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Correio Braziliense

Natal deixa comércio otimista; vendas devem aumentar 12%

Pesquisa realizada pela Fecomércio mostra que as compras em 2019 devem aumentar em comparação com o ano passado. Impulso sairá da possibilidade de saques no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do 13º salário


postado em 15/11/2019 06:00

"Nos últimos anos, as vendas caíram muito. Precisei dispensar alguns funcionários e não vou contratar temporários para o Natal. A minha esperança é de que as vendas cresçam", Amália Bezerra Oliveira, comerciante (foto: Walder Galvao/CB/D.A Press)
As compras de Natal devem aquecer o comércio no Distrito Federal. Pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio/DF) mostra que o crescimento nas vendas de 2019 deve ser 12% maior do que o do ano passado. De acordo com o estudo, 64% dos empresários brasilienses estão com expectativa positiva para a data, mas 25% esperam manter os lucros estáveis, e 11% seguem pessimistas. A estimativa positiva se deve ao 13º salário e à aprovação do saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pelo governo federal.

Segundo a pesquisa, os donos de lojas de vestuário e acessórios lideram o ranking de empresários mais otimistas, com estimativa de crescimento nas vendas de 17,8%. Em segundo lugar, vêm calçados (10,5%) e ótica (9,8%). O preço dos presentes varia de acordo com o setor, porém a Fecomércio aponta que o valor médio deles vai ficar em torno de R$ 300. Os empreendedores usarão publicidade, promoções e brindes para atrair clientes. Além disso, 43% dos lojistas devem ampliar o estoque até a data.

Proprietário de uma loja de variedades em Taguatinga, Francisco de Sousa Leite conta que o movimento no estabelecimento cresce desde o início de novembro. “Muitas pessoas começaram a comprar produtos de decoração para o Natal, e outras estão atrás de presentes. Aumentamos os nossos estoques e contratamos funcionários”, conta. No ramo há 36 anos, o empreendedor se mantém com expectativa positiva para o fim do ano. “Desde o começo do mês, as nossas vendas cresceram cerca de 20%”, calcula.
 
"Muitos começaram a comprar produtos de decoração para o Natal, e outros querem presentes. Aumentamos os estoques e contratamos funcionários", Francisco de Sousa Leite, dono de loga de Taguatinga (foto: Walder Galvao/CB/D.A Press)
 

Francisco relata que a crise financeira abalou o negócio nos últimos anos. “Dispensamos alguns funcionários, e as vendas caíram. No Natal do ano passado, não houve aumento nos lucros, mas, neste ano, espero que seja diferente. Até porque estamos nos preparando para isso”, diz. A esperança do lojista é de que o 13º salário leve mais pessoas às compras. “A economia do país ainda está ruim, mas, a meu ver, não está pior do que no ano passado”, frisa.

Consumidor 

O presidente da Fecomércio/DF, Francisco Maia, explica que, em 2018, o crescimento nas vendas foi afetado, também, pelo período eleitoral. “Por causa da incerteza política, tínhamos um pessimismo maior. O próprio empresário deixou de se preparar”, comenta. De acordo com ele, nas outras datas comemorativas deste ano, como o Dia dos Namorados e o Dia das Crianças, os comerciantes tiveram aumento nos lucros, e a tendência é de que o Natal siga a mesma linha. “Tivemos saque do FGTS e teremos o 13º, o que deve impulsionar o mercado”, destaca.

Ainda de acordo com a pesquisa, 64,96% dos brasilienses entrevistados têm intenção de comprar presentes. No total, 19,1% afirmam não ter intenção de ir às lojas, e 16,1% ainda não decidiram. Quase metade das pessoas que deixará de consumir (48,7%) declarou que passa por dificuldades financeiras. O levantamento mostra que a preferência dos clientes deve ser por vestuário e acessórios (45,92%), seguido de brinquedos (30,81%) e calçados (30,51%). Além disso, a expectativa é de que a maioria pague à vista.

A moradora do Guará Nayara Celene Carneiro, 39, começou a fazer as compras de Natal na quarta-feira. Inicialmente, ela vai adquirir itens de decoração para, depois, gastar com as lembranças para os familiares. “Pretendo comprar algo para o meu pai, para a minha irmã e para a minha sobrinha. Porém, a intenção ainda é economizar”, conta. De acordo com ela, que começou a pesquisar os valores, os produtos estão mais baratos do que no ano passado. “Dou preferência a lojas de rua, porque, nos shoppings, tudo fica mais caro”, avalia.

Preparação 

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL), José Carlos Magalhães Pinto, explica que o Distrito Federal está em condição privilegiada por causa da presença de servidores públicos na cidade. De acordo com ele, muitos brasilienses usaram o saque do FGTS para quitar dívidas e, agora, devem investir o 13º salário nas compras de fim de ano. “A nível nacional, esperamos que o Natal deva injetar R$ 60 bilhões na economia. Mais do que a soma de todas as outras datas comemorativas, como Dia dos Pais e das Crianças”, comenta.

Para os lojistas, José Carlos aconselha que se preparem para as compras. “O ideal é que tenham equipes aptas para atender as pessoas no momento em que o cliente chega. Quando ele vai embora, não tem mais intenção de voltar”, alerta. Segundo ele, outra opção é que os empreendedores observem a Black Friday, que será um termômetro para o Natal. “Caso as vendas sejam altas em novembro, pode afetar o mês seguinte. Se o contrário acontecer, podemos contar que o fim de ano será mais lucrativo”, analisa.

Comerciante há 52 anos, Amália Bezerra Oliveira se prepara para mais um Natal. Ela tem uma loja de roupas para crianças e adolescentes, em Taguatinga, e está preocupada. “Nos últimos anos, as vendas caíram muito. Precisei dispensar alguns funcionários e não vou contratar temporários para o Natal. A minha esperança é de que as vendas cresçam”, comenta. De acordo com ela, os estoques do estabelecimento foram ampliados, as e promoções serão a grande aposta para atrair clientes.

Dados

R$300  
Valor médio que o consumidor pretende gastar com presentes

64,96% 
Dos brasilienses pretendem ir às compras de Natal

64% 
Dos empresários estão com expectativa positiva

12% 
Estimativa de alta nas vendas de Natal em 2019

Fonte: Fecomércio

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