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Correio Braziliense

Cosme e Damião: distribuição de doces une crianças e devotos

Distribuição de doces e guloseimas nesta época do ano é tradição religiosa que une a população em torno da fé e da alegria


postado em 25/09/2019 06:00

Claudiomiro e Roseli mantêm viva a tradição da data(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Claudiomiro e Roseli mantêm viva a tradição da data (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Sacolinha cheia de balas, pirulitos, suspiros, bananada e as mais diversas guloseimas para a criançada. Essa é uma imagem comum nesta época do ano, em que se comemora o Dia de Cosme e Damião. Para os católicos, a celebração é no dia 26, e para o candomblé e a umbanda, no dia 27. A tradicional festividade tem como base distribuir doces e brinquedos às crianças nas ruas, unindo pessoas e grupos religiosos preocupados em manter vivo o antigo costume.


Cosme e Damião nasceram na Ásia Menor, no Século 3, segundo a tradição. Os irmãos gêmeos exerciam a profissão de medicina e ficaram conhecidos como os santos padroeiros dos médicos e dos farmacêuticos por curarem pessoas e animais sem cobrar dinheiro. Além disso, eles distribuíam doces para amenizar a tristeza das crianças doentes.

“Os dois irmãos viraram referência para a sociedade e deixaram um legado de bondade e amor ao próximo. Na antiguidade, eles desenvolveram um papel importante, por serem médicos e curarem os enfermos, sendo assim, foram verdadeiros testemunhos de fé. Esses atos de amor estão vinculados à nossa perspectiva religiosa. Então, é o momento de celebrar e homenageá-los”, explicou Eduardo Peters, padre e reitor do Seminário Maior Arquidiocesano de Brasília Nossa Senhora de Fátima.

O umbandista Claudiomiro de Oxossi, 48 anos, e a mulher, Roseli Souza, 48, trabalham em um centro espírita no Setor Militar Urbano (SMU) há oito anos e mantêm viva a tradição da data. Todos os anos eles montam sacolas com doces para entregar às crianças da Vila Militar. “A criança é uma energia mais pura. Os seres que vão definir o futuro da Terra. As lembrancinhas que sobram levamos para uma creche na Estrutural”, diz Claudiomiro.

Católica praticante, Roseli Souza diz que na infância não teve contato com a festividade. “Meus pais não deixavam a gente pegar as guloseimas, porque diziam que era uma tradição da umbanda. Só comecei a comemorar quando me casei. O que importa não é a religião em si, mas a alegria das crianças”, avalia. Por coincidência, o casal comemora 27 anos de casamento em 26 de setembro.

O gerente de loja Matheus Rodrigues, 16, não é devoto dos santos, mas relembra, com carinho, de quando pegava doces na cidade onde reside, no Paranoá. Isso porque seu Antônio Carlos Pinho, 67, dono de um mercado, jogava da janela do comércio balas para as crianças. “Eu sempre pegava as balinhas desde quando tinha uns 7 anos. Agora, como já estou grande, não vou mais. Mas esse ano vou levar minha irmã”, conta Matheus.

Agrado

Mesmo não sendo católico praticante, Antônio Carlos considera a atitude como uma forma de caridade. “Os pequenos sempre me lembram, não tem como eu me esquecer. Preparo a entrega dos doces desde 1985. No mês de setembro, compro um pouquinho a mais de bala para poder distribuir. A intenção é agradar a criançada”, diz.

Há 70 anos, Edna Teixeira, 81, prepara uma festa voltada para a comunidade a fim de  comemorar a Dia de Cosme e Damião, seja debaixo de chuva ou sol, com ou sem dinheiro. Sem vínculo com qualquer religião, o motivo da festividade foi uma promessa feita quando ela era pequena por uma amiga da família.

“Quando minha amiga soube que eu estava internada, com tétano, pediu para Cosme e Damião que me salvasse. A promessa era de que, se eu melhorasse, minha família promoveria uma festa de comemoração todos os anos”, explica.

Expectativa de venda

Na semana de comemoração do Cosme e Damião, a expectativa é de que as vendas de doces aumentem em 4%. No ano passado, o acréscimo foi de 3%, segundo o Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista). “Os juros caíram e o crédito está mais barato. As lojas também estão facilitando as formas de pagamento, algumas delas dividem as compras em até seis vezes sem juros”, detalha Edson de Castro, presidente do sindicato. Ainda de acordo com o Sindivarejista, no ano passado, o gasto médio de compras foi de R$ 60. Este ano, a previsão é de R$ 75.

 

* Estagiárias sob supervisão de José Carlos Vieira 

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