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Correio Braziliense

Economia reage e favorece investimentos no Distrito Federal

Levantamento da Codeplan revela que os três principais setores econômicos do Distrito Federal tiveram resultados positivos nos primeiros seis meses deste ano em relação ao mesmo período de 2018. Apesar disso, desemprego segue como desafio para o GDF


postado em 22/09/2019 08:00

O comércio se destacou no setor de serviços, crescendo 0,8% no primeiro semestre do ano (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press - 15/12/18)
O comércio se destacou no setor de serviços, crescendo 0,8% no primeiro semestre do ano (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press - 15/12/18)
A economia do Distrito Federal destacou-se em comparação à nacional no primeiro semestre. A unidade federativa cresceu 1,6% em relação aos primeiros seis meses de 2018. No mesmo período, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou alta de 0,7% na economia do país. Os comparativos, divulgados pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), fazem parte do boletim do Índice de Desempenho Econômico do DF (Idecon/DF), publicado trimestralmente. O relatório completo, obtido pelo Correio, estará disponível no site da companhia ainda nesta semana.

O indicador é calculado desde 2012 e avalia a atividade econômica no DF a curto prazo. Apesar do crescimento de 3,1% na agropecuária; de 1,6% no setor de serviços; e de 0,1% na indústria, o número de pessoas sem trabalho manteve-se em alta: de janeiro a junho, o desemprego alcançou 336 mil pessoas, 6,3% a mais do que nos seis primeiros meses de 2018 (leia Radiografia). No mesmo caminho, o número de contratados, na comparação entre os dois períodos, subiu apenas 0,5% — de 12.886 para 12.963 pessoas empregadas.

A maior queda no número de ocupados apareceu no setor público, com 3,4% funcionários a menos em relação ao primeiro semestre de 2018. Ao mesmo tempo, subiu a quantidade de trabalhadores autônomos (8,4%), em empresas privadas com carteira assinada (10,5%) e domésticos (12,9%). A construção se destacou na criação de empregos.

Mesmo com as variações no mercado de trabalho, os dados do Idecon/DF mostraram que as famílias têm voltado a consumir e que a inflação está sob controle, segundo explica a gerente de Contas e Estudos Setoriais da Codeplan, Clarissa Jahns Schlabitz: “Em relação às ocupações, é importante ressaltar o bom desempenho da indústria, em particular na atividade da construção civil. Esse setor tende a se beneficiar das melhores condições de crédito e do aumento da confiança. Vale destacar também a trajetória de recuperação da massa salarial, o que deve contribuir para melhorar a atividade econômica, sobretudo no comércio”, explica.

Franquias

O setor de serviços, responsável por 94,9% da economia do DF, teve peso importante nos resultados. Nesse ramo, o comércio se destacou por reverter uma fase de queda e crescer 0,8% no período considerado. Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio/DF), Francisco Maia afirma que o setor está otimista, especialmente pelas vendas de fim de ano.

Ele acredita que, apesar do fechamento massivo de lojas no início de 2019, o comércio brasiliense tende a se recuperar a partir de outubro. “A CNC (Confederação Nacional do Comércio) apontou, recentemente, que houve diminuição do endividamento das famílias em agosto. Isso significa que haverá reação no setor. A liberação dos saques do FGTS, ainda que os valores sejam pequenos, também contribui para que tenhamos a perspectiva de um Natal maravilhoso”, comenta.

Ainda no setor de serviços, houve aumento significativo no número de vagas de trabalho criadas no ramo de alojamento e alimentação. Para o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Antônio da Silva, o cenário deve-se ao interesse na abertura de franquias por parte de empresários. “Quem está aqui dentro percebe que não é algo muito espetacular, mas há um mercado promissor para quem vê de fora”, analisa. “A nossa maior preocupação, no entanto, é a concorrência irregular, com o crescimento exacerbado de vendedores ambulantes. Isso coloca em xeque a competição justa, e o governo precisa controlar isso”, cobra Jael.

Reação

A indústria, cujo peso na economia do DF é de 4,7%, foi impulsionada pela construção civil, responsável por 58,8% das atividades econômicas industriais. Apesar do encolhimento de 0,7% nos primeiros seis meses do ano, a construção começou a reagir, segundo a Codeplan. “O crescimento geral, ainda tímido e aquém do que queremos, deveu-se, principalmente, ao setor imobiliário. Houve mais lançamentos de empreendimentos do que no ano passado. Acredito que isso se acentuará. Quanto à parte de infraestrutura, os contratos têm sido mantidos, e as obras continuam”, destaca Dionyzio Klavdianos, presidente do Sinduscon/DF.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Jorge Bittar, o crescimento da indústria se deu de forma pulverizada. Ele considera que houve uniformidade em diferentes setores e que o desempenho do DF superou expectativas. “Tem sido bom estar com índices acima do nível nacional, porque você demonstra que há políticas boas por aqui e retoma a confiança do empresariado. O setor produtivo não gosta de marasmo, e o empresário quer investir, só precisa do ambiente (adequado)”, pontua Jamal.

Na agropecuária, a expectativa de produção era maior, mesmo com a safra diminuta. No segundo trimestre, a produção apresentou melhores resultados, especialmente para culturas como milho e feijão. Mesmo assim, houve perdas expressivas na oferta, segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (Fape/DF), Fernando Cezar Ribeiro. “De modo geral, vemos que a agricultura tem sido a mola propulsora do desenvolvimento em todos os estados, e o mesmo ocorre no DF. Em matéria de grãos e em relação a alguns produtos vendidos no inverno, não teremos muito faturamento por causa da seca. Mas o resultado só virá no próximo ano. A oferta de carnes, especificamente de aves e suínos, tende a crescer por causa do Natal”, antecipa Fernando Cezar.

Radiografia

Confira os índices do emprego no DF nos seis primeiros meses de 2018 e de 2019:

Categorias 2018 2019 Variação
Ocupados 1,33 milhão 1,39 milhão 4,5%
Desempregados 316 mil 336 mil 6,3%
Inativos 862 mil 841 mil -2,4%

Fonte: Pesquisa do Emprego e Desemprego (PED) — Distrito Federal / Junho, 2019

Trabalho

Veja os segmentos que se destacaram na criação (+) e no fechamento (-) de postos de trabalho:

Setor 2019*
Alojamento e alimentação  1.290
Construção  3.232
Comércio, reparação de 
veículos automotores e motocicletas -138
Informação e comunicação -1.661
Saúde humana e serviços sociais  4.607
* Primeiro semestre
Fonte: Índice de Desempenho Econômico do
Distrito Federal, Codeplan / Setembro, 2019

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