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Correio Braziliense

Jovem morre em hospital dias após o parto; família denuncia negligência

Yasmin Campos deu à luz na segunda-feira e, após o parto, começou a passar mal. Na sexta-feira, ela morreu


postado em 18/08/2019 11:40 / atualizado em 18/08/2019 17:20

(foto: Geyzon Lenin/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Geyzon Lenin/Esp. CB/D.A Press)

Mais uma denúncia de negligência recai sobre o Hospital Regional de Samambaia (HRSam). A família de Yasmin Campos Vieira Lima, 17 anos, acusa a instituição de ter sido responsável pela morte da jovem. Na última segunda-feira (12/8), a moça, grávida, entrou em trabalho de parto e deu entrada no hospital por volta de 1h de terça-feira. Às 2h20, a bebê Alice nasceu.
 
Até o momento, a jovem aparentava estar bem de saúde, mas, depois de ir para o quarto, os parentes contam que Yasmin passou a ter febre alta e sentir muitas dores de cabeça e no local onde precisou levar pontos após o parto. Ela também teve diarreia e não conseguia se alimentar. Vanessa Baldez, 31 anos, é amiga de Yasmin e conta que, apesar do quadro, os médicos decidiram dar alta. 

Segundo Vanessa, os profissionais de saúde disseram que a dor de estômago da adolescente era causada por gases. “Passaram para ela tomar sulfato ferroso porque ela estava extremamente fraca. A pressão chegou a 5x3 e a febre não cedeu. Alegaram que era por causa da amamentação que ela não estava conseguindo fazer”, recorda.
 
Em casa, os sintomas continuaram até que, na quinta-feira (15/8), Yasmin desmaiou e a mãe decidiu voltar ao HRSam. A família teria solicitado uma ambulância ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas foi informada de que não havia veículo disponível. Diante disso, mãe, filha e neta pediram um carro por aplicativo e só assim conseguiram chegar.

No hospital, a jovem foi imediatamente levada para a Sala Vermelha, mas logo em seguida, morreu. “Eles alegaram que ela chegou com parada cardíaca mas omitiram que ela teve alta após um quadro que não era para existir após um parto normal. Não deram a atenção devida ao que ela tinha”, reclama Vanessa.
 
Yasmin foi sepultada neste sábado (17/8). Inconformados, os parentes registraram ocorrência na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), que vai investigar o caso. “Os exames comprovam que ela não teve uma gravidez de risco. Muito pelo contrário, foi tranquila e ela estava super feliz”, destaca Vanessa.

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que, segundo o Hospital Regional de Samambaia, a paciente fez o parto normal no último dia 13 e recebeu alta médica no dia 14. 

O órgão não informou sobre o estado de saúde da jovem no momento na alta. De acordo com a nota, ela deu entrada, novamente, na manhã de quinta-feira (15/8), às 8h50, já em parada respiratória e a equipe do pronto-socorro tentou reanimá-la, “realizando todos os procedimentos possíveis, sem sucesso, constatando o óbito às 9h30”. 

A causa da morte não foi constatada e a perícia foi solicitada ao Serviço de Verificação de Óbito.

Campanha

Com a morte de Yasmin, a família iniciou uma campanha para arrecadar fraldas e leite para a bebê Alice. Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelos telefones: 9.8485-2001 ou 9.8462-4537

Falhas

Esta não é a primeira acusação contra o HRSam. O governador Ibaneis Rocha (MDB) determinou a instauração de uma Comissão de Sindicância para apurar pelo menos 14 casos de negligência médica e violência obstétrica registrados no local.  Os episódios denunciados por vítimas são investigados pela Polícia Civil, pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e pelo Conselho Regional de Medicina do DF (CRM/DF).
 
O governador decidiu manter o diretor do HRSam, Luciano Moresco. Além disso, os médicos sob investigação não serão afastados preventivamente. “Luciano foi nomeado no início do ano, e a maioria dos casos denunciados ocorreu em 2018. Sob a gestão dele, até então, o hospital não havia dado problema”, disse Ibaneis.

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