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Correio Braziliense

Funcionários da CEB votam nova proposta em assembleia nesta sexta

Em greve desde terça-feira (3/12), trabalhadores da companhia se reúnem para votar proposta elaborada pelo sindicato e pela empresa


postado em 05/12/2019 22:31 / atualizado em 06/12/2019 00:10

Em greve há três dias, categoria faz nova votação após rejeitar proposta da CEB na quarta-feira (4/12)(foto: Divulgação/Stiu-DF)
Em greve há três dias, categoria faz nova votação após rejeitar proposta da CEB na quarta-feira (4/12) (foto: Divulgação/Stiu-DF)
O trabalhadores da Companhia Energética de Brasília (CEB), em greve desde terça-feira (3/12), votarão na manhã desta sexta-feira (6/12) proposta acordada entre o Sindicato dos Urbanitários no Distrito Federal (Stiu-DF) e companhia. Os trabalhadores se reúnem em assembleia marcada para as 9h30, na sede da CEB, localizada no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). 
 
O acordo entre as partes ocorreu em reunião junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) e contou com a mediação do desembargador Brasilino Santos Ramos, vice-presidente do Tribunal. A discussão durou cerca de 4 horas e ocorreu após a categoria deliberar, na quarta-feira (4/12), pela rejeição de uma contraproposta da CEB. Os termos do nova proposta que será votada não foram divulgados.
 
Desde 14 de outubro a categoria e a companhia estão em negociação do Acordo Coletivo de Trabalho para vigência 2019-2020. A greve foi deflagrada após a companhia propor cortes e reduções relacionadas ao tíquete-natalino, participação nos lucros e quinquênio — um adicional de 5% sobre o salário a cada cinco anos trabalhados. 
 

Reivindicações

O sindicato chegou a sugerir a aprovação da proposta inicial, mas a categoria a rejeitou em assembleia na quarta-feira (4/12). “No conjunto é uma proposta insuficiente, mas o sindicato encaminhou pela aprovação depois de avaliar e considerar o contexto, em conjunto, mas a categoria rejeitou”, explicou João Carlos Dias, diretor do Stiu-DF, em entrevista ao Correio na quarta. Para o diretor do Sindicato, a proposta é problemática, porque prevê a redução de benefícios ao mesmo tempo que não sinaliza reajuste.
 
O texto da CEB, de resposta aos pleitos dos trabalhadores, propunha: corte do tíquete-natalino compensado por aumento no tíquete-alimentação; redução pela metade do auxílio babá e auxílio creche; limitação na porcentagem do custeio de medicamentos de uso contínuo e de aparelhos dentários; e diminuição no adicional de férias, na participação nos lucros e na indenização por morte e invalidez não decorrente de acidente de trabalho. 
 
Em nota divulgada na quarta-feira, a CEB afirmou que “diante das dificuldades que a companhia enfrenta para reequilibrar os seus indicadores econômico-financeiros, bem como a falta efetiva de recursos e o custo elevado, se torna inviável a manutenção dos benefícios pagos nas condições do acordo celebrado em 2018”. 
 
De acordo com a CEB, a greve é motivada pelo desejo dos trabalhadores de “manter alguns benefícios muito acima do empregado brasileiro, e que estão fora da realidade atual da CEB”. O prejuízo da empresa em 2018, segundo o texto, foi de R$ 33 milhões. “Há dez anos a companhia não consegue investir na modernização da sua estrutura e equipamentos, como deveria para manter a qualidade de serviços, porque paga uma folha excessiva, o que gerou um valor de pagamento acima dos limites regulatórios da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)”, escreveu a companhia.
 

Privatização

O início da greve foi considerado “injusto” pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Ele declarou que vai acelerar o processo de privatização da empresa. "O que nós temos lá dentro de acordos coletivos que foram criminosamente feitos no passado são absurdos”, afirmou o governador na terça-feira (3/12). O discurso do governador e da própria CEB foi considerado “agressivo” por João Carlos, do Stiu-DF, e teria atrapalhado as negociações com a categoria. “Criou um ambiente de ameaça e isso não ajuda”, disse o sindicalista.
 
Ibaneis também pontuou que a greve dos servidores “penaliza a população do DF em um momento que a cidade precisa desses trabalhadores". O sindicato afirmou que os trabalhadores se esforçam, na medida do possível, para não prejudicar a população. Com a paralisação, a CEB opera em situação de contingência no atendimento da rede. Só na tarde desta quinta-feira, até as 17h, a companhia tinha 1.238 chamados aguardando atendimento. Pontos em Brazlândia, Planaltina e Arniqueiras registraram quedas de energia. 

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