Cidades

Por que a mulher não está na política?

postado em 10/10/2019 04:24
ONG criada por mulheres incentiva e apoia campanhas femininas


Das 24 cadeiras do plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), apenas quatro são ocupadas por mulheres (veja Elas Legislam), uma a menos do que no mandato anterior. Isso significa que elas são 16,6% das vozes que legislam na Casa. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que taxas de desigualdade tendem a diminuir em países com maior participação feminina em cargos do governo.

O estudo intitulado ;Mulheres, Governo e criação de políticas em países da OCDE: cultivando a diversidade para crescimento inclusivo; destaca que mulheres, enquanto políticos, dão atenção com maior frequência à violência de gênero. No Senado Federal, apenas 12 deputadas compõem a bancada de 81 parlamentares. No ano passado, o DF elegeu pela primeira vez uma mulher para o cargo, Leila do Vôlei (PSB). Na Câmara Federal, há 77 deputadas, ou seja, 15% do total. A bancada de Brasília destoa do padrão: dos oito legisladores, cinco são mulheres.

Por lei, os partidos políticos devem reservar 30% das candidaturas a mulheres, mas, ainda assim, a representatividade nas unidades da Federação segue baixa. Segundo a cientista política Letícia Medeiros, nos estados, em geral, a média é de 15% das cadeiras ocupadas por candidatas. Em alguns casos, no entanto, como em Mato Grosso do Sul, não há deputadas estaduais na Assembleia Legislativa.

Buscando encorajar e auxiliar campanhas femininas, Letícia e outras mulheres com experiência na área criaram a organização não governamental #ElasNoPoder. A iniciativa nasceu após o grupo observar um contexto de polarização, com narrativas ameaçando direitos das mulheres.

Espaços de poder

A presença em cargos de poder também reflete diretamente na segurança delas e na criação de leis de proteção. ;Como a questão da violência contra a mulher é algo vivido e que faz parte da realidade social, quando ela não está nos espaços de poder onde são pensadas e formuladas essas políticas públicas, ela não consegue dar voz e não consegue influenciar esse processo de uma maneira que se torne mais qualificado e realmente efetivo;, analisa Letícia Medeiros. (MM)


Elas legislam

Mulheres que ocupam quatro das 24 cadeiras do plenário da Câmara Legislativa

; Arlete Sampaio (PT)
; Jaqueline Silva (PTB)
; Júlia Lucy (Novo)
; Telma Rufino (Pros)

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