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Correio Braziliense

Fiéis contam histórias de devoção a Nossa Senhora Aparecida

População comemora a data da padroeira Nossa Senhora Aparecida na Esplanada


postado em 11/10/2019 06:00 / atualizado em 11/10/2019 08:55

Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Foi com uma simples imagem quebrada que a fé do povo brasileiro se transformou. Há mais de três séculos, Nossa Senhora Aparecida se tornou a padroeira do país e de Brasília. A celebração reúne católicos espalhados pelo mundo e pelo Brasil. Em Brasília, a estimativa da Arquidiocese é de que 60 mil fiéis compareçam à celebração realizada na Esplanada dos Ministérios.

O padre Edilson Santos da Costa, do Seminário Maior Nossa Senhora de Fátima, explica que na Igreja Católica a devoção aos santos implica seguir virtudes, valores e estilo de vida das pessoas santificadas. No caso de Nossa Senhora, a devoção é construída pela ideia da maternidade, que é representada por ela. “Todos nós precisamos da representação familiar de uma mãe, e em Maria nós temos essa mãe na graça, mãe na fé, mãe na esperança e mãe na caridade”.

De acordo com o sacerdote, os fiéis veem a santa como mãe da igreja, e exemplo de amor e dedicação ao próximo e a Deus. “Ela será vista como aquela que ama a Deus de todo o coração, sendo modelo para que nós, cristãos, possamos amar a Deus, e ao nosso próximo, nessa medida”, afirma.

O pároco diz, também, que na história de Nossa Senhora Aparecida é possível observar a posição de favorecimento e apoio ao sofrimento do homem. “Sabemos que ela intercede, não só para a pessoa, individualmente, como também por toda a nação. Ela é exemplo não somente na igreja, mas para toda a sociedade. Acaba sendo a mãe da esperança do povo”, completa.

Devoção

Criada em uma família muito católica, a nutricionista e psicóloga Priscilla Aparecida de Morais Prado, 30 anos, conta que sua história com Nossa Senhora Aparecida começou no nascimento. “Nasci prematura, com pouco mais que 6 meses, sem chances médicas de sobrevivência. Minha mãe, com sua fé inabalável, pediu intercessão à nossa mãezinha, Nossa Senhora Aparecida, para que intercedesse por minha vida, assim teria seu nome”, destaca.
 
Priscila Aparecida:
Priscila Aparecida: "Ela é o canal da graça" (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

Apesar de passar um mês no hospital, entre a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o quarto, Priscilla explica que sobreviveu milagrosamente, e a promessa de sua mãe foi cumprida. A devota afirma que, durante toda a vida, Nossa Senhora Aparecida tornou-se a intercessora e protetora, como há 10 anos, quando teve um câncer de tireoide. “Sempre que pedi sua proteção, lá estava ela. Nossa Senhora representa devoção, confiança e amor na minha vida. Olhar naqueles olhos de ternura me traz paz, conforto e força. Ela é o canal da graça”, diz.

A contadora Suelene Aparecida de Freitas Cardoso, 29, conta que Nossa Senhora Aparecida se fez presente durante toda a trajetória de vida. O primeiro contato foi ainda no ventre, quando foi consagrada à santa. Após isso, sua vida começou a ser repleta de acontecimentos que poderiam se tornar grandes tragédias, se não fosse pela devoção. Entre elas, uma queda que afetou a fala e um acidente de carro que resultou na fissura de três vértebras, e por pouco não a deixou paraplégica. Ela brinca: “Eu sou gata de várias vidas, já perdi as contas”.

Para agradecer as graças alcançadas, Suelene decidiu fazer, em 2017, o trajeto conhecido como “passarela da fé”, que liga a Basílica Velha ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, de joelhos. “Algo tocou no meu coração que eu deveria passar por lá de joelhos. Não foi uma promessa, foi só um agradecimento por tudo que aconteceu na minha vida”, acrescenta. O local, que possui 392 metros de extensão, é um dos principais pontos de peregrinação durante o feriado da padroeira.

Protetora das grávidas

Conhecida também como protetora das grávidas e dos recém-nascidos, muitos fiéis pedem a intercessão de Aparecida para seus filhos ou nas gestações. A padroeira também esteve presente na história da enfermeira Graziela Aparecida Lopes Cardoso, 34. Ela conta que a genética de seu marido, o farmacêutico Júlio César Cardoso, 39, não permitia que pudessem ter filhos: “Na família do meu esposo, há casos de homens estéreis, então estávamos cientes que não íamos ser pais”.
 
Graziela Aparecida e Júlio César:
Graziela Aparecida e Júlio César: "Temos que agradecer a ela por estar ao nosso lado" (foto: Arquivo Pessoal)
 

Com 10 anos de casados, e três anos de inúmeras tentativas para engravidar, Graziela e Júlio decidiram ir até o Santuário Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, para fazer o pedido à santa. “Pedi que se fosse da vontade dela, que me concedesse a graça de ser mãe. Após isso, uma amiga que também é devota me disse que logo seria, e que Nossa Senhora estava providenciando”, se emociona. No fim de julho, Graziela descobriu que estava grávida. “Temos que agradecer à santa por estar ao nosso lado, e por sempre interceder por todos nós”, acredita.


Padroeira do Brasil


Foi em 1717 que três pescadores da região do Vale do Paraíba, em São Paulo, passaram a noite inteira em busca de peixes, mas não obtiveram sucesso. Durante as tentativas, eles tiraram das águas escuras uma imagem de Nossa Senhora, que veio nas redes em dois pedaços: primeiro o corpo e, em seguida, rio abaixo, a cabeça. Os pescadores, que antes não tinham conseguido pescar nada, encheram as redes com uma quantidade abundante de peixes.
No local foi criado um pequeno altar como forma de agradecimento a Nossa Senhora pelo seu primeiro milagre. Nascia ali uma devoção à santa, nomeada Nossa Senhora Aparecida. Foi durante o Congresso Mariano que o líder do episcopado brasileiro, dom Sebastião Leme, cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, apresentou aos bispos a proposta para pedir à Santa Sé (Vaticano) que declarasse Nossa Senhora Aparecida a Padroeira do Brasil. A nomeação aconteceu em julho de 1930, pelo papa Pio 11.

A celebração


A Arquidiocese de Brasília celebra, neste sábado (12/10), a festa de Nossa Senhora Aparecida. Pela manhã, o evento contará com a Missa das crianças e, até as 12h, oferece programação especial para os pequenos. Às 17h será celebrada a Santa Missa dedicada à padroeira do Brasil. Logo após a Santa Missa, o fiel poderá participar da tradicional e solene procissão com a imagem da Padroeira e bênçãos para os doentes, governantes e família (traga sua vela). O evento contará com barracas de alimentação durante todo o dia.


Programação


» Manhã

» 8h30 — Santa Missa das crianças
» Ao final da missa: coroação de Nossa Senhora feita pelas crianças. 
» Logo após a missa: festival de sorvete, pescaria de brinquedos infláveis e sorteios

» Tarde

» 13h30 — Oração do Ofício de Nossa Senhora. 
» 14h — Oração do santo terço meditado 
» 15h — Homenagem dos Jovens à Nossa Senhora.
» 16h — Momento Missionário
» 16h30 — Preparação para a Santa Missa
» 17h — Missa solene
» Logo após a Missa: solene procissão com a imagem da padroeira e bênçãos para os doentes, governantes e família

 

*Estagiárias sob supervisão de José Carlos Vieira

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