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Correio Braziliense

Golpes no WhatsApp se tornam mais comuns; saiba como se proteger

Vazamento de conversas privadas, envio de links para os contatos, solicitação de dinheiro a amigos e familiares e chantagens estão entre os principais prejuízos provocados por golpistas que exploram o WhatsApp indevidamente


postado em 11/11/2019 06:00

(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
A clonagem de aplicativo de mensagem atingiu 8,5 milhões de brasileiros, segundo pesquisa realizada em agosto pela PSafe, desenvolvedora de software de segurança. O levantamento, que analisou a principal plataforma de mensagens via smartphone, o WhatsApp, mostra que entre os principais prejuízos trazidos pela clonagem do mensageiro estão o vazamento de conversas privadas; o envio de links de golpes para os contatos; a solicitação de dinheiro a amigos e familiares; e chantagens.

 

Mas, afinal, como funciona o golpe? Segundo Emílio Simoni, especialista em cibersegurança e diretor do Dfndr Lab, laboratório especializado em segurança digital da PSafe, nesse tipo de fraude, o golpista monitora sites de anúncios on-line e identifica novos. Em seguida, entra em contato com a vítima por SMS ou por meio de um programa de mensagens previamente configurado. No contato, o criminoso alega que houve um problema no serviço e pede que ela clique em um link para receber o código. “Ao clicar nesse link, a vítima ativa, automaticamente, o telefone do golpista, que terá acesso a dados, conversas, contatos e imagens pessoais”, detalha Emilio.

 

Emílio diz que a ação mais comum é o contato com parentes e amigos da vítima, na qual o criminoso escreve que precisa de ajuda em uma situação de emergência, geralmente, solicitando transferência bancária. “Em alguns casos, os golpistas podem ter acesso a conteúdos sensíveis, como prova de traições conjugais, e praticar estelionato e chantagem”, alerta o especialista em cibersegurança.

 

Foi o que aconteceu com a autônoma Mônica da Silva Cândido, 43 anos. Recentemente, ela foi vítima desse tipo de crime. “Recebi uma mensagem dizendo que o aplicativo não funcionava mais no meu telefone. Pessoas começaram a me ligar e foi quando percebi o que tinha acontecido”, lamenta. “Nós enviamos uma mensagem para o golpista, dizendo para parar (com aquilo) e que sabíamos que era ele que estava dando o golpe. Foi quando ele não ficou mais on-line”, acrescenta. Mônica registrou ocorrência logo em seguida. “Ele pode ter entrado em contato com outras pessoas que não faziam parte dos meus contatos. Caso ele tenha lesado alguém, a vítima poderá achar que fui eu, por ser o meu número”, argumenta.

 

A estudante Bruna da Silva Fernandes, 21, passou pela mesma situação. Em agosto, teve a conta clonada após abrir um anúncio em plataforma de vendas on-line. E uma colega, pensado que a jovem precisava de ajuda, transferiu R$ 1,1 mil para a conta do estelionatário. “Ela não conseguiu recuperar a quantia de volta, e isso gerou um desfalque no orçamento dela, já que estava guardando o dinheiro para planos do fim de ano”, queixa-se.

 

A solução de Bruna foi comprar um chip de resgate na operadora e, ao fazer o cadastro do número dela novamente, o golpista foi desconectado da conta. Ela sentiu-se impotente, principalmente pelo prejuízo da amiga: “É aquela questão, nos achamos espertos demais para cair nesse tipo de crime e pensamos que situações como essas nunca acontecerão. É algo rápido, fazemos sem pensar, no impulso, e só percebemos depois”, ressalta.

 

Em nota oficial, o WhatsApp esclareceu que, ao receber uma mensagem de número desconhecido, o usuário tem a opção de bloquear ou denunciar o contato, além de controlar quem vê as informações. Segundo a empresa, é importante que a pessoa entre em contato com as autoridades locais, caso sinta que está com a integridade física ou psicológica ameaçada. “Geralmente, não temos acesso ao conteúdo de nenhuma mensagem. Isso restringe a nossa capacidade de verificar a denúncia e de tomar as medidas cabíveis”, informa a nota.

 

A quem recorrer?

 

Para a advogada especialista em direito do consumidor Ildecer Amorim, ao cair nesse golpe, é importante que o usuário registre ocorrência. “Hoje, inclusive, é possível fazer até pela internet, facilitando a informação e permitindo que sejam procuradas rápidas medidas para evitar que o crime virtual se propague”, orienta. “A denúncia é sempre muito importante. Com base nela é que as autoridades agirão”, adverte.

 

Ildecer destaca que, se forem acessadas senhas ou dados pessoais, é importante cancelar cartões de crédito e débito para evitar compras indevidas. Além disso, a instituição financeira pode ser informada para cancelar e fazer novas senhas. “No boletim (de ocorrência), deve conter o máximo de dados possíveis para que a autoridade policial também tente descobrir quem está por trás do golpe”, detalha.

 

Proteja-se

 

Especialista e consultor em segurança, o coronel Leonardo Sant’Anna, da Polícia Militar do DF, dá dicas de como se proteger para evitar esse tipo de golpe:

 

Atualizar o WhatsApp;

Não entrar em redes wi-fi que não conhece;

Não deixar o WhatsApp funcionando em computadores pessoais ou de trabalho sem que a pessoa esteja usando essas máquinas;

Em alguns casos, é possível habilitar o reconhecimento facial para que o programa seja acessado.

 

* Estagiárias sob supervisão de Guilherme Goulart

 

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