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Correio Braziliense

ARTIGO: O risco de Maia virar Geni


postado em 16/09/2019 23:55 / atualizado em 17/09/2019 00:01

(foto: AFP / EVARISTO SA)
(foto: AFP / EVARISTO SA)
De forma surpreendente, sob o comando de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e de Davi Alcolumbre (DEM-AP), o Congresso assumiu protagonismo que nunca havia tido no país. Até então, predominava a má fama de ceder a tenebrosas transações e vivia como capacho do Executivo. Neste ano — com Bolsonaro no inusitado e cotidiano papel de fabricar crises que prejudicam o próprio governo —, Maia e Alcolumbre puxaram para si a responsabilidade de aprovar as reformas de que o país precisa para superar a pior recessão da história, um legado funesto deixado pelo PT. Conquistaram prestígio e respeito. Dentro e fora do Parlamento. Mas tudo isso pode naufragar na lama caso Maia ceda à tentação de abrir uma CPI fundada na ilegalidade: o criminoso e suspeitíssimo ataque de hackers à Lava-Jato.

Que ninguém se engane: a sociedade acompanha atentamente cada lance dessa trama, que tem como objetivo destruir o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Os dois são os principais ícones da força-tarefa que desvendou o maior esquema de corrupção de que se tem notícia no mundo. Só da Petrobras, apontam investigações, roubaram R$ 40 bilhões. Mas o saque aos cofres públicos foi generalizado, estendeu-se a outras estatais e ministérios. Não é à toa que o país foi completamente devastado, com serviços públicos sucateados, milhares de empresas quebradas e milhões de desempregados, situação que persiste até hoje. Roubavam como se não houvesse amanhã. Não é tarefa simples sair de uma crise dessas.

Além de desbaratar a quadrilha, a Lava-Jato fez algo inédito: acabou com a impunidade de bandidos de colarinho-branco, até então intocáveis no Brasil. Por isso, é tão difícil entender a estranha euforia que tomou conta de alguns com os diálogos obtidos por cibercriminosos, a maioria fofocas, editados fora de contexto para dar a impressão de que Moro e Dallagnol foram mais duros do que deviam — é isso que se depreende do que foi publicado até agora — com os pobres bandidos que nos condenaram à crise ética e financeira que o país vive hoje. Falta, também, saber quem pagou pelo ataque dos hackers, que antes agiam como ladrões de galinha cibernéticos e, não mais que de repente, decidiram entrar para a seita dos ‘guerreiros do povo brasileiro”.

Apesar de o Febeapá de Bolsonaro e de filhos dominar as atenções diárias no país, ações do Ministério da Economia para destravar o ambiente de negócios e, sobretudo, a disposição de Maia e Alcolumbre de levar adiante as reformas já se traduzem em sinais positivos no horizonte. Há quem não enxergue. Mas economistas, investidores e empresários mais atentos já vislumbram a mudança e a creditam, principalmente, à atuação de Maia, que até aqui desempenha papel semelhante ao de um primeiro-ministro. Ceder ao PT e a seus satélites amestrados dará holofotes a uma oposição hoje inexistente, pode travar as reformas, antecipar as eleições municipais de 2020 e transformar Maia na Geni de futuras manifestações em frente ao Congresso.

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