Publicidade

Correio Braziliense

Seguidores de Guaidó deixam Embaixada da Venezuela depois de 12 horas

A ação dos representantes do opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente da Venezuela pelo Brasil, tinha por objetivo que a equipe diplomática indicada por Guaidó para a representação no Brasil assumisse as funções na embaixada


postado em 13/11/2019 20:25 / atualizado em 13/11/2019 21:41

(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Mais de 12 horas após a invasão na Embaixada da Venezuela na 803 Sul e após um longo dia de negociações, o grupo de cerca de 15 pessoas (entre bolivianos, venezuelanos e brasileiros) deixou pacificamente o local pela porta dos fundos no fim da tarde desta quarta-feira (13/11). A ação dos representantes do opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente da Venezuela pelo Brasil, tinha por objetivo que a equipe diplomática indicada por Guaidó para a representação no Brasil assumisse as funções na embaixada. Até mesmo um quadro com a foto dele foi levado para dentro do local para ser pendurada na parede. A administração da embaixada, no entanto, é feita por funcionários nomeados por Nicolás Maduro, que segue no poder.

 

Pela manhã, o movimento do lado de fora com apoiadores de Maduro somou-se a representantes de partidos como o PT e PSOL e contava com cerca de 250 manifestantes que pediam a saída dos invasores. Em alguns momentos, houve início de confusão, prontamente desfeita pela polícia com uso de gás de pimenta. Segundo contagem oficial da Polícia Militar, o número de integrantes chegou a 100 ao longo da tarde. Uma ambulância entrou no prédio para resgatar uma jovem de 25 anos que passou mal. Com a saída dos opositores, houve comemoração.

 

Na tratativa com o encarregado de negócios do país no Brasil, Freddy Menegotti, ficou acertado que os opositores sairiam pelos fundos, escoltados pela Polícia Militar, em liberdade. Os policiais também retiraram, sob vaias, os carros dos apoiadores de Guaidó estacionados dentro da embaixada. 

 

A intermediação da retomada do controle da embaixada contou com a ajuda de políticos e com o coordenador-geral de Privilégios e Imunidades do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Maurício Correia.

 

Em vídeo, a embaixadora Maria Teresa Belandria Expósito afirmou que partiu dela as instruções de retirada do pessoal dentro da embaixada, pois não poderia garantir a segurança dos presentes. Expósito agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro pelo 'respaldo' e afirmou que iniciou junto à autoridade brasileira um processo de negociação para que, conforme os interesses do Brasil e os direitos legítimos venezuelanos possa retomar o mais cedo possível a sede diplomata'.

 

Anteriormente, Expósito relatou que os funcionários da embaixada “começaram a abrir as portas e entregar voluntariamente a sede diplomática à representação legitimamente credenciada em Brasil".

 

Com a saída dos seguidores de Guaidó, o encarregado de negócios do país no Brasil, Freddy Menegotti, agradeceu o apoio aos presentes e caracterizou o ato como ‘inumano e terrorista’. “Revertemos os ataques de inimigos do processo bolivariano, da turma inimiga do nosso governo. Entraram arbitrariamente e violentaram o espaço venezuelano. Isso é muito grave. Buscaremos medidas jurídicas contra isso”, declarou.

 

Questionado sobre a ação de Bolsonaro frente à invasão, Menegotti disse que o chefe do Executivo dificultou por ‘reconhecer um governo fictício e a presença de uma suposta embaixadora’. 

 

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), uma das parlamentares presentes, ressaltou que o governo demorou a se posicionar sobre a invasão. “Bolsonaro, depois de muitas horas, em função do Brics, se viu obrigado a dizer que não reconhecia a invasão. Mas não nos enganemos. O filho, Eduardo, foi um dos primeiros a apoiar a invasão golpista”, apontou.

 

Ela ressaltou que é preciso estudar um tipo de punição aos invasores. “Tinha várias pessoas que não eram venezuelanas e que ocuparam o espaço sem autorização. Isso é crime. Também se seguiu um processo de permanência dentro da embaixada mesmo depois de Bolsonaro ter reconhecido como invasão. Cabe à gente ir ao parlamento e à Comissão de Relações Exteriores e garantir que haja algum encaminhamento. Buscar uma punição para os responsáveis”, destacou.

 

Desde 2016 a Venezuela não possui embaixador no Brasil, quando Nicolás Maduro chamou o representante de seu governo em Brasília de volta a Caracas em protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff. Neste ano, o governo de Jair Bolsonaro reconheceu Guaidó como presidente da Venezuela. Ele então recebeu a carta credencial da advogada venezuelana María Teresa Belandria Expósito, nomeada representante da Venezuela no Brasil por Guaidó.

 

No começo da tarde, a assessoria de Comunicação Social do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) divulgou uma nota sobre o assunto. “Como sempre, há indivíduos inescrupulosos e levianos que querem tirar proveito dos acontecimentos para gerar desordem e instabilidade. O Presidente da República jamais tomou conhecimento e, muito menos, incentivou a invasão da Embaixada da Venezuela, por partidários do Sr. Juan Guaidó”, dizia um trecho do documento.

 

 

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade