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Correio Braziliense

Seca afeta saúde de brasilienses; saiba como amenizar efeitos da estiagem

Baixa umidade afeta saúde dos brasilienses. Já são 107 dias sem chuvas e não há previsão de melhora nos próximos dias


postado em 18/09/2019 06:00

A paisagista Dalissandra Moreira está há quatro dias acompanhando o filho internado com desidratação(foto: Caroline Cintra/CB/D.A Press)
A paisagista Dalissandra Moreira está há quatro dias acompanhando o filho internado com desidratação (foto: Caroline Cintra/CB/D.A Press)
Temperaturas altas, baixa umidade, suor e muito calor. Assim tem sido o dia a dia no Distrito Federal, que nesta quarta-feira (18/9)  completa 107 dias sem chuva. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não há sinais de mudança no clima nos próximos sete dias. Para esta quarta-feira, a previsão é de céu claro, com poucas nuvens e névoa seca. A máxima pode chegar a 35ºC, entre 14h e 16h. A umidade relativa do ar varia de 50% a 15%. Ontem, a taxa mais baixa foi registrada no Gama: 13%.


O meteorologista Olívio Bahia avalia que a chuva só deve chegar, de forma tímida e frequente, em outubro. “Além da falta de chuva, tem uma massa quente e seca que mantém as temperaturas elevadas. Vamos esperar mais uns 10 dias para ver se o clima muda. Enquanto isso, a população deve manter os cuidados com a saúde recomendados pelos médicos”, ressalta. 

No período de seca, todos sofrem. No entanto, crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios são os grupos mais vulneráveis e precisam redobrar a atenção. A nutricionista Camila Pedrosa afirma que o brasileiro tem dificuldade em beber água diariamente, mas que esse costume precisa ser mudado. Ela explica que a quantidade do líquido ingerida por dia deve ser calculada conforme o peso da pessoa: de 30 a 35 ml por quilo. Isso, em situação de umidade normal. Na seca, a quantidade deve aumentar em torno de 20%. Se a pessoa deve beber 2 l de água por dia, no período de estiagem deve aumentar o consumo em 400 ml.

Para as crianças, a nutricionista orienta que os pais coloquem garrafas na lancheira, com água fresca. Além disso, os pequenos devem estar em locais com fácil acesso a um bebedouro. “Os responsáveis podem usar um alarme de bichinho, por exemplo, para que o filho lembre que aquela é a hora de beber água. E que isso se torne um hábito. A mesma coisa deve ser feita pelos adultos. Tem aplicativo para isso. Hoje, existem recursos que ajudam”, destaca.

Camila diz ainda que, nesse período, as pessoas optam por alimentos mais rápidos e práticos e que, muitas vezes, para se refrescar buscam sorvetes e picolés, quando o ideal é comer frutas e beber bastante água. “Vale lembrar que hidratação é água. Tem gente que opta por sucos e chás, mas eles ajudam a refrescar. A água, além de refrescante, tem o papel de eliminar impurezas no organismo. O certo é aumentar o consumo de frutas e vegetais. Alguns deles têm água e ajudam a repor o líquido no organismo ao longo do dia, de forma sutil”, afirma.

A auxiliar de enfermagem Betânia Ribeiro precisou levar o filho Leonardo Júnior três vezes ao médico(foto: Caroline Cintra/CB/D.A Press)
A auxiliar de enfermagem Betânia Ribeiro precisou levar o filho Leonardo Júnior três vezes ao médico (foto: Caroline Cintra/CB/D.A Press)


Moradora de Santa Maria, Marta Pereira foi ao Hmib buscar atendimento para o filho de 1 ano e 4 meses(foto: Caroline Cintra/CB/D.A Press)
Moradora de Santa Maria, Marta Pereira foi ao Hmib buscar atendimento para o filho de 1 ano e 4 meses (foto: Caroline Cintra/CB/D.A Press)

Hospitais cheios

A paisagista Dalissandra Moreira, 48 anos, está há quatro dias acompanhando o filho, Hayati Costa, 5, internado com desidratação no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib). Desde a última quinta-feira, a criança tem febre, vômito e diarreia. Todos os sintomas decorrentes do período seco que o DF enfrenta. Devido a dificuldade de se alimentar, ele está à base de soro venal. “Essa é a primeira vez que ele fica assim. Me assustei quando o vi desse jeito. Não para nada no estômago dele. Esse período afeta demais as crianças. Só no quarto que meu filho está, são mais cinco com desidratação. Todos os dias ele diz que quer voltar para casa. Não está fácil”, conta. 

Moradora de Santa Maria, a técnica em enfermagem Marta Pereira, 38, preferiu ir ao Hmib para levar o filho, Henry Kael da Silva, 1. Mesmo tendo um hospital público na região onde reside, ela optou por pagar R$ 40 para ir até a Asa Sul de Uber. “Lá (em Santa Maria) é difícil ter pediatra, já vim aqui (no Hmib) que é mais certo dele ser atendido”, afirma. Há dois dias, o menino está com fraqueza, febre e nariz ressecado. Assustada com os sinais de doença, resolveu levá-lo à unidade de saúde.

“Ele piorou bastante. Não sente fome, está muito cansado e com a respiração fraca. Estou usando soro para o nariz e dei uma reforçada na alimentação para ver se ele fica com um pouco mais de energia. Estou abusando de frutas, como maçã e melancia. Ele está sofrendo muito e eu, como mãe, sofro junto. Quero que ele melhore logo”, diz a técnica em enfermagem. 

Durante a seca do ano passado, Leonardo Júnior, 7, teve pneumonia. Desta vez, o período trouxe dores fortes na barriga e inflamação na garganta. Ele e a mãe, a auxiliar de farmácia Betânia Ribeiro, 31, foram ao hospital duas vezes na última semana para tratar os sintomas. “Ele está sentindo uma sede fora do normal. Acorda com os lábios ressecados, muito incomodado. A médica disse que a dor de barriga pode virar diarreia, já que ele está com a barriga muito inchada. Agora, é esperar melhorar”, pontua a mãe. 
 

  

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