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Correio Braziliense

Abrigados da Vila Pequenino Jesus são retratados por artistas da capital

Obras serão reunidas em calendário, que será colocado à venda, com renda revertida para a instituição


postado em 07/12/2019 07:00 / atualizado em 09/12/2019 17:47

Cada um dos 12 homenageados recebeu uma tela com sua imagem. Obras foram produzidas com variadas técnicas artísticas(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Cada um dos 12 homenageados recebeu uma tela com sua imagem. Obras foram produzidas com variadas técnicas artísticas (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Um trabalho filantrópico que evidencia a arte e resgata a autoestima. A Vila do Pequenino Jesus, no Lago Sul, acolhe pessoas de todas as idades com deficiência física e intelectual. Entre os mais de 60 abrigados, 12 foram selecionados para participar de um projeto do bem. Os escolhidos foram fotografados e, depois, retratados por artistas da capital em uma tela, cada um com uma técnica artística diferente. O resultado se transformou em um calendário, que será vendido e a renda revertida para a Vila.

O processo de elaboração do calendário levou dois meses. A coordenadora do espaço, Cássia Stumpf, convocou o artista plástico Toninho Euzébio para dar o início à produção. “Tínhamos esse sonho desde o ano passado, mas, efetivamente, começamos agora. Mais do que arrecadar dinheiro para ajudar nas despesas do abrigo, a intenção é valorizar e dar visibilidade a esse público. Também temos a preocupação de elevar a autoestima de cada um e passar para eles um sentimento de pertencimento”, afirmou.

Cada um dos 12 abrigados representa um mês do ano. As variadas técnicas artísticas utilizadas (colagem, grafite, aquarela, caricatura, óleo sobre a tela) permitem um novo olhar sobre a pessoa com deficiência, ao valorizar os traços estéticos e as características individuais de cada acolhido, como humor, timidez, espontaneidade e delicadeza. “Durante a etapa de criação, senti que deveria convidar outros pintores para o foco não ficar só em mim. Os 12 profissionais convocados abraçaram essa causa, justamente por ser um trabalho tão diferenciado e especial”, explicou Toninho.

Emoção

Um vídeo produzido por Toninho mostra a reação dos abrigados ao receberem os quadros do próprio retrato. A emoção toma conta dos acolhidos e eles parecem não acreditar no que estão vendo. Alguns chegam a chorar de emoção. “Quando eles viram as imagens nas telas, ficaram encantados. É uma sensação forte que sentimos ao ver a alegria deles. Me sinto honrado por ter participado desse trabalho tão comovente e peculiar”, frisou o artista.

Conhecido pelo nome ‘Ratão’, Luís Souza foi um dos pintores convocados para participar do projeto. Ele retratou o acolhido Maycon Cardozo, 40. “Não pensei duas vezes em colaborar com a atividade. Quando mostramos o quadro para o Maycon, ele ficou eufórico e contente. Não há dinheiro que pague ver esse sentimento.”

Pintor desde a adolescência, Luís conta que levou quatro dias para elaborar a tela com o método de colagem. “Fiz uma leitura de efeitos de sombra com pedaços pequenos de papel. É uma arte diferente e que exige um cuidado especial”, explicou.
Pedro de Oliveira está há três anos na Vila como abrigado e foi um dos contemplados, sendo retratado pela artista Mille Montenegro. “Fiquei muito feliz. Vou fazer questão de olhar para esse quadro todos os dias”, disse.
Diferente dos calendários, as telas não serão vendidas e ficarão expostas na própria instituição.

Contribuição

A Vila do Pequenino Jesus foi fundada em Brasília em 2008, pela fisioterapeuta Cássia Stumpf e pelo marido, Jorge Deister. O casal morava em Petrópolis (RJ) e promovia ações voluntárias em uma instituição da cidade, quando foi convocado pelo presidente da Vila para reproduzir o serviço na capital. “Nós fazíamos uma obra semelhante ao que fazemos aqui, que é o acolhimento de pessoas com deficiência. Descobri que era apaixonada por esse trabalho apenas quando o meu pai morreu. Entrei em depressão e, para lidar melhor com o luto, decidi ajudar as pessoas”, lembrou Cássia.

Na instituição, ela é chamada de mãe pelos abrigados. “É impossível não nos apegarmos às pessoas daqui. Esse projeto do calendário é mais uma ação que tem como objetivo valorizar a pessoa com deficiência e dar a eles a oportunidade de se sentirem representados em uma arte”, argumentou.

No total, são 69 acolhidos e mais de 100 funcionárias, entre psicólogas, enfermeiras, técnicas em enfermagem e cozinheiras. Para manter o andamento da Vila, a equipe conta com doações da sociedade (saiba como doar no quadro ao lado). “Aqui, temos muitos gastos. Por mês, são mais de 9 mil fraldas descartáveis que temos de prover, além da alimentação que é por base de dieta, e medicações caras”, explicou a fisioterapeuta.

Para ajudar na arrecadação, os calendários serão vendidos a R$ 20, em dois pontos da capital: na loja Letícia e Decorações, na 211 Sul, e na livraria Ave Maria, na 705 Norte.
 
 

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