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Correio Braziliense

Em época de seca, flores resistem ao clima e encantam turistas e moradores

Além dos ipês, outras vegetações resistem ao clima de estiagem e encantam quem anda pela ruas da capital


postado em 26/08/2019 06:00 / atualizado em 26/08/2019 07:26

Bauínia(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Bauínia (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Em meio às árvores secas e ao gramado marrom do inverno de Brasília, algumas espécies de árvores se encarregam de colorir a cidade. Mas se engana quem pensa que estamos falando apenas dos ipês. Além deles, outras vegetações resistem ao clima de estiagem e encantam quem anda pela ruas da capital. 

Elas estão presentes nas mais diversas cores, em diferentes formatos e lugares. No gramado central do Eixo Monumental, perto do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, o roxo da resedá se destaca entre a vegetação. A espécie também  pode ser encontrada em outras áreas do Plano Piloto, como no entorno do prédio da Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Quem passa pelo Eixo Sul também se encanta com as flores brancas e rosas das bauínias. “É uma árvore de porte médio, com uma variedade de flor esbranquiçada. Elas florescem durante quase todo o ano, porém, com maior expressividade entre maio e agosto”, detalha o chefe do Departamento de Parques e Jardins da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), Raimundo Silva. Já no Setor Hoteleiro Norte, é o laranja das flores da spathodea que chama a atenção. 

Ver galeria . 5 Fotos Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )


Raimundo ainda cita outras espécies. Entre elas, a jacarandá-mimoso, com cachos densos e azulados. Elas florescem de maio a outubro, em maior intensidade entre julho e agosto, e estão no Parque da Cidade e no Setor Militar Urbano; a cássia-rosa, com floração rosa entre agosto e outubro; além da angico-preto, uma árvore de grande porte, com flores brancas. “A floração dela é expressiva, se destacando na paisagem. De longe, você vê. É uma espécie nativa da mata do Distrito Federal. A floração ocorre entre agosto e outubro. Elas estão no Eixo Rodoviário Sul e Norte, no Parque da Cidade, na Universidade de Brasília (UnB) e às margens da BR 060”, mapeia Raimundo. 

Assim como os ipês, o colorido das flores vira cenário para diversas fotografias. A dentista Maria Iris Rachid, 67 anos, por exemplo, ama tirar fotos das árvores na quadra onde mora, na Asa Sul. “Perto da minha casa tem uma árvore com flores cor-de-rosa, meio esbranquiçadas. Eu as acho lindas e tiro fotos de todas”, conta. Outra paixão é o colorido do chão, quando as pétalas começam a cair. “As pessoas não entendem que flor não é lixo. Elas mal começam a cair e os moradores ficam preocupados em recolher, mas eu acho lindo”, comenta. 

A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Fabiana Aquino explica que as árvores florescem nesta época do ano para produzir frutos e sementes, para germinar quando as chuvas começarem. “Algumas plantas florescem mais no início da época seca e produzem sementes aladas que se beneficiam dos ventos para se dispersarem”, esclarece.


Clima

Para o gerente comercial Roberto Clemos, 54, o colorido das árvores ajuda a animar o clima da cidade. Roberto tem duas árvores plantadas no jardim da casa dele, um ipê e uma sucupira. “Em uma estação tão árida como esta, as árvores trazem vida para a cidade, além de levantar o astral”, diz. 

Fabiana esclarece que as árvores do cerrado têm, basicamente, duas estratégias para se adaptarem ao tempo seco: raízes mais profundas, que exploram as camadas mais úmidas do solo, e a queda de folhas para diminuir a perda de água por evapotranspiração. 

Beleza e sombra

Em época de altas temperaturas e baixas taxas de umidade, as árvores também ajudam a climatizar o ambiente. Seja diminuindo o calor, seja apenas proporcionando sombras. O aposentado José Valdez, 77, aproveita os bancos embaixo das árvores da 104 Norte para descansar. “Nesta época de seca, é ótimo tê-las por perto, ajudam a amenizar o calor, sem contar que deixam a cidade bem mais bonita”, comenta. 

A jornaleira Giovana da Conceição Santos, 39, tem uma banca na 107 Norte, onde trabalha há cerca de oito anos. Ao redor da banca, há inúmeras árvores e arbustos floridos. Para ela, mais que embelezar o lugar, a vegetação diminui a sensação de calor. “É muito bom, elas dão sombra. Se não tivesse elas por perto, ficaria mais calor ainda”, destaca. 

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