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Correio Braziliense

Polícia busca imagens para refazer trajeto de vendedora encontrada morta

Apesar da baixa qualidade, gravação obtida pela polícia mostra que vítima de feminicídio se escondeu atrás de uma moita no trajeto feito depois de deixar o trabalho, no Brasília Shopping


postado em 22/10/2019 06:00 / atualizado em 24/10/2019 18:16

Seis familiares de Noélia Rodrigues prestaram depoimento ontem na 38ª DP (Vicente Pires): auxílio na investigação(foto: Sarah Peres/CB/D.A Press)
Seis familiares de Noélia Rodrigues prestaram depoimento ontem na 38ª DP (Vicente Pires): auxílio na investigação (foto: Sarah Peres/CB/D.A Press)
Policiais civis buscam imagens de câmeras de segurança que mostrem o trajeto feito pela vendedora Noélia Rodrigues de Oliveira, 38 anos, após deixar o Brasília Shopping, onde trabalhava havia dois anos. A última filmagem da vítima com vida foi feita na saída do estabelecimento, às 22h03 de quinta-feira. O corpo de Noélia foi encontrado no dia seguinte, em uma área de difícil acesso, na Colônia Agrícola 26 de Setembro, entre a Cidade Estrutural e Vicente Pires. Noélia morreu com um tiro no olho esquerdo. Ela estava vestida, mas o corpo apresentava sinais de luta corporal.

De acordo com o relato de uma fonte policial ao Correio, uma gravação obtida pela 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) mostra a vendedora seguindo do shopping, no início da Asa Norte, até o Eixo Monumental. No percurso, é possível ver dois carros se aproximando da vítima, que, aparentemente, se esconde atrás de uma moita. Devido à baixa qualidade das imagens, não é possível identificar os automóveis nem se algum deles parou para que a vendedora entrasse.

Seis familiares de Noélia compareceram para auxiliar com informações sobre o caso na delegacia durante a tarde desta segunda-feira (21/10). O marido da vítima, o vigilante Marcos Paulo Mendes Santana, 42 anos, chegou acompanhado do advogado, Geraldo Madureira. O companheiro não é considerado um dos suspeitos, como informou a Polícia Civil.

O defensor de Marcos Paulo destacou que ele auxilia na apuração do caso. “Apesar de sofrer muito com toda a situação, ele está disponível e colaborando com as investigações. A vinda do Marcos hoje foi para pegar o celular dele. Não houve necessidade de prestar esclarecimentos quanto ao depoimento dele. Agora, tudo o que esperamos é resultado das investigações”, afirmou.

Segundo o irmão do vigilante, que não quis se identificar, as roupas usadas por Marcos Paulo na noite em que Noélia sumiu não foram liberadas pela polícia. As vestes continuam em análise no Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil, assim como o carro e a moto dele, apreendidos no sábado.

O caso segue sendo tratado como feminicídio pelos investigadores, no entanto, eles não descartam outras hipóteses, como latrocínio ou homicídio. “Neste momento, a investigação passa por um momento crucial. Toda a unidade se encontra totalmente empenhada na realização de diligências que resultem na elucidação do crime”, disse a delegada Adriana Romana, chefe da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires).

Família

Noélia deixou três filhos: um menino de 16 anos, fruto do primeiro casamento, uma menina de 9 anos e um de 5, da união com Marcos Paulo, com quem estava casada havia mais de uma década. O casal vivia no Sol Nascente. Após a tragédia, o vigilante cuida das crianças com a ajuda de uma irmã e da mãe. Eles serão encaminhados para acompanhamento psicológico, segundo familiares.
 
O corpo de Noélia foi encontrado entre a Estrutural e Vicente Pires (foto: Reproducao/Facebook)
O corpo de Noélia foi encontrado entre a Estrutural e Vicente Pires (foto: Reproducao/Facebook)
 

O advogado Marcus Aurélio Silva Oliveira, 27, sobrinho de Noélia, relatou a preocupação da família com os filhos da vítima, sobretudo os mais novos. “Tive de contar o que ocorreu com minha tia. O mais novo ainda tem muita dificuldade em assimilar tudo por causa da idade. Ele sabe que a mãe está no céu, mas sente falta dela. A menina chora todos os dias. Se para nós é muito difícil, imagina para eles? O que fizeram com a minha tia é uma covardia muito grande”, destacou o morador de Ceilândia.

Para Arthur Henrique de Oliveira, 28, outro sobrinho da vítima, a vendedora era responsável e atenciosa com os filhos. “Tudo o que a minha tia fazia era pelos meus primos. Ela saía do trabalho e ia direto para casa, porque a menina só dormia quando a Noélia chegava em casa”, lamentou o militar do Exército. “A minha tia era cuidadosa; por isso, tenho certeza de que ela não entraria no carro de um estranho nem por transporte pirata. Acreditamos que quem fez isso com a minha tia a conhecia”, afirmou. “Vou dormir todos os dias pensando em quem poderia matá-la. Minha tia morre todos os dias em que não descobrimos quem a matou.”

* Colaborou Mariana Machado

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