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Correio Braziliense

Pacientes reclamam de falta de atendimento na UPA de Ceilândia

Segundo relatos, Unidade de Pronto Atendimento estaria se recusando a atender pacientes "pouco graves"


postado em 05/12/2019 16:16 / atualizado em 05/12/2019 16:46

Segundo moradores de Ceilândia, o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de Ceilândia só está sendo feito para pacientes considerados em estado grave(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Segundo moradores de Ceilândia, o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de Ceilândia só está sendo feito para pacientes considerados em estado grave (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Pacientes relatam dificuldade em receber atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia. Três pessoas que estavam no local nesta quinta-feira (5/12) entraram em contato com o Correio prestando queixas pela falta de atendimento desde o início da manhã. Segundo os relatos, a equipe de saúde informou que só pacientes considerados graves — identificados com as cores vermelha durante a triagem — serão consultados no local.

Francisco Targino, 39, conta que chegou ao local na quarta-feira (4/12). "Estou com dor no peito, minha perna e braço do lardo esquerdo estão dormentes. Estou com tremor o tempo inteiro e tem horas que a minha pressão fica ruim", relata. Segundo o porteiro terceirizado da Universidade de Brasília, a equipe de atendimento o orientou a voltar para casa, afirmando que ele não seria atendido por não estar em estado grave, de acordo com a triagem feita quando chegou ao local.

"Hoje a UPA está lotada, a maioria na classificação 'amarela', mas estão graves também, e nós recebemos a informação que não seremos atendidos porque só estão atendendo as pessoas na situação 'vermelha'. Muitas dessas pessoas já foram em outros hospitais do Distrito Federal. Nós somos cidadãos, pagamos nossos impostos. Não podemos estar em uma UPA e não ser atendidos", desabafa Targino.
 
Pacientes do local afirmam que há mais de 20 pessoas que esperam ser atendidas desde o início da manhã desta quinta-feira (5/12)(foto: Arquivo pessoal)
Pacientes do local afirmam que há mais de 20 pessoas que esperam ser atendidas desde o início da manhã desta quinta-feira (5/12) (foto: Arquivo pessoal)
 
Ester Lacerda, 18, tem um relato semelhante. Ela chegou à UPA às 10h, com dores no tórax e falta de ar. "É a segunda vez que eu venho aqui nesta semana. Na segunda-feira, eu vim e também não consegui atendimento. Hoje me falaram que não tem previsão", diz a estudante.

Tatiane Bastos, 24, desistiu do atendimento da UPA e foi para a fila de emergência do Instituto Hospital de Base. Ela conta estar com fortes cólicas intestinais e quer fazer exames para diagnosticar o que está sentindo, mas não conseguiu ser atendida em dois locais em Ceilândia nem no Hospital Regional de Taguatinga. 

"Primeiro fui ao HRT, quando cheguei lá, falaram que só tinha cirurgião geral e ortopedistas, e que o clínico geral para atendimento seria na UPA. Mas quando eu cheguei na de Ceilândia, falaram que não atenderiam quem está com a cor amarela. Saí daqui e fui em um posto de saúde. Me mandaram de volta para cá e repetiram que não tem previsão. É difícil", afirma.

A Secretaria de Saúde foi contactada pela reportagem, e respondeu que os atendimentos em UPAs são de responsabilidade do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGES/DF) e que por isso a pasta não poderia responder. No caso do HRT, a pasta informou que "o plantão de hoje (5/12) conta com um clínico médico. Os atendimentos são realizados de acordo com a classificação de risco. Pacientes com classificação de risco vermelha (de maior gravidade) tem prioridade".

Em nota, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF) esclarece que, nesta quarta-feira (4), a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ceilândia funcionou com cinco médicos durante o dia e quatro à noite. Apesar de a escala estar completa, houve a necessidade de restringir parte do atendimento devido à superlotação. Para que a situação pudesse ser normalizada, foi realizada uma busca ativa em todas as unidades para realizar a transferência desses pacientes.
  
*Estagiária sob supervisão de Fernando Jordão
 

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