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Correio Braziliense

Saiba mais sobre o aplicativo que é conhecido como ''Uber dos ônibus''

Sistema funciona há 4 meses em Brasília e faz o intermédio entre passageiros e empresas de fretamento. Até agora, no ''Uber dos ônibus'' foram mais de 380 viagens saindo do DF


postado em 14/09/2019 07:00

"Temos GPS e equipe 24 horas para saber onde o ônibus está o tempo todo", aponta Marcelo Abritta, fundador da Buser (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Comprar passagens em rodoviárias ou pelos sites das empresas deixou de ser a única forma de se locomover de ônibus entre cidades brasileiras. Um aplicativo conhecido como “Uber dos ônibus” une empresas que fretam esses veículos e pessoas interessadas em trajetos intermunicipais. Em Brasília há cerca de quatro meses, o serviço já intermediou mais de 380 viagens para Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). 

O aplicativo é fruto de uma startup — empresa jovem normalmente de base tecnológica. De acordo com o fundador, as startups costumam surgir com a solução para algum problema. “Há poucas opções para viajar de ônibus, normalmente só uma empresa para determinado local. Com a falta de alternativa, os preços sobem”, destaca Marcelo Abritta. “A Buser propõe o fretamento colaborativo. Em vez de irem à rodoviária comprar a passagem individualmente, as pessoas se juntam em um grupo no aplicativo, que ajuda a fretar o veículo, diminuindo o preço.”

A novidade chegou ao Distrito Federal após intermédio de companhias de fretamento de São Paulo e Minas Gerais. “A presença em Brasília vai ficar maior quando estabelecermos conexões mais regionais aqui”, avisa Abritta. Ainda segundo o empresário, a startup tem 24 funcionários e gera mais de 200 empregos indiretos. A meta é que, nos próximos 12 meses, outros 80 empregos formais sejam criados. Com funcionamento 100% on-line, diariamente são atendidas 1,6 mil pessoas em média. Atualmente, mais de 1,5 milhão estão cadastradas.

De acordo com Abritta, a startup recebe investimento de fundos que já aplicaram em outras empresas de serviços, como iFood, Rappi, 99 e Loggi. 

Demanda familiar

A startup nasceu em 2017, um ano depois de Marcelo precisar levar sua família de Minas Gerais para seu casamento em Arraial d'Ajuda (BA). O engenheiro percebeu que fretar um ônibus valia mais a pena do que comprar as passagens individualmente. 

Ele e seu futuro sócio, Marcelo Vasconcelos, fizeram contas e concluíram que a economia com esse tipo de serviço poderia ser de até 60%. Após um período de amadurecimento da ideia, a dupla criou uma página no Facebook, que, com uma semana, alcançou 10 mil seguidores. 

No entanto, a primeira viagem intermediada pela empresa foi impedida devido a um pedido judicial do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros no Estado de Minas Gerais. A entidade alegou que se tratava de transporte clandestino. “Onde já se viu transporte clandestino que declara onde vai embarcar, que horas, com quais passageiros, emite nota fiscal, tira autorização de viagem e tem dois seguros?”, questiona Marcelo.

No momento, a empresa intermedeia viagens de 90 veículos de fretadores nos fins de semana e de 70 em dias úteis. “Nunca imaginei que seria tão rápido. O impacto não é reflexo nosso. Qualquer um que tivesse visto aquilo como a gente viu teria a chance de ter sucesso também”, acredita o sócio-fundador.

GPS

De acordo com Abritta, a segurança do ônibus da rodoviária é a mesma que a do ônibus fretado. “Temos GPS e equipe 24 horas para saber onde o ônibus está o tempo todo, e os veículos das concessionárias, na maior parte, ainda não têm”, compara. “O fretamento é o mesmo processo que qualquer outro, a diferença é que ninguém se conhece pessoalmente; as pessoas se encontram através da plataforma da Buser.”

Marcelo é engenheiro aeronáutico por formação e já teve outras duas empresas, que não deram certo. “Pouco tempo atrás, falir era ruim. Lá fora, eles pensam que, depois de quebrar duas vezes, o cara já sabe como fazer. Aí na terceira ele acerta.” Para ele, o Brasil está em ótimo momento para empreender, por ser “um país imenso com um mercado gigantesco e com serviços muito ruins, que precisam de empresas para os transformar”. 

* Estagiária sob supervisão de Marina Mercante

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