Cidades

Crônica da Cidade

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 16/10/2019 04:17
A W3, a loira e a onda verde

A W3 voltou a ser assunto na cidade com o anúncio da criação de um grupo de estudo para transformá-la, aos sábados, em rua de lazer. Os prós e contras da proposta vão ficar para outro texto. Este é pra contar histórias. Uma delas com requintes de terror. A avenida que liga as asas Sul e Norte é palco de uma das lendas urbanas mais antigas de Brasília ; sim, temos as nossas histórias fantásticas.

É a lenda da loira da W3 Sul. De madrugada, a mulher perfumada e bem-vestida deu sinal ao taxista na altura da 508. Pediu uma carona. Ele, não se sabe bem com quais intenções, respondeu ao chamado. Mas perto do cemitério, quando parou em um sinal e olhou para trás para conversar com a passageira, percebeu que ela tinha desaparecido. Ficou apenas um cheiro forte de flores.

Durante muito tempo, a caroneira dominou as conversas nos quatro cantos da cidade. Eu, que morei nas 300, nunca me deparei com a loira, mas diziam que ela gostava de ir ao parquinho da nossa superquadra. A mãe de uma amiga conta que, no primeiro táxi que pegou em Brasília ; ela vinha de mudança do Rio de Janeiro ;, o motorista alertou que andar à noite por aquelas áreas era perigoso. Quem morava no Cruzeiro, como ela, não estava tão próximo da Asa Sul, mas tinha o cemitério bem pertinho...

Foi lá, no Campo da Esperança, que outro taxista perdeu a voz. Dizem que faltaram palavras quando ele chegou à 1; DP, no Setor Policial Sul, para contar ao delegado que havia sido procurado pela loira. A mulher queria ajuda para chegar à W3 Norte e encontrar o filho. O homem sentiu o perfume, lembrou da história que circulava tipo top trend e correu para pedir ajuda às autoridades. Morta, a loira percorria as duas asas em busca do menino desaparecido.

Os poucos mais de 13km entre a W3 Sul e a Norte guardam outra história. Não sei se fabulosa. O fato é que há uma teoria, chamada onda verde, que garante que, ao dirigir a 60km/h, qualquer motorista pode concluir todo o percurso sem parar em um sinal vermelho.

Eu nunca consegui. Com 1,7 milhão de carros, gente estacionando em qualquer canto, motoqueiros frenéticos e pedestres e ciclistas acuados, é difícil manter tamanha regularidade. Chego a pensar que, em Brasília, esse tipo de constância está mais pra lenda urbana.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação