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Correio Braziliense

Motoboys do crime vigiavam vítimas em casas, lojas e bancos

Líder comandava esquema de dentro de presídio e articulava os assaltos, que ocorriam, sobretudo, em Brazlândia e Ceilândia. Suspeitos são investigados por pelo menos sete crimes. Em um deles, os homens se passaram por policiais civis


postado em 10/12/2019 22:15 / atualizado em 10/12/2019 22:17

Imagem mostra a ação dos suspeitos em um assalto à residência em agosto deste ano(foto: Reprodução)
Imagem mostra a ação dos suspeitos em um assalto à residência em agosto deste ano (foto: Reprodução)
A Polícia Civil desarticulou um grupo criminoso especializado no roubo de casas, joalherias e saídas de bancos. Para escolher as vítimas, os acusados, que trabalhavam como motoboys, passavam até três semanas estudando a rotina de uma pessoa ou da família. Eles são indicados como os responsáveis por pelo menos sete assaltos pelo Distrito Federal. O líder da quadrilha comandava todo o esquema de dentro do presídio de Águas Lindas de Goiás. 

Segundo o delegado André Leite, chefe da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), as investigações sobre a associação criminosa começaram há três meses. O pontapé inicial foi um assalto a residência, em que os bandidos fingiram ser policiais civis. Um deles se passou, inclusive, por delegado da corporação. 

“Essa ocorrência nos chamou a atenção. Assim, apuramos mais a fundo a atuação desse grupo. Confirmamos que se trata de um grupo especializado, que tem três núcleos de ação muito bem definidos. O primeiro, formado pelos motoboys, era responsável pelo levantamento de locais e pessoas a serem alvos das empreitadas criminosas. O segundo executava o roubo. Por último, tinha os receptadores, que vendiam os produtos dos assaltos”, explica o investigador. 

Ainda conforme apuração da Corpatri, os motoboys passavam até três semanas observando um possível alvo, levantando a rotina e as melhores formas de atuação. Esses criminosos utilizavam a profissão, como entregadores de pedidos alimentícios, e aproveitavam para conseguir informações. Os planos eram orquestrados pelo líder, que está preso. “O líder esteve em plena atuação, mesmo após ser preso em flagrante no mês passado e ser levado ao presídio de Águas Lindas. Isso não impediu que, do interior da cadeia, ele mantivesse contato com os comparsas. 

“Além disso, vale salientar que o grupo tendia, sim, a ser violento (veja vídeo de uma das ações abaixo). Em pelo menos duas das ocorrências, as vítimas relatam agressões físicas, como coronhadas na cabeça”, acrescenta. Depois dos assaltos, os produtos roubados eram entregues para os receptadores. Um deles mantinha loja no Shopping Popular, onde revendia os celulares das vítimas. 
 
 

“Esta era a terceira parte. Esse suspeito, por exemplo, conseguia desbloquear os aparelhos e, então, alterar o e-mail e dados do dono original. Em seguida, vendia os celulares a um preço bem abaixo do mercado. Assim, se fomentava uma atividade bastante lucrativa, tanto para ele (vendedor), quanto para os executores dos crimes, que tinham este receptador certo”, afirma André Leite. 

Com as provas iniciais, os agentes da Corpatri representaram pela prisão temporária de cinco dias dos acusados. Doze estão detidos, e três estão foragidos — um homem e duas mulheres. “Agora, temos mais cinco dias para apresentarmos provas mais robustas quanto aos crimes, para assim, pedirmos a mudança de temporária para preventiva”, finaliza o delegado.

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