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Correio Braziliense

Exposição de flores celebra a chegada da primavera; entrada é gratuita

Espaço Cultural Renato Russo recebe, até este domingo (22/9), exposição Cores da Primavera, com arranjos florais japoneses, as ikebanas


postado em 21/09/2019 07:00

(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Flores, folhas, caules, galhos e até plantas secas e sucatas compõem os arranjos orientais da 32ª exposição anual do Clube Ikebana Sogetsu de Brasília, realizada em parceria com a Embaixada do Japão no Brasil. O tema deste ano é Cores da Primavera e celebrará a chegada da estação. As obras estarão expostas até domingo (22/9) no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul. A entrada é gratuita, e haverá oficinas abertas ao público.


Cinquenta e seis arranjos feitos por 42 integrantes do clube — chamados de ikebanistas — integram a exposição. “Cada ano temos um enfoque diferente. A chuva ainda não chegou, e nós pensamos em trabalhar com as cores para animar esse período”, explica Zilá da Costa Raymundo, 69 anos, diretora-presidente do clube local de ikebana. Para quem quer conferir as cores vivas do arco-íris nos arranjos, é bom se apressar. A exposição é de curta duração devido à durabilidade das flores. “É uma arte efêmera e singular”, resume Zilá.

A presidente do grupo também acredita que o trabalho com flores é uma forma de reconectar o ser humano com a natureza. “Hoje todo mundo é muito ligado à tecnologia. No momento em que você colhe uma flor, você acaba absorvendo as cores, a textura, a beleza. Você se sente bem, relaxa”, acrescenta.
 
Zilá da Costa, diretora do Clube Ikebana de Brasília:
Zilá da Costa, diretora do Clube Ikebana de Brasília: "A flor silenciosamente ensina a gente que tudo passa, as coisas boas e as ruins" (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
 

Com o objetivo de aproximar a população da arte da ikebana, duas oficinas práticas serão oferecidas aos visitantes, uma sobre os princípios básicos do ofício e outra sobre ikebana e criatividade.

Os participantes poderão criar arranjos com flores naturais, seguindo a técnica japonesa. Cada aluno receberá material para um arranjo, que poderá ser levado para casa. Os interessados devem se inscrever no site www.espacoculturalrenatorusso.com.br e levar uma tesoura para cortar o caule.

O evento inclui ainda a Cerimônia do Chá, promovida pela embaixada japonesa. A atividade ocorre neste sábado, às 16h, e é aberta para participação, observação e degustação. As inscrições serão feitas no local.

Conceitos do budismo

A ikebana tem origem em conceitos filosóficos do budismo. “O resultado final é um arranjo muito bonito, mas isso não é tudo. Você aprende sobre botânica, sobre design e principalmente sobre os seus limites”, ressalta Zilá, estudiosa do tema há 34 anos. Formada em pedagogia, ela conheceu a prática por acaso porque queria enfeitar sua casa.

Zilá explica que a técnica envolve a vivência do Ka-do (Ka = flor; Dô = caminho), o “caminho das flores”, que foca no exercício da paciência, perseverança e disciplina. “A flor, silenciosamente, ensina a gente que tudo passa, as coisas boas e as ruins. Faz parte da vida.”

O Clube Ikebana Sogetsu de Brasília foi criado em 1994 a partir das orientações de Zilá e hoje tem 60 membros, entre professores e alunos. O grupo brasiliense segue a linha Sogetsu, o estilo mais moderno da arte floral, que permite fugir da estética tradicional japonesa. “Além do que é natural, nós podemos usar qualquer coisa.”

Célia Machado, 64, é uma das adeptas do uso de materiais diferentes associados aos elementos vivos. “Eu gosto muito de usar material alternativo, como ferro e coisas mais velhas. Eu faço toda uma pesquisa”, conta. Autora de dois arranjos individuais e dois em grupo na exposição, ela acredita que o segredo é inovar sempre. A servidora pública aposentada destaca ainda que cada arranjo tem sua peculiaridade: nenhum é igual ao outro ou pode ser replicado. “Quando a gente faz um arranjo, a gente pesquisa o que quer representar com ele.”

Essa é uma das característica da prática que mais chama a atenção da arquiteta Ângela Meira, 64, aluna iniciante. “Parece que cada arranjo passa uma mensagem, cada um fala uma coisa e tem muito da personalidade de quem faz”, diz. Para Edna Nakamai, 69, além de uma arte, a ikebana é uma prática social e um “exercício para os neurônios”.

A escola Ikebana Sogetsu foi criada em 1927, no Japão. O grupo de Brasília é uma sucursal ligada à sede em Tókio e tem 22 professores certificados. Em âmbito nacional, são nove escolas e doze associações integradas à Associação de Ikebana do Brasil.

Arte japonesa

Ikebana é a arte de montar arranjos florais, com base em regras e simbolismos preestabelecidos. O termo significa “flores vivas” em japonês.

Exposição Cores da Primavera

Sábado (21), das 10h às 20h, e domingo (22), das 10h às 19h.
Cerimônia do Chá: sábado (21), a partir de 16h
Oficina Ikebana Sogetsu – Técnica e Criatividade: sábado (21), às 14h30
Oficina Princípios Básicos da Ikebana Sogetsu: domingo (22), às 11h.
Inscrições para as oficinas no site
Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul
Entrada gratuita 

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