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Correio Braziliense

Comércio projeta aumento de 0,6% nas vendas para o Dia das Crianças

Com a chegada do Dia das Crianças, lojas se preparam para aumento nas vendas. De acordo com a Fecomércio, os itens mais procurados são brinquedos, chocolates, roupas e calçados. Pais tentam equilibrar o desejo dos filhos com o que podem gastar


postado em 11/10/2019 06:00

Erika e Elvis levaram o filho Andrew, de 5 anos, para passar o dia no shopping e escolher o que ganhar(foto: Lis Cappi/Esp. CB/D.A Press)
Erika e Elvis levaram o filho Andrew, de 5 anos, para passar o dia no shopping e escolher o que ganhar (foto: Lis Cappi/Esp. CB/D.A Press)
Assim que acaba setembro, o comércio volta a atenção para um público pequeno em tamanho, mas de exigência alta. Em 12 de outubro, celebra-se o Dia das Crianças e, para as famílias, os presentes contam muito na festa. A expectativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) é de crescimento de 0,6% nas vendas para a data, em relação ao mesmo período do ano passado.

O presidente da instituição, Francisco Maia, explica que, para setores específicos, o número é bem maior. “Nessa época, há um aumento de quase 50% nos segmentos de chocolates, sapatos, roupas e brinquedos. Mas, como há muita divulgação, isso leva as pessoas aos shoppings, e outras áreas acabam vendendo também”, ressalta.

O levantamento da Fecomércio entrevistou 514 consumidores e constatou que 52,92% deles têm intenção de presentear. A média de preço esperada é de R$ 145,46, e o pagamento deve ser majoritariamente à vista. “No caso dos três segmentos principais (chocolates; brinquedos; e roupas e calçados), o valor médio está em torno de R$ 250, muito maior do que quando você compara com Dia dos Namorados e Dia dos Pais, que ficou em torno de R$ 140”, conclui Maia.

Na casa de Heitor Castro, 5 anos, uma estratégia é usada para gastar menos e conseguir bons brinquedos. O pai, Wildson dos Santos, 29 anos, afirma que ele e a esposa dão o que o filho quer ganhar, mas economizam ao longo do ano. “A gente compra em promoções”, relata o serralheiro. “Isso é importante até para impor limites, de que não pode ter tudo na hora que quer. Evita que cresça desordenado”, completa a mãe, a produtora de eventos Laís Castro, 22.

A copeira Patricia Araújo, 36 anos, presenteia Gracielly Araújo, 7, todos os anos. Segundo ela, o importante é não deixar a data passar em branco. “Eles cobram para ganhar alguma coisa. Tem que comprar.” Neste Dia das Crianças, a filha vai escolher o presente, mas a mãe deixa as recomendações. “Tem umas bonecas pequenas que custam mais de R$ 100, e ela insiste em querer. Então tem que explicar: se você já tem uma, vai comprar outra por quê? Fazer coleção não precisa”, defende.

Sindivarejista 

Mais otimista, o Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista) projeta crescimento de 3% nas vendas para o Dia das Crianças. Além de brinquedos, roupas e calçados, os eletrônicos entram na lista dos mais desejados. Como o feriado deste ano cairá em um sábado, o comércio vai funcionar normalmente, garante o sindicato. A expectativa é que o gasto médio fique em R$ 150; R$ 20 a mais do que em 2018.

O operador de caixa Elvis Almeida, 21 anos, resolveu se antecipar e, de folga do trabalho, comemorou ontem a data especial. Com a esposa, Erika Alves, 21, eles passaram o dia em um shopping com o filho, Andrew, 5 anos, atrás de um presente. “Não definimos uma faixa de preço. A gente vê o que ele gosta e analisa se pode comprar ou não”, diz Elvis.

A mãe conta que sempre explica ao filho a importância de economizar e se programar. “Ele tem um cofre e, se tem alguma coisa que ele quer, a gente vai juntando dinheiro. No ano passado, juntamos R$ 100 e compramos um tênis. Neste ano, a gente juntou para o material escolar. Agora está enchendo para comprar algo no fim do ano.”

Já a enfermeira Carolina Martins, 35 anos, estipulou o valor máximo de R$ 120 para a filha, Gabriella Carvalho, 7 anos. A menina escolheu o presente: um jogo para brincar de fazer comida. O limite no orçamento é para que a irmã caçula, Melissa Carvalho, 3 anos, possa ganhar uma boneca. A mãe defende a importância de aprender a lidar com dinheiro desde cedo, “para que tenha uma noção de como manter uma boa renda, senão vai tudo embora muito rápido”.

Educação financeira desde cedo

Com tanta atenção do comércio em cima dos jovens consumidores, a educação financeira ganha espaço. A Escola Classe Sobradinho dos Melos, na área rural do Paranoá, aproveita o Dia das Crianças para reforçar o aprendizado. Lá, os 298 alunos acumulam “dimelos”, uma moeda distribuída de acordo com o bom comportamento e cumprimento de atividades. Os “dimelos” podem ser trocados em alguns momentos do ano, como para participar do passeio especial do Dia das Crianças.

A ação é parte do projeto que trabalha conceitos financeiros em sala de aula. Cada turma tem um dia específico durante a semana para estudar sobre o tema, e os professores adequam o conteúdo.

A coordenadora pedagógica, Helena Narciso, acredita que os alunos estão mais conscientes, principalmente com o desperdício na hora do lanche. “Os que recebem mesada já têm a ideia de que é preciso dividir o valor em três partes: uma para gasto imediato, como para comprar doces, outra para o gasto de médio prazo, como comprar um celular ou um vídeo-game, e a terceira a longo prazo, em que eles guardam para serem milionários no futuro”, acrescenta.

O professor do Departamento de Ciências Contábeis da UnB Bruno Vinícius Ramos Fernandes orienta que a temática seja abordada com as crianças a partir da alfabetização. “A gente tem que ter os conceitos iniciais bem compreendidos para evitar situações do dia a dia em que as pessoas tomam decisões erradas quanto à compra de bens, financiamento, empréstimo.” (LC).


* Estagiária sob supervisão de Marina Mercante

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