postado em 05/09/2019 04:07
O GDF recuou e desistiu de implementar o modelo militarizado, em que a Polícia Militar fica responsável pela disciplina, no Gisno, da Asa Norte. Em agosto, a escola rejeitou a proposta em votação da qual participaram professores, pais e alunos com mais de 13 anos. Mesmo assim, o governo pretendia levar adiante a proposta. Diante de reação negativa da comunidade escolar e de críticas e protestos, a ideia foi deixada de lado.
Além do Gisno, o Centro de Ensino Fundamental (CEF) 407, de Samambaia Norte, foi contra a mudança na consulta realizada com pais, profissionais e estudantes. No caso de Samambaia, porém, o GDF decidiu refazer a votação antes de tomar uma decisão definitiva.
;Nesse caso, porque ocorreram fatos novos relevantes: uma facada em frente à escola, na semana seguinte à votação, e a solicitação de pais e responsáveis para que a gestão compartilhada fosse implantada. A Secretaria (de Educação) considerou os fatos graves e decidiu refazer a votação;, explica a pasta, em nota oficial enviada pela assessoria de imprensa.
A militarização no Gisno não está completamente descartada. Segundo a secretaria, a proposta pode entrar em discussão novamente, caso elementos que gerem insegurança no ambiente escolar ou nos arredores aconteçam.
Polêmicas
Quando decidiu implantar a militarização nas escolas que rejeitaram o modelo, o governador Ibaneis Rocha (MDB) alegou que as votações tinham apenas caráter consultivo e que eram uma forma de envolver a sociedade no debate. ;Pelas nossas análises, a gestão compartilhada atende melhor a sociedade. Os indicadores mostram a necessidade do modelo. Além disso, a maioria dos pais e alunos dessas unidades votaram favoravelmente ao modelo. Quem votou contra foi justamente a parcela que não quer o bem das escolas;, disse, à época.
A questão gerou crise interna no governo e culminou com a saída do então secretário de Educação do DF, Rafael Parente. Ele discordou da posição adotada pelo governador por considerar que a imposição do modelo feria princípios democráticos. Parente foi substituído por João Pedro Ferraz, que comandava a pasta de Trabalho.
A diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) Rosilene Corrêa Lima destacou que, em relação ao Gisno, o ;respeito à decisão da comunidade é o mínimo que espera do governo;. ;No caso de Samambaia, nós entendemos que o processo foi feito com toda transparência e resultado deveria ser respeitado, nada justifica repetir o processo. Mas, ainda assim, estamos à disposição para retomar esse debate com a comunidade;, destaca.
O modelo
Os centros de ensino militarizados contam com o apoio de 20 a 25 policiais militares, que cuidam das decisões disciplinares e administrativas e ministram, no contraturno escolar, disciplinas ligadas à cultura cívico-militar, como ética e cidadania, musicalização e esportes. Enquanto isso, professores, orientadores e coordenadores permanecem responsáveis pelo conteúdo pedagógico das turmas.
Em alguns aspectos, o GDF espelha-se no formato adotado pelas escolas militares. Há, por exemplo, exigência de disciplina e do cumprimento de horários. Além disso, meninas devem usar coque e meninos, cabelo curto. Os estudantes também usam uniformes diferenciados.
Como funciona
Como funciona
; Cada unidade escolar recebe de 20 a 25 militares ; PMs ou bombeiros;
; A Secretaria de Educação continua responsável pela parte pedagógica, enquanto os militares ficam com a gestão de aspectos disciplinares, administrativos e das atividades de contraturno;
; As escolas seguem as diretrizes curriculares da Educação da rede. Contudo, PMs ministram disciplinas relativas à cultura cívico-militar, como ética e cidadania, banda de música, musicalização, esportes e ordem unida;
; Os alunos recebem uniformes diferenciados, produzidos pela Fábrica Social;
; Meninas devem usar coques e meninos, cabelo curto.