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Correio Braziliense

Cidade a 100km de Brasília recebe 1º Encontro de Ceramistas de Goiás

Além da exposição de obras e artefatos feitos de cerâmica, a programação contará com palestras e oficinas gratuitas sobre técnicas e mais


postado em 18/10/2019 06:00 / atualizado em 18/10/2019 17:30

Bonecas produzidas por Hilda da Costa Freire, uma das expositoras(foto: Hilda da Costa Freire/Divulgação)
Bonecas produzidas por Hilda da Costa Freire, uma das expositoras (foto: Hilda da Costa Freire/Divulgação)
Da quebra do barro com a marreta, a matéria é triturada na máquina de grãos. Depois, é hora de passar pela peneira e pela hidratação na maromba. Assim nasce a cerâmica que, após ganhar forma pelas mãos de um artista, chega à mesa como prato, caneca, xícara ou, em outros ambientes da casa, compõe a decoração como vaso de planta e escultura. Exemplares desse tipo de arte poderão ser vistos de quinta (23/10) a domingo (27/10), em evento a 100 quilômetros de Brasília. O 1º Encontro de Ceramistas do Estado de Goiás reunirá dezenas de artesãos no povoado de Olhos D’Água.

Além da exposição de obras e artefatos feitos de cerâmica, a programação contará com palestras e oficinas gratuitas sobre técnicas; mercados físico e virtual; novas tecnologias; tipos de forno para queima de argila; e montagem de tornos (máquinas usadas para moldar o barro), entre outros temas. Também haverá exibição de vídeos para a comunidade e uma mostra mirim de peças em barro feitas por crianças de 5 a 12 anos.

A transformação do barro em arte e em objetos utilitários é um ofício e, ao mesmo tempo, um processo de descoberta. Pessoas conhecem seus dons enquanto manipulam a argila. Um dos participantes do encontro de Olhos D’Água, o ex-policial militar Paulo de Paula, 51 anos, teve seu primeiro contato com a cerâmica em 1990, em um curso aberto à comunidade no Museu Vivo da Memória Candanga. A partir dali, ele decidiu dar outra forma à própria vida.

“Eu era funcionário público e larguei o emprego pra fazer o que tanto amava. No começo, isso me assustou um pouco. Pensei que ficaria apreensivo em relação à instabilidade da ausência de um contracheque, mas isso foi vencido. Rapidamente, atingi um público de uma forma muito gratificante. Com o apoio da minha esposa, que sempre acreditou no meu potencial e me deu suporte pra que eu alcançasse esse domínio dentro da cerâmica, a transição foi tranquila”, conta.

Depois de optar pelo ofício de ceramista, Paulo de Paula formou-se em artes visuais pela Faculdade Dulcina de Moraes. Como um bom filho, voltou ao projeto que o despertou para o caminho da cerâmica, no Museu Vivo da Memória Candanga. Desta vez, como professor. Ele vê nos alunos as perspectivas que o universo da arte oferecem.

“Como já trabalhei com todas as faixas etárias, percebo que a cerâmica traz a pessoa, de uma forma terapêutica e também objetiva, para o centro de si. Adultos e idosos, por exemplo, passaram a vida inteira trabalhando, estudando, cuidando da família e, muitas vezes, se esqueceram deles próprios. Quando passam a trabalhar com a cerâmica, se reencontram”, avalia Paulo.

O ex-funcionário público mantém um ateliê na Quadra 112 da Asa Norte, expõe e vende suas peças em um site e em eventos como a CasaCor e feiras de artesanato. Ele faz esculturas de até dois metros de altura. Sobre o campo de atuação, Paulo destaca: “Você consegue transformar um pouco de barro, que aparentemente não é nada, em um objeto utilitário ou artístico. Meu trabalho pode estar em uma feira de artesanato ou dentro de uma galeria, como muitas vezes esteve. Brinco que sou artistão. Um híbrido entre artesão e artista”.

Feminilidade


Hilda da Costa Freire, 42 anos, também vai expor no 1º Encontro de Ceramistas de Goiás. Ela faz esculturas que destacam a feminilidade, com referência a figuras marcantes como a pintora mexicana Frida Kahlo.

Ver galeria . 5 Fotos Carlos Vieira/CB/D.A Press
Carlos Vieira/CB/D.A Press (foto: )
Natural do próprio povoado de Olhos D’Água, Hilda tem em sua obra um resgate da infância que não conseguiu viver. “Sempre falo que, pequena, sonhava em ter bonecas. Nasci na roça e não tinha brinquedos. Acho que hoje, quando faço uma peça, busco essa época perdida. Brinco com elas (as esculturas de bonecas) como eu gostaria quando era criança. Nelas posso fazer o vestido que quiser, colocar lenço. Posso fazer da forma que eu imaginar”, afirma.

A artista, que trabalha com artesanato desde 2014, começou com fibras naturais como palha de milho. Na cerâmica, encontrou sua realização profissional e pessoal. Além do amor pela arte, é ela (a cerâmica) que proporciona o meu sustento e o da minha família.”

Participe


» De 23 a 27 de outubro

» Das 9h às 20h de quinta a sábado e das 9h às 12h no domingo

» Povoado de Olhos D’Água, Alexânia (GO)

» Entrada gratuita

» Informações: (61) 98271-6181

» Como chegar: de Brasília a Alexânia são 85km pela BR-060. Na principal avenida comercial da cidade, ir até o último balão, onde começa a GO-139. Seguir 10km pela rodovia estadual até um trevo onde a placa indica Olhos D’água. Dali ao povoado são mais 5km.

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