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Correio Braziliense

Conheça o maestro Joel Barbosa, que encanta os brasilienses com a música

O maestro e professor da EMB saiu do Rio de Janeiro aos 19 anos e, por meio da música, construiu conquistas no Distrito Federal


postado em 26/11/2019 06:00 / atualizado em 26/11/2019 06:52

Joel Barbosa começou a tocar saxofone aos 12 anos de idade(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press.)
Joel Barbosa começou a tocar saxofone aos 12 anos de idade (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press.)
A paixão pela música do professor e maestro Joel Barbosa, 61 anos, nasceu na infância. Natural de Jacarepaguá, bairro do Rio de Janeiro, e criado no subúrbio da cidade, ele passou os primeiros anos da vida observando os pais músicos em uma igreja evangélica. O interesse pela prática surgiu cedo, aos 5 anos, quando falou para a família que queria se especializar. Aos 12, começou com o saxofone, migrou para o saxhorn barítono, regeu orquestras dentro e fora do Brasil e, hoje, leciona na Escola de Música de Brasília (EMB).


Joel conta que começou a analisar a música dentro de casa, com a mãe. “Ela foi minha primeira professora de percepção musical, que, inclusive, é uma disciplina. Ela me ajudou a desenvolver isso de maneira informal, que é muito importante para a profissão”, ressalta. Quando completou 12 anos, o músico decidiu levar a prática para o resto da vida. “Meu pai me deu um saxhorn barítono, e eu nunca mais parei de tocar. Entrei na banda do colégio e comecei a fazer apresentações na igreja”, lembra.

Aos 16, Joel recebeu a proposta de um professor da escola para entrar na Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, mas decidiu recusar. “Além da música, eu sempre sonhei em ser piloto de avião. Fiz concurso para a Escola de Especialista de Aeronáutica (EEAR), passei e vim para Brasília aos 19 anos ser controlador de voo”, afirma. Dois meses após chegar à capital, em março de 1978, a paixão de Joel pela música falou mais alto, e ele se matriculou na Escola de Música de Brasília. Pouco tempo depois, prestou concurso para a unidade, deixou o militarismo e passou a lecionar.

O músico decidiu se especializar na profissão e fez bacharelado em composição, regência e trompete na Universidade de Brasília (UnB), licenciatura em música e mestrado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Agora está prestes a concluir o doutorado, dentro da linha de pesquisa em processo criativo. Além disso, fez um curso na Espanha e conduziu apresentações em Cuba.

''Quando me apresento, as pessoas se surpreendem. Não estão acostumadas com isso''(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
''Quando me apresento, as pessoas se surpreendem. Não estão acostumadas com isso'' (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )


''Isso não é questão de ser preto ou negro, é o fato de estar no Brasil. Você tem que correr atrás, porque vão querer te discriminar de alguma maneira''(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
''Isso não é questão de ser preto ou negro, é o fato de estar no Brasil. Você tem que correr atrás, porque vão querer te discriminar de alguma maneira'' (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Educação

Pai de três filhos, Joel conta que todos “passaram” pela música, mas nenhum se especializou. Hoje, a dedicação aos alunos virou fonte de energia. “Trabalho na escola das 14h às 23h. É algo muito prazeroso, porque tenho muito respeito pelos meus alunos. A gente consegue enxergar potencial neles e puxar aquela linha para que eles mesmos possam enxergar o próprio leque”, comenta. O músico não esconde o orgulho ao contar as realizações dos estudantes. “Tenho alunos que estão fora do Brasil, que fazem apresentações em vários outros lugares”, afirma.

Além da paixão por lecionar, o carioca afirma que a relação com a música fica cada dia mais forte. “Você não para. Acordo cantando. Todos os dias tem uma trilha sonora na minha cabeça, uma música que vai definir meu dia. Sempre tem algo quando amanhece”, anima-se. Além do trabalho na escola, o maestro dirige a Orquestra Cristã de Brasília, grupo que faz apresentações pelo país.

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Racismo

Joel não acredita em rótulos. Segundo ele, o termo separa as pessoas, e o necessário é que elas estejam unidas. Questionado sobre vivências com o racismo, o homem garante que a história de todos os casos não caberia no jornal e decide contar dois deles. Quando tentava uma bolsa de estudos em Boston, nos Estados Unidos, ele foi ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) se informar sobre o assunto.

“Estava entrando no prédio quando uma pessoa, que não vou citar o nome, me perguntou o que eu queria. Minha vontade era de responder com um bom-dia. Porém, disse que queria informações sobre uma bolsa de estudos para música. Em seguida, ela me disse que eles não davam esse tipo de coisa lá, e eu saí”, lembra. Joel define a situação como constrangedora e acredita que a situação não tinha nada a ver com a bolsa e, sim, com a cor da pele.

O outro caso ocorreu em um estado  que ele prefere não nomear. O professor relata que 45 músicos estavam com ele e que os organizadores do evento perguntaram quem era o maestro. “Estava conversando com duas pessoas, um loiro e outro não muito diferente. Essa pessoa abordou outro grupo, depois seguiu para o nosso e, quando indicaram que eu era o Joel, me olhou de cima abaixo e só se convenceu do meu trabalho quando a orquestra começou”, detalha.

Joel afirma que, geralmente, o nome dele chega antes aos locais, e as pessoas criam uma imagem. “Quando me apresento, as pessoas se surpreendem. Não estão acostumadas com isso”, diz. Entretanto, o maestro atribui a situação ao país. “Isso não é questão de ser preto ou negro, é o fato de estar no Brasil. Você tem que correr atrás, porque vão querer te discriminar de alguma maneira”, frisa. O músico ainda ressalta que as situações vividas não o derrubam. “Isso não tira o meu sono”, finaliza.

Especial

Para marcar o Mês da Consciência Negra, a série Histórias de consciência é publicada ao longo de novembro e presta homenagem a mulheres e homens negros que ajudam a construir uma Brasília justa, tolerante e plural. Todos os perfis deste especial e outras matérias sobre o tema podem ser lidos no site www.correiobraziliense.com.br/ historiasdeconsciencia 

 

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