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Correio Braziliense

Comerciantes da 213 e da 214 Norte contam prejuízo com falta de luz

Empresários relatam quedas constantes de energia e consequente perda financeira por causa de produtos que estragam ou de falta de estrutura para atender aos pedidos. Relatos indicam rombos de até R$ 7 mil


postado em 22/11/2019 06:00

Dono de uma loja de açaí, Cláudio vê as polpas descongelarem e não consegue usar o liquidificador(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Dono de uma loja de açaí, Cláudio vê as polpas descongelarem e não consegue usar o liquidificador (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
As chuvas de novembro no Distrito Federal alcançaram 77% do previsto para todo o mês, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A média histórica do período é de 226,9 milímetros, e, até esta quinta-feira (21/11), foram registrados 174,3 mm. O fenômeno era esperado pelos brasilienses desde a chegada da primavera, em 23 de setembro. Mas, apesar do alívio após as altas temperaturas e a baixa umidade, as precipitações se tornaram sinônimo de prejuízo para comerciantes das Quadras 213 e 214 da Asa Norte, por causa das constantes quedas de energia na região.

Cláudio Hicks, 36 anos, abriu uma loja de açaí no Bloco D da Quadra 213 em agosto. Com três meses de negócio, ele acumula R$ 7 mil em perdas financeiras, por causa da falta de luz após a chegada das chuvas. “Agora em novembro, fiquei sem energia três vezes. Por isso, perdi inúmeras polpas e não consegui atender a pedidos, pois dependo do liquidificador para bater o açaí. Sabemos que no começo de um comércio é comum não ter lucro imediato, mas a minha situação é grave, porque, com essas perdas, estou apenas conseguindo pagar as contas fixas, como o salário dos empregados”, explicou.

De acordo com Cláudio, os comerciantes locais montaram uma estratégia de ação quando cai a luz. Todos se organizam para ligar insistentemente para a Companhia Energética de Brasília (CEB). Contudo, eles relatam demora no atendimento. “Há dias em que ficamos mais de seis horas sem luz. Não tem como trabalhar desse modo. Quando acionamos a CEB, eles não nos tratam com prioridade. Os técnicos demoram muito para agir. E isso é uma ação de curto prazo. Como comerciantes, não podemos depender disso. Precisamos de algo que traga melhorias para a área. A meu ver, o cabeamento de energia deve ser subterrâneo, não na superfície”, analisou.

As reclamações do empresário são comuns na vizinhança. Estabelecimentos comerciais variados sofrem com as quedas de energia, como bares e padarias. Um dos sócios de uma fábrica de pães, Fernando Bakker, 35, também colocou as contas na ponta do lápis. Ele já perdeu R$ 2 mil em vendas e abastecimento do segundo comércio que possui, uma cafeteria no Venâncio 2000, no Setor Comercial Sul.

“Mudamos a nossa produção para a quadra (213 Norte) pelo espaço, pois, no shopping, era difícil manter. Entretanto, com a chegada da chuva neste mês, começaram as quedas de energia constantes. Por exemplo, passamos a noite de quarta-feira sem luz aqui. Perdemos cinco tortas e cerca de 100 pães. Nesta quinta-feira (21/11), chegamos às 5h para tentarmos atender às demandas. Mas a energia caiu de novo, às 6h. O retorno ocorreu próximo das 7h, mas, já às 8h, teve nova queda. Não conseguimos produzir nada pela manhã”, contou Fernando Bakker.

Para o comerciante, não está nos planos mudar o estabelecimento de lugar, em decorrência do investimento financeiro. “Estamos meio que presos nesta quadra. Se não conseguirmos que a CEB arrume uma solução, vamos ter que nos virar de algum jeito. Talvez compartilhar o espaço com outra padaria. Não temos a possibilidade, por exemplo, de usar um gerador. Não vale a pena, por causa do tamanho do nosso negócio. É muito revoltante termos um prejuízo tão grande e não recebermos uma resposta do poder público”, frisou.

Paisagismo ruim

Por meio de nota oficial, a CEB explicou que a falta de luz na quarta-feira e nesta quinta-feira (21/11) ocorreu “por toque de árvores na rede (...), danificando componentes elétricos da rede de energia. O paisagismo na quadra foi realizado após a instalação das redes de alta-tensão, com a escolha de indivíduos arbóreos não indicados ao plantio abaixo ou muito próximo aos cabos de alta-tensão.”

A companhia destacou que fez uma ação preventiva de poda de árvores na região, em julho de 2019. No entanto, houve resistência por parte dos moradores das quadras, influenciando na realização do processo de maneira adequada. O órgão acrescentou que inspecionou a área nesta quinta-feira (21/11), de forma emergencial. “Não é possível o acesso dos caminhões para poda de árvores com equipe de linha viva (sem precisar desligar a energia para que os trabalhadores efetuem a poda). Será programado para 27 de novembro um desligamento para que as equipes atuem. É importante deixar claro que a falta de energia é inerente ao sistema de distribuição. O papel da CEB é realizar investimentos e atuar para que falte cada vez menos energia nas cidades, mas, acima de tudo, estar preparada para, quando faltar, demorar cada vez menos tempo para ser restabelecida”, ressaltou o texto.

Por último, a CEB informou que fez obras de melhoria do circuito que atende às quadras. Além disso, garantiu que o fornecimento de luz no local está dentro do limite regulatório e que está definindo estratégias para mitigar as ocorrências específicas dessas quadras. “Sobre a implementação de uma estação transformadora na quadra, informamos que o fato não traria diferença significativa na qualidade do fornecimento de energia, visto que a causa das quedas de energia não é sobrecarga elétrica, e sim o toque de árvores nas redes, que causa curto-circuito, queima de componentes e rompimento de cabos”, finalizou a nota.

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