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Correio Braziliense

Caso Bernardo: inquérito deve ser concluído até quarta-feira, diz delegado

Sequestrado e assassinado pelo pai, Bernardo, de 1 ano e 11 meses, terá o sepultamento realizado no Campo da Esperança, na Asa Sul


postado em 10/12/2019 06:00

Segundo a mãe, Tatiana, Bernardo e o pai tinham uma boa relação:
Segundo a mãe, Tatiana, Bernardo e o pai tinham uma boa relação: "Ele ficava ansioso quando o Paulo vinha" (foto: Arquivo Pessoal)
Os familiares de Bernardo da Silva Marques Osório, de 1 ano e 11 meses, se despedirão hoje do menino sequestrado e assassinado pelo pai, o servidor público Paulo Roberto Osório, 45. Nesta segunda-feira (9/12), o Instituto Médico Legal de Itaberaba (BA) liberou o corpo da criança, e a previsão de chegada era na madrugada desta terça-feira (10/12). Após 12 dias de angústia, a mãe do garoto, a advogada Tatiana da Silva Marques, 30, marcou o enterro do filho. A cerimônia começa às 13h, na Capela 10 do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.

Paulo Roberto sequestrou, matou e abandonou o corpo do garoto em 29 de novembro às margens da BR-242, próximo ao município de Palmeiras (BA). Por isso, os investigadores baianos aguardavam a confirmação de que o cadáver pertencia a Bernardo para liberá-lo. A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu a análise do material genético da criança no sábado, e uma funerária brasiliense ficou a cargo do traslado. O trajeto até o DF tem 1.270km e dura 15 horas.

A funerária disponibilizou dois motoristas para cumprirem o trajeto e evitar interrupções longas durante a viagem. A ideia é minimizar o sofrimento da família, que aguarda para enterrar o menino. O investigador à frente do caso, Leandro Ritt, diretor da Divisão de Repressão ao Sequestro (DRS), ressaltou que uma das intenções de Paulo Roberto era dificultar a localização do corpo de Bernardo e, com isso, perpetuar a agonia dos parentes. “As investigações estão concluídas, e identificamos que ele agiu sozinho nesse homicídio. Paulo tinha o objetivo de matar a criança e que os familiares nunca mais o vissem”, explicou o investigador.

De acordo com Ritt, a comparação do material genético de Bernardo com as amostras dos pais ocorreu em tempo recorde. “Queríamos dar uma resposta rápida para que os parentes pudessem abreviar o luto”, frisou. O servidor público será acusado de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Ele responderá pelos crimes no âmbito do DF, apesar de o corpo de Bernardo ter sido encontrado na Bahia. O inquérito deve ser concluído até amanhã, com o acusado permanecendo preso na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), no Departamento de Polícia Especializada (DPE), até sexta-feira. O Judiciário decidirá se ele será transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda ou para a ala psiquiátrica da Penitenciária Feminina do DF.

Psicopata

Em 1992, Paulo Roberto foi preso pelo assassinato da mãe, Neuza Maria Alves, 45. Com 18 anos, o servidor público esfaqueou e asfixiou a mulher com um fio de náilon e ateou fogo ao corpo dela. Ele ficou preso na ala psiquiátrica do sistema carcerário do DF e conseguiu a liberdade em 2004, quando a Justiça arquivou o processo. Por causa desse caso e da frieza demonstrada durante depoimentos sobre a morte do filho, o delegado Leandro Ritt ressaltou que Paulo tem, “no mínimo, perfil de psicopata”.

Quando Bernardo estava desaparecido, a mãe dele contou em entrevista ao Correio que pai e filho tinham ótima relação. “Meu menino adorava ir à casa do pai. Ele ficava ansioso quando o Paulo vinha e adorava ir vê-lo. Também nunca tive problemas com ele, a não ser quando entramos na questão da pensão”, disse. Entretanto, o investigador ressaltou que o acusado nunca demonstrou qualquer reação pelo que fez e reforçou que ele planejou assassinar a criança depois de a mãe recorrer à Justiça para pedir o benefício.

Paulo Roberto, no entanto, insiste na tese de que o homicídio do filho foi culposo. O servidor público alega que deu remédios para a criança dormir durante uma viagem que faria com ele. Entretanto, a versão é contestada pela investigação. “A dose da medicação que ele deu comprova isso. Além disso, ele saiu de casa desesperadamente e não levou roupas para ele nem para o filho. Quem viaja sem preparar as malas?”, questiona o delegado.

Memória

Crime premeditado


No dia do crime, Paulo Roberto buscou Bernardo em uma creche da 906 Sul. No trajeto para casa, na 712 Sul, deu à criança um copo de suco de uva. Entretanto, a bebida estava envenenada com três comprimidos de uma medicação para insônia, de uso restrito. Na residência do servidor público, a criança passou mal. Em seguida, ele a colocou no automóvel e seguiu para Bahia. Durante o percurso, Bernardo não resistiu, e o pai abandonou o cadáver do filho e a cadeirinha dele próximo a Palmeiras (BA).

Em 1° de dezembro, agentes da Polícia Civil prenderam Paulo Roberto em um hotel de Alagoinhas (BA). Ao chegar a Brasília, no mesmo dia, ele confessou o crime e indicou uma localização falsa do corpo do filho. Os investigadores realizaram dois dias de buscas nas imediações citadas pelo acusado, entretanto, não obtiveram sucesso. Na última sexta-feira, um morador do povoado de Campos de São João (BA) entrou em contato com os policiais e informou que havia encontrado o corpo de uma criança e uma cadeirinha. Como o cadáver estava em avançado estado de decomposição, os policiais compararam o material genético encontrado com o DNA dos pais dele. A análise apresentou resultado compatível, identificando Bernardo.

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