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Correio Braziliense

Mulheres organizam ato para discutir meios de combater o feminicídio no DF

Assembleia está marcada para o próximo sábado (26/10), às 15h, no Museu Nacional


postado em 21/10/2019 18:25 / atualizado em 21/10/2019 22:41

Cartaz do evento lembra o nome das vítimas de feminicídio no DF em 2019(foto: Divulgação)
Cartaz do evento lembra o nome das vítimas de feminicídio no DF em 2019 (foto: Divulgação)
 
O Distrito Federal teve ao menos 26 casos de feminicídio em 2019. Diante desta triste realidade, um grupo decidiu organizar uma assembleia para discutir caminhos para combater a violência doméstica e o assassinato de mulheres em razão do gênero. O encontro está marcado para o próximo sábado (26/10), às 15h, no Museu Nacional.
 
Uma das organizadoras, Ayla Viçosa diz que ato foi construído por mulheres de diversas organizações, movimentos, partidos e entidades do DF(foto: Arquivo pessoal )
Uma das organizadoras, Ayla Viçosa diz que ato foi construído por mulheres de diversas organizações, movimentos, partidos e entidades do DF (foto: Arquivo pessoal )
Uma das organizadoras, a socióloga e professora Ayla Viçosa, 25 anos, explica que o evento foi construído por mulheres de diversas organizações, movimentos, partidos e entidades do DF. "Essa amplitude se deve justamente à urgência de garantir políticas públicas efetivas que mudem esse quadro com índices alarmantes, atuando não só na punição, mas também na prevenção de feminicídios, com uma rede de apoio e suporte maior a mulheres vítimas de relacionamentos abusivos e violência doméstica."
 
Segundo a professora, a expectativa da organização é iniciar um processo de mobilizações e articulações para fazer pressão no poder público, a fim de que  medidas efetivas sejam tomadas. "Incentivando a auto-organização do movimento de mulheres do DF, avançamos na pressão por respostas e medidas satisfatórias. Temos muito pelo que lutar, mas acredito que seguiremos avançando”, diz. 
 
"Uma das vítimas de feminicídio do DF foi assassinada com a medida protetiva no bolso. Isso nos mostra como, mesmo quando denunciamos — o que já é extremamente difícil para muitas mulheres —, o Estado está ausente no processo de garantir a segurança de muitas de nós", acrescenta.
 
'Estamos nos juntando para ver soluções para esse surto, epidemia de assassinatos que está acontecendo no Distrito Federal', diz a fotógrafa Fernanda Azevedo(foto: Arquivo Pessoal )
'Estamos nos juntando para ver soluções para esse surto, epidemia de assassinatos que está acontecendo no Distrito Federal', diz a fotógrafa Fernanda Azevedo (foto: Arquivo Pessoal )
A fotógrafa Fernanda Azevedo, 40, afirma que vai ao ato no dia 26. Para ela, a ideia de unir as mulheres já está se concretizando antes mesmo da data do evento: "Estamos nos juntando para ver soluções para esse surto, epidemia de assassinatos que está acontecendo no Distrito Federal e que ninguém está sabendo pra onde correr e o que fazer. A hora chegou, é agora”.
 
Na opinião de Fernanda, cada delegacia deveria ter uma sala especializada para mulheres, com policiais femininas. "Muitas mulheres não denunciam por vergonha, têm medo de olhares de condenação", diz. Ela lembra que uma vez foi assaltada e uma amiga que estava com ela, espancada. Em vez de perguntar se estavam bem, um policial perguntou por que tinham saído naquele horário. "A gente não tem mais nem o direito de ir e vir com segurança. Por isso que eu vou à Assembleia, porque lá é o pontapé inicial para uma nova ordem, um novo caminho para mulheres. Eu não quero morrer por aí só porque eu sou mulher, estuprada, com um tiro no rosto, igual à última menina que faleceu.”
 
Jolúzia Batista explica que o ato 'foi pensado como uma necessidade de resposta a esses crimes de feminicídio que têm acontecido'(foto: Arquivo pessoal )
Jolúzia Batista explica que o ato 'foi pensado como uma necessidade de resposta a esses crimes de feminicídio que têm acontecido' (foto: Arquivo pessoal )
Outra integrante da organização do evento, Jolúzia Batista, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), explica que o ato “foi pensado como uma necessidade de resposta a esses crimes de feminicídio que têm acontecido”. “Além de pressionar os poderes públicos do DF para que a gente possa desenhar um plano emergencial de enfrentamento a esse problema." 
Segundo ela, a questão é complexa e envolve várias demandas. Entre elas, estão a falta de serviço qualificado de atendimento às mulheres vítimas de violência, segurança pública, mobilidade urbana e iluminação pública. "Esses problemas só se agravam. Estamos querendo retomar esse debate sobre a urgência de políticas públicas, de políticas sociais que possam enfrentar com eficácia a ocorrência de violência contra mulheres, sobretudo o feminicídio", arremata.
 
*Estagiária sob supervisão de Fernando Jordão 

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