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Correio Braziliense

Fraude no sistema de bilhetagem pode ter causado prejuízo de R$ 100 milhões

Esquema criminoso investigado pela Polícia Civil e pela Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle revela prejuízo anual de R$ 100 milhões aos cofres públicos. Agora, inquérito apura possível envolvimento de servidores públicos no crime


postado em 09/11/2019 07:00

Flagrante dos acusados de cobrar dinheiro para passar os cartões de transporte público em terminais do DF: estelionato(foto: PCDF/Divulgação)
Flagrante dos acusados de cobrar dinheiro para passar os cartões de transporte público em terminais do DF: estelionato (foto: PCDF/Divulgação)
A Polícia Civil investiga o envolvimento de servidores públicos em um esquema criminoso no Sistema de Bilhetagem Automática (SBA) responsável por rombo anual de R$ 100 milhões aos cofres públicos. De fevereiro até esta sexta-feira (8/11), agentes da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Ordem Tributária e a Fraudes (Corf) deflagraram sete operações contra o uso indevido dos cartões do Bilhete Único de Brasília, somando 26 pessoas presas por estelionato contra a administração pública, com pena prevista de 1 a 5 anos de prisão.

Na ação desta sexta-feira (8/11), os policiais prenderam seis homens, entre 30 e 59 anos. Três deles acabaram detidos na Rodoviária do Plano Piloto, dois no terminal do BRT de Santa Maria e outro no ponto do Expresso BRT, no Gama. O grupo usava cartões do +Estudante, do Vale-transporte, do Especial (pessoas com necessidades especiais) e do Brasília Cidadã.

Segundo o delegado Miguel Lucena, da Corf, o grupo foi flagrado passando os cartões para usuários do transporte público. “Todos ficam próximos aos ônibus e oferecendo a passagem para as pessoas, cobrando o valor integral da passagem (que varia de R$ 3,50 a R$ 5). Como os cartões são de integração, pode-se passá-lo três vezes (em coletivos ou no metrô) pelo valor único de R$ 5. Quando são do Bilhete Único, lucram R$ 10 a cada três passageiros. Enquanto que, se tratando dos beneficiários, não gastam nada”, explicou.

Com os acusados, a polícia apreendeu 16 cartões e cerca de R$ 200. As investigações receberam o nome de Operação Cartão Vermelho. As apurações ocorrem desde fevereiro, por meio de parceria entre a Corf e a Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle (Sufisa).

Monitoramento

De acordo com o subsecretário de Fiscalização, Auditoria e Controle, Ricardo Leite de Assis, a integração nas operações policiais ocorreu após acompanhamento contínuo da pasta, visando coibir esse tipo de crime. “É um monitoramento realizado há anos, em pontos como a Rodoviária e as estações do BRB, que nos indicam as pessoas que estão envolvidas nesse tipo de esquema. O que nós notamos nas investigações é que há pessoas que são presas e, após serem liberadas, voltam a cometer o crime”, ressaltou.

Para o delegado Lucena, a recorrência dos suspeitos no delito mostram falta de confiança na punição. “Eles não acreditam na eficácia do trabalho da Polícia Civil. Entretanto, ao longo das operações, mostramos o contrário. Durante a ação de hoje (desta sexta-feira — 8/11), por exemplo, um haitiano, preso em ação anterior, nos procurou na Rodoviária. Ele disse que, ao ser detido duas vezes, a situação lhe proporcionou um efeito pedagógico. Temendo ser expulso do país, decidiu trabalhar no comércio”, destacou o investigador da Corf.

As investigações continuam. O rombo de R$ 100 milhões foram notados em 80 mil inconsistências nas contas dos passes do governo. A análise foi realizada pelo Banco de Brasília (BRB) ao assumir a área financeira do SBA, na última segunda-feira. Os dados chamam a atenção dos policiais, que receberam denúncias contra servidores. “Estamos apurando e identificando quem seriam esses funcionários públicos. Assim, vamos aprofundar esse esquema, que pode ter, pelo menos, uma quadrilha. O nosso objetivo é chegar aos líderes dessas organizações criminosas para estancar os golpes e as perdas financeiras do GDF”, finalizou o delegado Miguel Lucena.

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