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Correio Braziliense

Ação busca aumentar cobertura vacinal contra sarampo no Distrito Federal

Em meio ao surto no país, que ocupa o segundo lugar no número de infectados nas Américas, a cobertura vacinal da capital federal preocupa


postado em 18/08/2019 07:00 / atualizado em 17/08/2019 23:47

(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
Uma doença controlada há 20 anos pode voltar a ameaçar o Distrito Federal. O sarampo ressurgiu em quatro estados brasileiros, contabilizando 1.388 casos desde a primeira semana de 2019. Três brasilienses são suspeitos de contrair a doença, importada de São Paulo. Em meio ao surto no país, que ocupa o segundo lugar no número de infectados nas Américas, a cobertura vacinal da capital federal preocupa. Está aproximadamente 10% abaixo da meta, o que significa maior facilidade para a proliferação do vírus, de acordo com a Secretaria de Saúde do DF.

A tríplice viral, vacina que garante a imunização contra sarampo, caxumba e rubéola em crianças de 1 ano de idade, foi aplicada em 84,4% da população infantil, até a última atualização da Secretaria de Saúde, relativa ao primeiro semestre deste ano. Para estar imunizada contra as doenças, é necessária a segunda dose, aplicada aos 15 meses, que vem acompanhada da cepa contra varicela. NesSe caso, o índice de proteção cai para 83%. Para garantir um bloqueio adequado, a meta é atingir 95% do público-alvo.

“O sarampo é uma doença altamente contagiosa. A estimativa é de que uma pessoa infectada consiga transmitir o vírus para outras 18. Estar com a caderneta de vacinação em dia é imprescindível para evitar que o DF seja exposto a essa ou outras doenças”, alerta a gerente de Vigilância das Doenças Imunopreveníveis e de Transmissão Hídrica e Alimentar, Renata Brandão.

Distribuição


Ainda não há uma campanha de vacinação específica na capital. No entanto, os surtos em São Paulo, que concentra 99,5% das confirmações, têm aumentado a vigilância local e levado mais pessoas a procurarem os postos de saúde. A distribuição mensal da tríplice viral, segundo dados da Saúde, é de 12 mil doses. Com o alerta, o número subiu para 17 mil, somente na primeira quinzena de agosto.

A professora Sandra Cunha, 48 anos, viajará nas próximas semanas e, por isso, resolveu conferir se alguma vacinação estava pendente. “Vou para Roraima e, por mais que lá não tenha registro de sarampo, terei contato com pessoas de outros países, justamente por ser um estado fronteiriço”, explica. Ela precisou  tomar uma dose da tríplice viral e uma antitetânica.

Na juventude, Sandra teve contato com várias pessoas que sofreram as consequências de doenças como sarampo, poliomielite e rubéola e, pela lembrança do impacto causado, visualiza a importância da vacinação. “Essa nova geração de adultos não teve contato com essas doenças, nunca viu e, por isso, acabam não se atentando à importância de se imunizar. A gente não pode deixar esses vírus voltarem a circular”, afirma.

Sempre procurando manter a cartilha de vacina completa, a estudante Aline Marcolino, 20, incentivada pela mãe, compareceu ao posto de saúde. “Na minha casa, a gente sabe da importância da vacina. Participamos de todas as campanhas e quando a dose não é disponibilizada pela rede pública, recorremos à privada. Achava que já tinha tomado a vacina contra o sarampo e descobri que não”, conta. Isso porque, na infância, Aline havia sido imunizada com uma dupla viral. Agora, ela recebeu a primeira dose da tríplice e, daqui um mês, terá que retornar ao posto para a última fração.

Bloqueio


Três brasilienses que foram ou tiveram contato com pessoas de São Paulo podem ter contraído o sarampo. Eles apresentam os sintomas, que são febre e manchas avermelhadas pelo corpo, acompanhadas de um ou mais dos seguintes sinais: tosse, coriza e/ou conjuntivite. A confirmação só sai entre uma semana e dois meses. A vigilância trabalha para bloquear as chances de uma possível proliferação do vírus. Enquanto isso, os três estão isolados em suas respectivas residências.

Os agentes de saúde recomendam que o paciente evite contato até que a suspeita seja descartada, por meio de exames laboratoriais. Todas as pessoas do ciclo são entrevistadas e imunizadas, caso não estejam com a caderneta atualizada. A doença alcança adultos e crianças e pode evoluir para óbito, em casos de complicações.

Como medida de prevenção, após o reaparecimento da doença, está a aplicação da “dose zero”. A recomendação recente do governo federal é de que crianças de 6 meses a menores de 1 ano, que moram ou vão a locais onde há surto de sarampo, sejam vacinadas, pelo menos 15 dias antes da data prevista para a eventual viagem. Esta, no entanto, é uma dose extra e não deve interferir na rotina prevista no Calendário Nacional de Vacinação.

Todos os profissionais de saúde, independentemente da idade, devem receber as duas doses da tríplice viral. A estudante de medicina da Universidade de Brasília Verônica Melo, 25 anos, está em São Paulo fazendo um estágio em cirurgia. Devido à exposição, precisou receber a vacina. “É uma proteção pessoal e também para as pessoas que terei contato quando voltar a Brasília, de forma a não retransmitir o vírus”, diz.

Outra estratégia preventiva adotada pelo governo local foi a oferta do serviço de vacinação no Aeroporto Internacional de Brasília, que começou a funcionar esta semana, atendendo funcionários que trabalham no local. A secretaria montou um posto volante, em uma sala do mezanino do terminal ao lado do embarque.

A vacina contra o sarampo é encontrada em todos os postos de saúde. As pessoas com idade de 1 a 29 anos e que não foram vacinadas anteriormente, ou que não têm como comprovar a imunização, recebem duas doses da tríplice viral, com intervalo de 30 dias entre elas. Para quem tem entre 30 e 49 anos é aplicada apenas uma dose. Após essa idade, o Ministério da Saúde não disponibiliza as vacinas.

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