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Correio Braziliense

Apaixonada por música, Marizelli Dias tinha plano de lançar um CD

A bombeira Marizelli é descrita por amigos e colegas como uma mulher alegre. Mãe de dois filhos, gostava de tocar violão e tinha planos de lançar um CD


postado em 17/09/2019 06:00 / atualizado em 17/09/2019 16:23

Bombeiros se despediram de Marizelli Dias no 2º Grupamento de Bombeiro Militar, em Taguatinga(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Bombeiros se despediram de Marizelli Dias no 2º Grupamento de Bombeiro Militar, em Taguatinga (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A alegria é a principal característica citada por aqueles que conheceram a bombeira Marizelli Armelinda Dias, 31 anos, morta no domingo durante o combate a um incêndio florestal em Taguatinga. A música e o esporte eram algumas das paixões da soldado, também lembrada pela dedicação e pelo esforço para alcançar os objetivos.    

Mãe de dois filhos, uma menina de 4 anos e um garoto de 5 anos, ela é descrita como guerreira por amigos e conhecidos. Há pouco tempo, divorciou-se e voltou a morar com a mãe, mas logo decidiu deixar a casa onde cresceu para alugar um apartamento próximo dali, em Samambaia Sul. "Ela era muito querida por todos. Não só por mim. Ela foi feliz. Sinto, mas, ao mesmo tempo, fico leve, porque ela foi feliz e realizou o sonho dela. O meu também. O sonho foi tão pequenino, ela aproveitou tão pouco, mas realizou", emociona-se Conceição Aparecida Dias, mãe de Marizelli.

A comoção após a morte foi tamanha que os bombeiros disponibilizaram dois ônibus para levar amigos e parentes ao velório, em Taguatinga. “Passamos o dia todo no hospital, tanto orando quanto agindo enquanto corporação. Na sexta, pela madrugada, perdemos um outro colega. Estávamos levantando de um baque e, no domingo de manhã, fomos atingidos por outro. Em todos esses acidentes, damos a atenção cabível para o militar e a família. O colega que está no local de socorro é tão vítima quanto qualquer outra pessoa”, diz o tenente-coronel Walmir Oliveira.

Antes de seguir para o velório no 2º Grupamento de Bombeiro Militar, os ônibus ficaram estacionados em frente à paróquia que a soldado frequentava, em Samambaia. Católica, Marizelli gostava de cantar e tocar violão na igreja. “Ela era muito brincalhona. Nunca a vi triste”, conta Gercina Cardoso do Vale, 47. Ela conheceu Marizelli há mais de 20 anos, quando a soldado mudou-se com a família para Samambaia. “Ela era uma menina. Cresceu com meus filhos. Eles adoravam jogar futebol e queimada. Ainda não dá para acreditar que isso aconteceu”, lamenta.

Recomeço

A promotora de vendas Ana Paula Caires Lima, 34, conheceu Marizelli na adolescência, em um grupo de jovens da igreja. “Nossa amizade se estendeu para o lado de fora. Qualquer lugar em que ela passava ficava mais alegre, seja com família, amigos ou até com desconhecidos”, destaca.

Segundo Ana Paula, a amiga estava em uma fase de recomeço. “A gente sempre jogou queimada. Depois de mais velhas, começamos a nos reaproximar dos amigos da adolescência e voltamos a jogar”, conta, emocionada.

Na manhã desta segunda-feira (16/9), Ana Paula decidiu ir ao local do acidente que vitimou Marizelli. “Queria ver de perto como tudo aconteceu. Todos estamos em choque, e alguns não conseguem acreditar.” Para ela, apesar da tragédia, a bombeira deixa uma mensagem de força. “Marizelli ensinou que nunca devemos desistir dos nossos sonhos. Ela realizou os dela, mesmo rapidamente. A morte dela mostra que não devemos perder muito tempo e que nunca é tarde para recomeçar.”    
Amigo de Marizelli desde o primeiro ano do ensino médio, Jadiel Teles, 34, conta que os dois chegaram a formar uma dupla, gravar canções e planejavam lançar um CD. Agora, o plano do músico é lançar um álbum como uma forma de lembrar a amiga. "Nosso sonho, como de todo artista, era ficar famosos, cantar. Depois de se estabelecer na corporação, ela queria voltar para a música. Mas, infelizmente, o tempo não deixou", lamenta. Jadiel não se esquece da determinação da amiga: "Ela fazia tudo a 100 km/h. Não tinha tempo ruim. Ela decidia e fazia. Viveu intensamente". 

Colaborou Alexandre de Paula

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