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Correio Braziliense

Professor que usou termos obscenos em sala é impedido de assumir contratos

Secretaria de Educação afastou e abriu processo administrativo contra o professor acusado de ministrar temas de cunho sexual para crianças


postado em 21/11/2019 06:00 / atualizado em 21/11/2019 13:49

Quadro com termos relacionados a sexo: mãe instruiu filha a tirar fotos(foto: Arquivo Pessoal)
Quadro com termos relacionados a sexo: mãe instruiu filha a tirar fotos (foto: Arquivo Pessoal)
O professor temporário de português do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 104 Norte acusado de lecionar conteúdos obscenos  para alunos do 6° ano não poderá mais assumir contratos em escolas vinculadas à Secretaria de Educação (SEEDF). Além disso, a pasta abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra ele.

O docente, de 25 anos, deu aulas na instituição de ensino por 20 dias para substituir um outro professor. O diretor da escola, Alessandro Rodrigues, afirmou que, assim que foi contratado, o docente foi orientado pela coordenação sobre quais conteúdos deveriam ser ministrados aos estudantes, que têm de 10 a 11 anos. “A princípio, não houve nenhuma reclamação, mas não demorou muito para os pais começarem a relatar os ocorridos. Imediatamente tomamos uma atitude e registramos um boletim de ocorrência”, disse.

No mesmo dia do fato, na última quarta-feira, o professor teve o contrato suspenso pela SEEDF. Na segunda-feira, a equipe de coordenação convocou uma reunião com os pais e responsáveis. “Explicamos todos os procedimentos e, inclusive, contratamos uma outra docente para os alunos não ficarem sem aula. Confesso que, em 30 anos de profissão, nunca vi isso acontecer. Essa abordagem sexual não se dá nessa série de forma alguma. Todos nós estamos chocados com a situação”, contou o diretor. Ainda de acordo com ele, as crianças terão atendimentos com psicólogos da instituição.

Postura

A representante de vendas Jocilene Frazão, 41, é mãe de uma das alunas que tirou fotos do quadro, no momento em que o professor dava a aula com temas sexuais. Segundo ela, a filha, de 12 anos, começou a relatar comportamentos estranhos do docente em sala. “Percebi que ela não estava querendo ir às aulas de português. Quando foi na última na quarta-feira, minha filha me disse que, quando chegou à sala, se deparou com a pornografia no quadro”, afirmou.

Após as reclamações, Jocilene sugeriu à filha que tirasse fotos do quadro para comprovar a atitude. “Ela posicionou o celular embaixo do caderno, com muito medo, mas registrou tudo. Quando vi, fiquei abismada. No mesmo dia, mostrei para a equipe de coordenação e pedi uma explicação.”

Nas fotografias tiradas pela estudante, o professor escreve as instruções de como deveria ser feita a redação: “Escrever sobre polidez e transformações afetivo-sexuais na adolescência. Sexo oral, penetração e preliminares”, dizia um dos textos escritos na lousa. Na ocasião, o docente teria convidado, ainda, uma menina e um menino para ir à frente da classe para explicar como seria o toque nos órgãos genitais.

O caso foi registrado na 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte). Conforme a ocorrência, as crianças ficaram assustadas e algumas até se recusaram a assistir à aula. A investigação é tratada como prioritária pela polícia. Por isso, a corporação informou que não prestará mais informações, a fim de garantir o êxito da apuração, bem como preservar as crianças e os adolescentes.

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