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Correio Braziliense

Crime da 113: polícia de MG não foi avisada antes da prisão de Leonardo

Leonardo Campos Alves foi preso em Montalvânia (MG) por agentes da 8ª Delegacia de Polícia do DF, que não investigava o caso e nem avisou à polícia local com antecedência sobre a detenção do suspeito


postado em 24/09/2019 12:14

No primeiro depoimento do dia, o policial civil do DF Felipe Ximenes foi ouvido (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
No primeiro depoimento do dia, o policial civil do DF Felipe Ximenes foi ouvido (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Policiais civis foram escolhidos como testemunhas de acusação de Adriana Villela na manhã desta terça-feira (24/9). O primeiro, Felipe Ximenes, da PCDF, prestou depoimento durante 25 minutos e informou que não fez parte das investigações do crime da 113 Sul, apenas achou curiosa a reação de um preso que já havia sido encarcerado com Leonardo, julgado e condenado pelo triplo homicídio (Leia Saiba mais). O segundo ouvido foi Renato Nunes Henriques, delegado de polícia de Montalvânia, em Minas Gerais, que, até a última atualização desta matéria, ainda prestava depoimento.

O relato do delegado mineiro é mais detalhado, pois ele participou de ações essenciais da investigação do crime. Renato relatou que, em 2010, agentes da 8ª Delegacia de Polícia (SIA) foram até a cidade de Montalvânia, em Minas Gerais, para prender Leonardo Campos Alves, atualmente condenado pelo triplo homicídio do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Guilherme Villela, de Maria Carvalho Villela, e da empregada do casal, Francisca Nascimento Silva. Porém, a prisão não foi comunicada previamente e a delegacia do DF não fazia parte das investigações, segundo a acusação. 

"Não é um rito comum. A PCDF foi lá em Montalvânia, prendeu Leonardo sem avisar a nossa delegacia nem o juiz. Eu comuniquei a Corvida que praticamente sequestraram o Leonardo, que havia até informação de tortura dele. Não gostei dos métodos nada ortodoxos deles. Diferente do trabalho da delegada Mabel, que trabalhou do jeito certo", disse ao juiz. Esse depoimento foi de encontro às falas da primeira testemunha ouvida ontem. 

A Polícia Civil também realizou naquele ano o recambiamento de Paulo Cardoso Santana, também condenado pelo crime. Paulinho já estava preso por latrocínio em Montalvânia, por assassinar um homossexual que estava em Minas Gerais trabalhando como cozinheiro de uma empresa de obras. "Paulinho se envolveu com ele, os dois tiveram uma relação e ele deu um brinco de ouro ao cozinheiro. Esse objeto seria do casal Villela, como consta nos autos. Achei interessante que, depois de prender Paulo, veio informação de que ele matou após o Leonardo falar que ele era louco, porque a joia valia uma moto. Então, Paulinho pediu de volta o brinco, o namorado não quis devolver e ele o matou", disse Renato. O delegado mineiro também opinou com base nas suas investigações: "Latrocínio é um roubo que deu errado, mas eles foram para matar".

A defesa de Villela acredita que os pais de Adriana foram mortos porque o trio preso queria roubar os objetos do casal. Já a acusação infere que a arquiteta teria sido a mandante do crime, motivada pelo dinheiro das vítimas. Advogado de defesa da acusada, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, disse que a acusação peca pelos excessos. "Querem colocar a Adriana não só como mandante, mas também como alguém que estava na cena do crime, mas o relato dos assassinos é detalhado e não mostra isso". Já pessoas ligadas aos acusados, como o lavrador Neilor Teixeira da Mota, tio de Paulinho, colocam Villela como a mandante do crime. Neilor chegou a dizer na época que conhecia detalhes do triplo homicídio. 

Saiba mais 
 
No primeiro depoimento do dia, o policial civil do DF Felipe Ximenes disse que uma vez, em 2012, ouviu uma conversa de agentes da 17ª DP sobre o crime da 113 e percebeu que um dos presos ficava atento ao conteúdo das falas. "Quando disseram que o crime envolvia muito dinheiro, esse detendo balançou positivamente com a cabeça e disse que tinha 'puxado cela' com um acusado. Então, eu passei essa informação para a Corvida, mas não sei mais detalhes", contou. A defesa não fez perguntas e elogiou a escolha da testemunha, por se tratar de "um sério representante da polícia do DF".

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