para lá. Depois que a minha mãe se separou, a gente saiu da chácara e não tínhamos mais espaço para os animais, mas queríamos continuar ajudando”, relata.

Natália começou apadrinhar alguns cachorros que precisavam de auxílio. Entre eles, duas cadelas que ela resgatou em São Paulo, e um cachorro, que encontrou perdido na EPTG. “Em alguns casos, consegui lar temporário e fiquei responsável por todos os gastos. Outros, como é a situação desses de São Paulo e da EPTG, eles foram para um pet hotel”, conta.

Fazendo a diferença

O que para muitos é um pequeno gesto, para as organizações não governamentais (ONGs) e abrigos, o apadrinhamento faz uma grande diferença. O Abrigo Flora e Fauna, por exemplo, tem, em média, 800 animais à espera de adoção, incluindo 10 apadrinhados. “A pessoa escolhe um cão ou um gato que gosta, tem afinidade com a história, para apadrinhá-lo, porém, dentro do abrigo”, explica a voluntária do Flora e Fauna Adra Gabriela Ali Naves. Todo o último domingo do mês, o abrigo abre as portas para visitas aos animais, com o intuito de sensibilizar mais gente.

Ajude

Abrigo Flora e Fauna
Ao apadrinhar um animal, você fica responsável pelo tratamento, transporte para consultas e castração, além de ajudar com a adoção, após as orientações da equipe. Mais informações pelo abrigofloraefauna@gmail.com.

Projeto Adoção São Francisco
Você pode apadrinhar um animal ofertando um tratamento veterinário para um dos bichinhos. Informações pelo adocaosaofrancisco@gmail.com.

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