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Correio Braziliense

Novo secretário: ''Governador tem legitimidade para impor programas''

João Pedro Ferraz assumiu nesta terça-feira (20/8) a Secretaria de Educação com uma missão: acelerar a implementação da gestão compartilhada com a Polícia Militar em escolas da capital


postado em 21/08/2019 06:00

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Ex-procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT), João Pedro Ferraz assumiu nesta terça-feira (20/8) a Secretaria de Educação com uma missão: acelerar a implementação da gestão compartilhada com a Polícia Militar em escolas da capital. No primeiro dia à frente da pasta, ele defendeu a decisão do governador Ibaneis Rocha (MDB) de militarizar, inclusive, os colégios que disseram “não” ao modelo: “Ele tem não só a legitimidade para impor os seus programas e para estabelecer as políticas públicas, mas também a responsabilidade de fazer isso”, disse, em entrevista ao Correio.

Como foi o convite do governador?

Ele me ligou ontem (nesta terça-feira — 20/8) e perguntou se eu poderia assumir a Secretaria de Educação. Como debatemos o conceito de que a administração é única, somos um time e entendemos que qualquer um dos componentes do GDF está perfeitamente habilitado para assumir qualquer posto. Coloquei-me à disposição e, hoje, acordei secretário de Educação.

O senhor não tem experiência na educação pública. Acredita que a bagagem em outras funções será suficiente para comandar essa secretaria?

Trabalhei como servidor público por 30 anos e fui procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT). Tenho noção de administração. Na secretaria, há uma equipe de funcionários efetivos e comissionados de primeira linha. Minha experiência no serviço público e como professor da rede particular e minha vivência sindical me ajudarão muito. Mas a parte fundamental, que me auxiliará mesmo, é o time da pasta de Educação.

O governador provocou polêmica ao ignorar o resultado das consultas públicas e implementar a gestão compartilhada mesmo nas escolas que a rejeitaram. Não é antidemocrático?

Não. A democracia se expressou quando o governador foi eleito. Naquele momento, a população deu a ele a incumbência de resolver os problemas da educação e de outros setores, como saúde, segurança. Ele está tentando fazer isso da melhor maneira. Estamos com um projeto que temos certeza de que passará de experimental para proposta requerida por todas as escolas.

O futuro do Gisno é incerto, mas o CEF 407, de Samambaia, que também rejeitou o modelo em votação, está garantido na gestão compartilhada. Qual é a diferença?

Lá, nós temos um problema sério de segurança. Um dia depois da consulta pública em que se rejeitou a proposta por uma diferença pequena, houve um incidente na porta da escola. Um aluno adolescente foi vítima de agressão e foi parar no hospital. Isso é uma necessidade daquela escola. Talvez não seja necessidade premente do Gisno, mas lá é. O governador tem não só a legitimidade para impor os seus programas e para estabelecer as políticas públicas, mas também a responsabilidade de fazer isso. Então, claro que isso passa por um processo de consulta, mas talvez o formato dessa consulta não tenha sido o melhor. É possível que tenha se transformado o que seria uma consulta numa eleição. O governador acha que é fundamental que lá se tenha uma escola com o mínimo de segurança e disciplina.

Hoje, o senhor tem reunião com o governador e com o Sinpro para tratar do futuro do Gisno. Depois disso, deve também conversar com diretor da escola e a coordenação regional?

Eu vou conversar com todo mundo. Se tem uma coisa que gosto de fazer é de conversar. Então, não me canso de ouvir e de discutir. Eu sou professor, ensinei 25 anos, não na escola pública, mas em faculdades de direito. Então, eu tenho também essa vivência com o corpo docente, discente, com comunidade escolar e não tenho nenhum problema em conversar.

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