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Correio Braziliense

Desigualdade: 55% da população do DF é de média e baixa renda

Renda é menor na Estrutural, Fercal, Itapoã, Paranoá, Recanto das Emas e Varjão, de acordo com a segunda edição do Mapa da Desigualdade, do Movimento Nossa Brasília


postado em 22/11/2019 00:47 / atualizado em 22/11/2019 02:15

Estrutural é a região com os piores indicadores, segundo o Mapa da Desigualdade (foto: Arthur Menescal/Divulgação)
Estrutural é a região com os piores indicadores, segundo o Mapa da Desigualdade (foto: Arthur Menescal/Divulgação)
Cerca de 40% da população da Estrutural tem renda de até um salário mínimo, que corresponde a R$ 998, enquanto 26% dos moradores do Plano Piloto recebem 20 ou mais salários mínimos. Os dados são destacados na segunda edição do Mapa das Desigualdades do Distrito Federal, lançado pelo Movimento Nossa Brasília, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e a Oxfam Brasil.
 
A publicação analisa as desigualdades que permeiam o território do Distrito Federal, a partir do cruzamento dos dados coletados na Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD - Codeplan/2019) do Governo do DF com pesquisas qualitativas realizadas pelas organizações.
 
A pesquisa mostrou que cerca de 55% da população está entre a renda baixa e média baixa, sendo que as de menores rendas residem na Estrutural, Fercal, Itapoã, Paranoá e Recanto das Emas e Varjão.
 
O Mapa das Desigualdades mede e compara, além de renda, dados sobre saúde, educação, saneamento básico, entre outros, de regiões administrativas do Distrito Federal em contraste com o Plano Piloto. Nesta edição, as cidades pesquisadas foram Samambaia, Estrutural, São Sebastião, Paranoá e Itapoã. 
 
"São as cidades mais desiguais do DF, as cidades mais negras e de maior baixa renda. Temos realidades muito díspares das do Plano Piloto, Lagos, Park Way e Sudoeste", afirmou Cleo Manhas, assessora política do Inec e membro do Nossa Brasília. Para a educadora, a importância do levantamento está em servir de ferramenta para políticas públicas.
 
"É preciso que se planeje e execute políticas de ação afirmativa, de infraestrutura das cidades, especialmente aquelas com menores rendas e piores condições de vida", disse a pesquisadora. 

População negra

Os dados do levantamento indicam que os territórios majoritariamente negros são os mais pobres. Varjão, Estrutural, Fercal, Planaltina, Santa Maria, Paranoá, Itapoã e Recanto das Emas são as regiões mais negras do DF, com a cerca de 65 a 81% da população negra. No Plano Piloto, o percentual varia de 24 a 44%. "A associação entre renda e raça é muito grande. As cidades de maior baixa renda são as mais negras. Negritude e pobreza estão super ligadas", destacou Cleo Manhas. 
 
As pessoas que vivem com um ou dois salários mínimos em Samambaia representam 55%. Seguido de São Sebastião (52%), Estrutural (42%), Paranoá (29%) e Itapoã (29%).

Mobilidade

Principal tema do levantamento, a mobilidade também é um quesito de diferenças expressivas entre as cidades na comparação com o centro de Brasília. Nas cidades analisadas, mais de 50% da população utiliza o ônibus como meio de transporte para ir ao trabalho. Já no Plano Piloto, apenas 16,4% utiliza este meio de transporte. O Plano Piloto também tem o menor índice de pessoas que vão a pé para o trabalho (12,4%). As outras cidades tem porcentagem de 13 a 24%.
 
O Plano também concentra o maior número de pessoas que vai ao trabalho de carro (73%). De 2016 para 2018, as outras regiões tiveram aumento de pessoas que usam carros para chegar ao trabalho registrando índices acima de 20%.

Educação

Nas cidades analisada, poucas crianças e adolescentes conseguem frequentar escolas nas suas próprias regiões, principalmente por falta de vagas próximos de suas residências. No Itapoã, apenas 26% consegue ir a escola na região onde moram. 
 
Na Estrutural, houve uma pequena melhora entre 2016 e 2018, indo de 38% para 51% aqueles que conseguem estudar próximos de casa, a porcentagem é semelhante a São Sebastião (66,7%). Plano Piloto e Samambaia estão com melhor oferta, ficando acima de 80%, São Sebastião em 94%.

Infraestrutura

A Cidade Estrutural se destaca em problemas de infraestrutura. Ela apresenta o maior número de ruas esburacadas, cerca de 55%, em contraponto ao Plano, com 15%. A cidade tem ainda apenas 55,6% dos domicílios com ruas asfaltadas, nas demais regiões a porcentagem é acima dos 90% e no Plano Piloto é de 100%. 
 
A Estrutural é também a região com maior número de domicílios próximos a áreas de descarte de entulho. Além disso, é campeã nas ruas alagadas, seguida de Samambaia, Paranoá, São Sebastião, Itapoã e por último, Plano Piloto.
Pouco mais da metade dos domicílios da Cidade Estrutural contam com ruas asfaltadas(foto: Arthur Menescal/Divulgação)
Pouco mais da metade dos domicílios da Cidade Estrutural contam com ruas asfaltadas (foto: Arthur Menescal/Divulgação)

Saúde

Com relação à saúde, as diferenças também são significativas. No Plano Piloto, a população é quase que integralmente usuária de planos de saúde privados: 83% da população do centro da capital possui plano de saúde, enquanto que nas demais regiões não passa de 20% em Samambaia, 17% em São Sebastião e, na outra ponta, a Estrutural, com apenas 5%. Já Itapoã e Paranoá registram cerca de 10% de suas populações com seguridade de saúde.

Outras regiões

O Movimento Nossa Brasília planeja para os próximos anos incluir mais RAs mais regiões nas análises de pontos de desigualdade. Segundo Cleo Manhas, o grupo estuda incluir o recanto das Emas e o Riacho Fundo II para falar, especialmente, da situação de moradia nessas áreas. 

Além do cruzamento de dados, os pesquisadores realiza pesquisa qualitativa com os moradores da região. No site do projeto, é possível conferir vídeos realizados com moradores da região e o livro “Uma Cidade em Crônicas: Encarando Números na Estrutural”.

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