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Correio Braziliense

Detran flagra 63 motoristas embriagados, em média, por dia no DF

De janeiro a outubro, Detran autuou 19.054 condutores por dirigirem alcoolizados, número quase 6% maior que o do ano passado. No fim de semana, mistura de álcool e direção provocou ao menos três acidentes que resultaram em uma morte e uma prisão


postado em 12/11/2019 06:00 / atualizado em 12/11/2019 07:00

Carro atingiu duas residências em Vicente Pires e ficou pendurado no telhado de uma das casas. Condutora e passageiro estavam embriagados(foto: Agatha Gonzaga/Esp. CB/D.A Press)
Carro atingiu duas residências em Vicente Pires e ficou pendurado no telhado de uma das casas. Condutora e passageiro estavam embriagados (foto: Agatha Gonzaga/Esp. CB/D.A Press)
Álcool e direção não combinam. Por mais que isso seja dito a todo instante em campanhas educativas, alguns motoristas parecem não conhecer ou não levar em consideração essa máxima. De janeiro a outubro, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) flagrou 19.054 motoristas embriagados, média de mais de 63 autuações por dia. O número é preliminar, pois ainda há multas em processamento. Apesar disso, a quantidade já supera em 5,92% o do mesmo período do ano passado, quando foram registradas 17.989 infrações desse tipo.

Entre os condutores flagrados, 794 foram presos por alcoolemia. Também conforme o Detran, só no primeiro semestre deste ano, 45 das 147 mortes no trânsito foram de motoristas que dirigiam sob o efeito de álcool. Por lei, é proibido pegar o volante após a ingestão de bebida alcoólica. A pena para quem desrespeita a lei seca é multa de R$ 2,9 mil, perda de sete pontos na carteira de habilitação e suspensão do direito de dirigir por 12 meses.

No fim de semana, a mistura de álcool e direção provocou mais tragédias. No sábado e no domingo, 35 condutores foram autuados e três acidentes, que resultaram em uma morte, uma prisão e duas casas danificadas, foram registrados.

No sábado, um carro em que estava um casal colidiu em duas casas na Rua 4 de Vicente Pires. Com a batida, o veículo ficou suspenso no telhado de uma das residências. Apesar do acidente e dos danos materiais, ninguém ficou ferido. Segundo a polícia, a mulher dirigia o carro e foi detida em flagrante, mas o proprietário do veículo é o marido, que também estava no automóvel.

No teste de bafômetro, a condutora apresentou 0,67 miligramas de álcool por litro de ar expelido, já o passageiro apresentou 0,81 miligramas de álcool por litro de ar. Pela lei, a partir de 0,05 miligramas, configura-se a infração gravíssima de trânsito com possibilidade de multa. Se a quantidade detectada for acima de 0,33 miligramas, o infrator é enquadrado em crime de trânsito, nos termos do artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro.

As residências atingidas pela condutora embriagada são dos irmãos e vizinhos Lucas Marcellino da Silva, 68 anos, e Messias Marcellino da Silva Neto, 66 anos. No momento do ocorrido, a casa em que Lucas mora com a esposa, Maria Matilde, 60, estava vazia. Já a de Messias não tem moradores atualmente.

“Meu filho olhou pela câmera e nos avisou. Fiquei abalado, porque a gente sai de casa e deixa tudo arrumadinho, aí quando chega vê essa bagunça”, contou Lucas. Nesta segunda-feira (11/11), o motorista aposentado começou a limpar o local com a ajuda de familiares e amigos. “Estamos só limpando, tirando os entulhos, mas vou deixar assim até ver no que vai dar. Quebrou muitas telhas e até uma calha que acabei de colocar, não tem nem uma semana”, disse.

Os irmãos ainda não falaram com o proprietário do carro sobre os custos do conserto. “Ele (o proprietário do veículo) veio aqui e pegou umas coisas dentro do carro e foi embora. Ele está meio assustado, mas vamos conversar com eles na quinta-feira”, relatou.

O estrago total não foi estimado. “Estamos levantando ainda para saber quanto foi o prejuízo, não batemos o martelo. Vamos fechar com umas grades por enquanto por conta da segurança”, explicou Messias.

O caso foi registrado na 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga), mas é de responsabilidade da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires). A condutora do carro pagou fiança de R$ 5 mil e foi liberada. Já o passageiro assinou termo de um termo de comparecimento à Justiça e foi liberado.

L4 Sul

Na madrugada de domingo, um empresário bateu a sua BMW em um poste de energia elétrica na L4 Sul, próximo à Procuradoria-Geral da República (PGR). Os bombeiros militares que atenderam a ocorrência constataram sinais de embriaguez no motorista.

Segundo informações da Polícia Civil, o veículo ficou destruído após o acidente, e o motorista estava perambulando no local quando os bombeiros chegaram. Segundo consta no boletim de ocorrência, o rapaz apresentava hálito etílico, andar cambaleante, olhos vermelhos e fala monossilábica. Ele teria se recusado a fazer o teste do bafômetro.

A polícia ainda informou que um grupo, que se identificou como sendo de amigos do motorista, tentou retirar as placas do veículo — que estavam no porta-malas, pois o automóvel ainda não havia sido emplacado — e uma garrafa de vodka que estava ao lado do carro. Isso teria ocorrido enquanto os bombeiros solicitavam o corte de energia do poste que foi atingido no acidente. Duas pessoas foram presas por fraude processual.

O condutor foi preso e levado para a 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul, onde foi autuado por embriaguez ao volante e lesão corporal culposa de trânsito. Na audiência de custódia, ele foi solto após pagar fiança de R$ 20 mil.

Atropelamento

A embriaguez ao volante foi motivo de outro acidente, que resultou em morte. Na manhã de domingo, um homem de 63 anos foi atropelado por um condutor alcoolizado, na QNN 21/23 de Ceilândia. O motorista, que fugiu do local, não possuía habilitação ou registro do veículo.

 

Em Ceilândia, motorista alcoolizado atropelou e matou idoso de 63 anos(foto: PMDF/Divulgação)
Em Ceilândia, motorista alcoolizado atropelou e matou idoso de 63 anos (foto: PMDF/Divulgação)


O condutor foi localizado nas margens da via Estrutural e conduzido à 24ª Delegacia de Polícia (Setor O). O teste do bafômetro indicou 0,59 mg de álcool por litro de ar expelido. O homem encontra-se preso e, se condenado, pode pagar pena de até oito anos de prisão pela morte do idoso.

Políticas públicas
Para a advogada criminalista, Ana Maria Martínez, é preciso um esforço conjunto para coibir os crescentes casos de motoristas alcoolizados. “Não adianta criar uma lei e pensar que com isso irá acabar com a cultura de beber e dirigir. É preciso ações de prevenção com políticas públicas educativas”, ressalta.

O Detran realiza, durante o ano todo, campanhas de conscientização e sensibilização sobre a importância de não dirigir após a ingestão de bebidas alcoólicas. Neste ano, foram contabilizados 140 eventos educativos, sendo 55 palestras em empresas e 60 blitzes informativas em diversas regiões administrativas.

Além das ações educativas, a advogada ainda destaca que a questão do transporte público também contribui, mesmo que indiretamente, para o alto índice de casos de alcoolemia ao volante. Para ela, a falta de opções de horários à noite e durante a madrugada é uma problemática que precisa ser resolvida.

“Não podemos partir do princípio de que todos têm condições de pagar uma condução por aplicativo para voltar para casa. É preciso investir em ônibus e metrô que atendam os brasilienses também na hora do lazer”, afirma Ana Maria Martínez, que acredita em três eixos para combater a alcoolemia ao volante: campanha educativa, fiscalização e transporte público de qualidade.

Mudanças na fiscalização

Na semana passada, o Conselho de Trânsito do Distrito Federal (Contrandife-DF) publicou resolução no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) que modificava as condições de multa para quem se recusasse a fazer o teste do bafômetro. Pelo texto, a penalidade só seria aplicada caso os sinais de embriaguez fossem identificados e descritos pelo agente. O artigo 165-A do CTB definia que a simples recusa em fazer o exame já resultaria em multa. A decisão, contudo, será revista. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP/DF) esclareceu que a resolução de Contrandife-DF será analisada pelos 11 conselheiros, em reunião deliberativa, a ser realizada até dezembro deste ano. Até lá, a medida segue vigente, conforme publicada no DODF.

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