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Correio Braziliense

PCDF investiga coronel reformado por esquema com armas de fogo

Coronel reformado é acusado de aplicar golpe de estelionato em vendas de armas para pelo menos 38 pessoas


postado em 06/12/2019 12:51 / atualizado em 07/12/2019 11:47

Durante a operação foram apreendidos, na casa do coronel, diversos itens como máquinas de cartão, livros contábeis, caixas vazias de armas de fogo e cápsulas de armas de fogo (foto: Divulgação/PCDF)
Durante a operação foram apreendidos, na casa do coronel, diversos itens como máquinas de cartão, livros contábeis, caixas vazias de armas de fogo e cápsulas de armas de fogo (foto: Divulgação/PCDF)
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um coronel reformado da Polícia Militar por estelionato em vendas de arma de fogo. O homem de 58 anos, proprietário de uma empresa de aulas de segurança e tiro em Taguatinga, teria vendido ao menos 50 armas para 38 pessoas, sem fazer a entrega da mercadoria. 

As investigações começaram há aproximadamente cinco meses, quando pessoas que adquiriam as armas o denunciaram à Polícia Civil. Elas afirmaram que não receberam os projéteis mesmo depois de terem efetuado o pagamento, e que teriam recebido ameaças do coronel reformado para não o denunciarem. O esquema movimentou cerca de R$ 200 mil. Cada arma estaria à venda pela faixa de preço de R$ 5 mil a R$ 6 mil

"Ele prometia que entregaria as armas, mas não entregou. Algumas armas que ele conseguiu ele pode ter comercializado de forma clandestina, por terem sido encontradas nas mãos de terceiros. A gente não pode confirmar que essa venda, mas há a suspeita", explica o delegado responsável pelas investigações, Rodrigo Carbone. 

O acusado teria justificado que as armas encontradas com outras pessoas foram devido a um furto à empresa comandado pelo militar. Há um boletim de ocorrência aberto pelo acusado que indica o roubo a loja, mas a polícia ainda trabalha com a possibilidade de revenda. 

A PCDF batizou a operação como Crassus e cumpriu três mandados de busca e apreensão. Um na loja e outros dois nas residências do acusado e dos filhos dele, em Águas Claras. Dois filhos do homem também são investigados por serem sócios da empresa. 

Foram apreendidos máquinas de cartão, livros contábeis, caixas vazias de armas de fogo, cápsulas de armas de fogo deflagradas, celulares, pen drives e documentos em geral. Não havia nenhuma arma durante as buscas. 

A empresa da família está fechada devido à investigação. O coronel reformado vai responder por estelionato às 38 pessoas e, possivelmente, por associação criminosa se comprovado comércio ilegal de arma de fogo. A Justiça proibiu qualquer contato por parte dele com as 38 pessoas que fizeram as denúncias.

Defesa

De acordo com o advogado de defesa do coronel reformado, Wellington de Queiroz, a empresa teria deixado de entregar as armas de fogo por pedido dos próprios clientes, que não quiseram aguardar o tempo hábil de entrega dos produtos, que eram de cinco a seis meses. Ainda, salientou que a empresa nunca sofreu qualquer tipo de problema anterior e que, até o fechamento da loja física, vendia 100 artefatos mensalmente.

"Na realidade, o coronel nunca foi dono da empresa. O filho dele, que tem o mesmo nome, era um dos sócios. Mesmo assim, as denúncias realizadas não retratam a realidade. Esses consumidores, na verdade, não quiseram aguardar o prazo de entrega e pediram o dinheiro de volta. Contudo, nesse tipo de transação, há multa, com previsão em contratos, mas eles não quiseram pagar o percentual de 10% em cima do valor total da compra", explicou Wellington de Queiroz.

Ainda segundo o advogado, os clientes passaram a realizar uma série de "postagens nas redes sociais da empresa, como se não tivessem tido uma opção. Para evitar que houvesse prejuízo maior, os donos e sócios passaram a ressarcir o dinheiro, mas isso, consequentemente, afeta a empresa. Tomamos as medida legais e, por isso, também estamos com processo judicial para reavermos o dinheiro referente as quebras de contratos."
 
*Estagiária sob supervisão de Vinicius Nader

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