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Correio Braziliense

Aplicativo permite apenas passageiras e motoristas mulheres

O Eva Drive foi fundado no Distrito Federal em setembro deste ano


postado em 16/10/2019 06:00 / atualizado em 21/10/2019 15:11

Flávia dirige para o aplicativo Eva Drive: ''Serviço com segurança''(foto: Darcianne Diogo/Esp. CB/D.A Press)
Flávia dirige para o aplicativo Eva Drive: ''Serviço com segurança'' (foto: Darcianne Diogo/Esp. CB/D.A Press)
Para uma parcela de motoristas, o perigo é ainda maior. Pelo fato de serem mulheres, as condutoras de veículos estão sujeitas a crimes como estupros e assédios sexuais, o que torna cada viagem com o sexo oposto um momento de tensão. Pensando nisso, criou-se um aplicativo só para elas que permite o cadastramento apenas de motoristas e passageiras do sexo feminino. O Eva Drive foi fundado no Distrito Federal em setembro deste ano.


O comunicador Valdir Borges, 57 anos, é um dos idealizadores do app. Segundo ele, essa é uma medida de segurança e de empoderamento feminino. “Desenvolvemos essa plataforma na intenção de a condutora se sentir mais segura. É uma forma também de ela ganhar a própria renda. Tem muitas donas de casa que querem ganhar um dinheiro para contratar uma empregada ou ir a um salão de beleza, e essa é uma opção viável”, ressaltou.

Até o momento, há 220 motoristas e 2.674 passageiras cadastradas no aplicativo. O próximo passo, segundo Valdir, é adotar um botão antipânico. “Enquanto a condutora estiver dirigindo e perceber uma situação de ameaça, ela poderá acionar esse mecanismo. Ao apertar o botão, a polícia será acionada imediatamente”, destacou.

Flávia Mensur, 37, é uma das motoristas cadastradas no Eva Drive desde a fundação da plataforma. “Sou estudante de odontologia e, no estágio em que me encontro no curso, preciso de uma renda, pois é caro. A ideia, então, era poder fazer os meus próprios horários”, explicou. Trabalhar para um aplicativo de mobilidade sempre a atraiu, mas, segundo ela, a insegurança era um entrave. “Quando soube do Eva fiquei muito feliz, pois posso prestar o serviço com segurança em um app criado só para as mulheres. Eu me sinto protegida, e as passageiras também. É um verdadeiro mimo para as mulheres de Brasília”, destacou.

No Eva Drive, as passageiras também se sentem mais seguras, como conta a publicitária Nara Grilo, 28. “Conheci o aplicativo pelo Instagram, em uma campanha que elas fizeram e me apaixonei. Antes, quando eu pedia carros de outras empresas, ficava com medo dos homens que dirigiam, porque a gente corre risco de dormir no trajeto e acordar sendo estuprada ou tocada. Isso aconteceu com várias amigas minhas”, relata. Segundo a jovem, voltar para casa com segurança exige bem mais das mulheres. “Não dava para sentar no banco da frente e ficar tranquila, tinha que ficar atrás dele (motorista) e, muitas vezes, sofria assédio com olhares e assuntos estranhos. Uma vez o motorista me perguntou se era ali que eu morava, ao me deixar em casa. Isso é horrível”, reclama.

Empresas

O Correio tentou contato com as duas principais empresas de transporte por aplicativo no Distrito Federal para entrevistas sobre insegurança de motoristas e passageiros. A Uber atendeu as ligações, mas informou que não tem um representante que pudesse dar entrevista à reportagem. Apenas disponibilizou uma nota oficial, publicada na edição desta terça-feira (15/10) do jornal. Não foi possível obter nenhum contato inicial com a 99 Pop. Após a matéria, a assessoria de comunicação enviou uma nota. Confira na íntegra:

 

A 99 tem a segurança como prioridade em sua estratégia, com foco em três pilares: prevenção das ocorrências, proteção a passageiros e motoristas durante a corrida e atendimento humanizado, sempre que necessário. Ou seja, o aplicativo atua pela segurança antes, durante e depois das corridas. Antes das chamadas, os motoristas recebem informações sobre o destino, a nota do passageiro e se ele é frequente, além de o app pedir ao passageiro que inclua CPF ou cartão de crédito antes da primeira corrida.

 

Os condutores podem escolher não receber pagamento em dinheiro e a empresa realiza cursos presenciais com orientações sobre segurança, indicando tipos de corridas suspeitas, zonas de risco e explicando como funciona a central de atendimento. Outros recursos focados em prevenção são o uso de inteligência artificial que pode evitar ocorrências ao vasculhar padrões de comportamento de pessoas mal-intencionadas e bloquear as chamadas de risco, além do mapeamento de zonas perigosas com o envio de notificações ao condutor para que ele possa decidir aceitar ou não a viagem. Esse levantamento utiliza estatísticas internas do app e dados externos das Secretarias de Segurança Pública.


Durante as corridas existem câmeras conectadas à central de segurança do app. A 99 está testando a viabilidade da instalação das câmeras integradas ao botão de emergência e, no momento, o estudo está sendo realizado nas cidades de São Paulo, Porto Alegre, Goiânia, Belo Horizonte, Manaus e Salvador. Esses testes são necessários para comprovar a eficácia do modelo em diferentes locais e com diferentes perfis de motoristas.


Para depois das viagens, a empresa possui uma central telefônica de emergência 24h, 7 dias por semana, pelo 0800-888-8999, que responde prontamente em caso de necessidade de segurança. Os condutores estão protegidos em suas corridas realizadas pela 99. Desde o aceite até a finalização das corridas, eles são cobertos por um seguro contra acidentes pessoais.


Informações adicionais importantes: A 99 diminuiu em 53% o índice de ocorrências, por milhão de corridas, na comparação de agosto de 2019 com o mesmo mês do ano anterior. Essa é uma tendência de longo prazo, pois em 2018 o índice de casos caiu 82% por milhão de corridas de janeiro a dezembro. A 99 investiu em um grande plano de expansão de negócios, aumentando o volume de corridas em 48% em um ano, com a segurança sempre guiando o crescimento no país. 

 

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