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Correio Braziliense

Para subprocuradora-geral, Carteira Verde e Amarela tira autonomia do MPDFT

Segundo Edelamare Melo, subprocuradora-geral do MPT, o projeto Carteira Verde e Amarela retira autonomia da entidade


postado em 20/11/2019 06:00

Edelamare Melo defende
Edelamare Melo defende "educação que promova a cultura da paz" (foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)
Dos cerca de 12,5 milhões de desocupados no Brasil,  3,2 milhões buscam emprego há mais de dois anos e pelo menos 4,7 milhões desistiram, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta terça-feira (20/11), com números do terceiro trimestre de 2019. O governo pretende reduzir o contingente com a Carteira Verde e Amarela, que promete criar empregos para a população entre 18 e 29 anos por meio da redução de algumas obrigações das empresas. De acordo com a subprocuradora-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT), Edelamare Barbosa Melo, a medida é, na verdade, uma forma de precarização da relação de trabalho. 

Para Edelamare, que participou nesta terça-feira (19/11) do programa CB.Poder, parceria do Correio com a TV Brasília, com a precarização, haverá sacrifícios de direitos trabalhistas, já que o discurso oficial é que é “melhor ter trabalho do que ter direito e escolha”. “Realmente, quando a questão é subsistência, você vai escolher trabalhar. Mas quem é que vão ser essas pessoas de 18 a 29 anos que vão aceitar essa forma perversa de contratação?” Segundo ela, negros e pardos são maioria (65,2%) entre os desempregados devido ao processo de exclusão histórica racial.

A subprocuradora-geral ressaltou que as principais formas de reverter a desigualdade no mercado de trabalho são investir em educação, inovação e tecnologia. “Não vamos mudar isso se aquele que deveria estar dentro da escola não vai à aula por conta do local, da idade, da violência, da etnia, da orientação religiosa”, afirmou.

De acordo com Edelamare, o Brasil não enxerga o racismo estrutural a que está submetido, e o governo não se mostra preocupado com a reparação em relação aos danos históricos cometidos com os indígenas e com a população negra. “É confortável fechar meu olho e não ver que, a cada 23 minutos, um jovem negro é morto nesse país”, disse. “Querem dizer que estamos vivendo em um mundo de Alice das Maravilhas, de um admirável mundo novo de uma democracia racial e religiosa que não existe”, avaliou.

Edelamare comentou a intolerância religiosa que afeta diversas vertentes devido ao “fundamentalismo religioso e à criação de bancadas terrivelmente evangélicas”. “Tem pessoas que usam a Bíblia e falam de um Cristo que tem uma Bíblia na mão e uma arma na outra, e mata religiosos de matrizes africanas e indígenas. Estão usando a religiosidade para negar direitos, matar e sucumbir”, criticou. “É tarefa nossa lutar por uma educação que promova a cultura da paz e do respeito à diversidade para que nossos filhos possam viver um mundo melhor.”

*Estagiária sob a supervisão de Marina Mercante

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