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Correio Braziliense

Sete escolas do DF têm projetos com práticas educacionais inovadoras

As escolas participam e desenvolvem projetos em programa da Unesco em que trocam experiências dentro e fora do país sobre práticas educacionais inovadoras


postado em 22/08/2019 06:00

Alunos e educadores do Colégio Objetivo de Águas Claras que fazem parte do programa da Unesco(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Alunos e educadores do Colégio Objetivo de Águas Claras que fazem parte do programa da Unesco (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A educação é um dos principais caminhos para a compreensão de temas importantes — e urgentes — da agenda global. Norteadas por esse compromisso, sete escolas públicas e privadas do Distrito Federal abraçaram a missão de levar adiante os ideais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) dentro das programações de ensino. Elas integram uma rede mundial, fundada em 1953, intitulada Programa de Escolas Associadas (PEA). A iniciativa envolve mais de 11,5 mil colégios parceiros espalhados por 182 países.

No Brasil, há 583 instituições de ensino associadas, incluindo escolas quilombolas, indígenas e rurais. O Instituto Federal de Brasília (IFB) Riacho Fundo 1 compõe a lista desde o ano passado. Com nicho educacional focado em turismo, hospitalidade e lazer, o câmpus promove atividades extracurriculares com alunos de cursos técnicos integrados ao ensino médio.

Professor de história no instituto, Thiago de Faria e Silva associou temas relacionados a Unesco para desenvolver projetos com estudantes. No entanto, a experiência dele no PEA Unesco não é de agora. A escola na qual trabalhava antes, em São Paulo, também integrava o programa. “Quando entrei no IFB, falei com professores sobre a rede e começamos a desenvolver um projeto sobre patrimônios da humanidade e a estudar com estudantes alguns locais tombados pela Unesco e pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A proposta despertou interesse”, conta.

Entre as atividades realizadas, houve visitas a pontos turísticos de Brasília — que recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 1987 — e jantares promovidos durante um trabalho sobre a cultura e a história da alimentação. O próximo passo, segundo Thiago, é ampliar o contato com outras escolas do PEA. “Foi um ótimo projeto integrado para relacionar áreas de turismo e gastronomia com história, línguas, ciência e biologia. Vemos uma mudança de postura do aluno em relação à atitude dele como cidadão”, comenta o professor.

Estudante do 2º ano do ensino médio e do curso técnico em cozinha do IFB Riacho Fundo 1, Geovana Pereira, 16 anos, considerou a experiência desafiadora. “No primeiro semestre, estudamos uma região de túmulos da Coreia do Norte (Complexo de Túmulos Koguryo). Por se tratar de um país muito fechado, foi um pouco complicado. Depois, estudamos sobre a Catedral de Notre-Dame de Paris. Neste ano, aprendemos sobre a gastronomia candanga, que tem a ver com nosso curso de cozinha. Muitas vezes, quando falamos de gastronomia, pensamos só no que existe na Europa, mas há uma riqueza muito grande aqui no Brasil”, avalia.

Colega de Geovana, Raquel Borges, 16, também cursa o ensino médio integrado à formação técnica em cozinha. Ela reconhece que os trabalhos desenvolvidos no âmbito do PEA favorecem uma visão ampla sobre a sociedade. “É importante conhecer mais sobre o mundo que nos cerca e sobre a história do Brasil. Foi muito gratificante trabalhar com o tema da culinária candanga. Inclusive, tenho cozinhado bem mais em casa e estou mais fascinada por comida”, comemora a estudante.

Compromisso

Dentro e fora de sala, os educadores das escolas do PEA dedicam-se a pensar em projetos extracurriculares que colaborem com a formação dos estudantes. A iniciativa permite que o ambiente escolar se torne um “laboratório de ideias”, com abordagens de ensino e aprendizagem baseadas nas prioridades e nos valores da Unesco. Entre eles, está a construção de uma cultura de paz, a promoção da educação para o desenvolvimento sustentável, a aprendizagem intercultural e a formação de gerações conscientes do papel que exercem para a cidadania global.

Diretora da Escola Classe 39 de Taguatinga, uma das associadas, Karine Silva Pereira destaca que o compromisso com o programa exige dedicação. A escola em que ela atua recebe alunos do 1º período da educação infantil até o 5º ano do ensino fundamental. “É preciso um empenho diário. Todos os dias procuramos ter um ambiente agradável, que acolha os estudantes e as famílias, para que possamos trabalhar dentro da proposta. É necessário compromisso, mas temos uma equipe muito dedicada”, elogia Karine.

A cultura da paz e a preservação do meio ambiente são alguns dos principais temas levados para o colégio. Os efeitos dos projetos se refletiram no resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2017. Naquele ano, a escola ficou em 10º lugar entre as instituições de ensino de anos iniciais mais bem colocadas do DF, alcançando nota 7,2. “O que mais mudou foi o fortalecimento das atividades pedagógicas. Frequentemente, fazemos um momento de avaliação e, de modo geral, recebemos respostas positivas dos estudantes”, acrescenta Karine.

Como se associar

O Programa de Escolas Associadas (PEA) da Unesco não se trata de um selo ou reconhecimento por parte da entidade. As instituições de ensino devem apresentar um pré-projeto com as propostas de trabalho para o ano, além de um relatório de atividades após a conclusão delas. Para se associar, é necessário preencher um formulário em português, em um segundo idioma (inglês, espanhol ou francês) e entrar em contato com a rede por meio do e-mail mvt@colegiomagno.com.br. Informações: https://www.peaunesco.com.br/comoassociar.htm

Agenda global

Confira os temas escolhidos pela Unesco para as instituições de ensino associadas ao PEA em 2019:

» Ano internacional das línguas indígenas
» Ano internacional da moderação
» Ano internacional da tabela periódica
» Década internacional dos afrodescendentes (2015-2024)
» Década internacional para ação: água para o desenvolvimento sustentável (2018-2028)
» Desenvolvimento sustentável
» Mudanças climáticas
» Patrimônio material e imaterial

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