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Correio Braziliense

Quinta edição da Jornada Literária do DF começa em Sobradinho

Quinta edição da Jornada Literária do Distrito Federal tem início nesta terça-feira (20/8), em Sobradinho


postado em 20/08/2019 06:00

Boa leitura: alunos do segundo ano do Centro de Ensino Médio 01 com a professora Leticia Gomes(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Boa leitura: alunos do segundo ano do Centro de Ensino Médio 01 com a professora Leticia Gomes (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
“Eu fico muito emocionada; sempre fui aluna de escola pública e foi na escola pública que me interessei pela literatura, participando de projetos literários como um ratinho de biblioteca, porque minha família não tinha condições de comprar livros”. O depoimento é da atriz e escritora Cristiane Sobral, 44 anos. Ela está entre os 31 escritores confirmados na Jornada Literária do Distrito Federal que, neste ano, começa por Sobradinho.

A expectativa dos organizadores é de que 30 mil jovens e crianças vivenciem o projeto, que leva a leitura à rede pública. “É uma maneira de retribuir e também plantar em outros estudantes aquilo que também foi plantado em mim tempos atrás, isso me emociona”, destaca Cristiane.

Além de Sobradinho, o projeto passará por Ceilândia, de 9 a 13 de setembro, por São Sebastião, de 25 a 27 de setembro, e se encerra no Gama, de 28 a 31 de outubro. O curador e escritor João Bonfim ressalta que a principal meta da Jornada Literária é fazer os participantes descobrirem o gosto pela leitura literária.

O programa é resultado de duas décadas de experiências de João e da produtora cultural Marilda Bezerra em eventos nacionais e internacionais: bienais, festas literárias, feiras do livro. Dos estudos, participações, ações e apresentações, surgiu a ideia de relacionar leitor, livro e autor.

João entende que, além do encantamento das histórias, poemas e imagens em si, é fundamental o contato do novo leitor com o criador das obras. Isso porque, distintamente dos esportes ou cinema ou das novelas, o escritor é tido como alguém que já não está entre nós, a exemplo do escritor Machado de Assis, tão presente nos livros escolares. “Assim, quando trazemos esse autor ou autora para perto das crianças, há uma admiração: ‘Então você existe!?’ E há um desejo enorme deles em conhecer todo o processo de produção, de criação e edição de um livro”, detalha João.

Para Marilda Bezerra, a ideia da Jornada Literária surgiu quando ela e João perceberam que os estudantes das escolas públicas das regiões administrativas mais afastadas do Plano Piloto tinham pouco acesso à literatura e aos livros. “Vimos as pesquisas e constatamos que os índices de leitores ou livros lidos por ano eram muito baixos... Assim, tivemos a ideia de levar livros para esses alunos. Mas sabemos que, para formar um leitor, não basta só o livro. É preciso que se tenha um mediador de leitura”, avalia. “A Jornada, então, começa com a formação dos mediadores de leitura: disponibilizamos livros para serem lidos e trabalhados pelos alunos e depois levamos esses alunos para se encontrarem com os autores desses livros”, relata a produtora cultural.

Experiências

O Centro de Ensino Médio 01 de Sobradinho (CEM 01) participou da Jornada Literária em 2018 e este ano também vai receber o projeto. “Os alunos gostaram muito, mergulharam em um universo desconhecido, diferente da sala de aula”, relata o diretor da escola, Rafael Urzedo. De acordo com o diretor, a experiência foi tão positiva que neste ano houve acréscimo de 40% no número de professores que aderiram ao projeto.

Os estudantes Amanda Meira e Murilo Campos compartilham da opinião de Rafael. Amanda conta que a experiência foi diferente, pois saíram do quadrado de sala. “A literatura é um novo jeito de ver o mundo”, afirma. Por sua vez, Murilo relata que a escola recebeu grande suporte da Jornada. “Com esse projeto, podemos perceber que pessoas comuns conseguem chegar a um alto patamar da sociedade”, complementa.

“Eu vejo o despertar da leitura”, afirma a professora de português Ana Teresa Fernandes, que participou da Jornada do ano passado. A docente relata que o contato dos leitores com os escritores é um diferencial da Jornada. “Acho riquíssimo o contato com o autor que está vivinho, que mora do seu lado e está em Brasília”. Ana também conta que a escola optou este ano estudar o livro de contos do escritor Ignácio de Loyola Brandão, Cadeiras proibidas, devido à interação que a leitura do gênero proporciona na sala de aula.

* Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira

Serviço

Jornada Literária do DF
» Teatro de Sobradinho, desta terça-feira (20/8) a 23 de agosto, das 9h às 18h. Entrada franca e classificação livre.

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