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Correio Braziliense

Canções de Tim Maia e Roberto Carlos marcam a despedida de Bernardo

Centenas de pessoas acompanharam nesta terça-feira (10/12), no Campo da Esperança, na Asa Sul, as homenagens ao garoto de 1 ano e 11 meses assassinado pelo pai


postado em 11/12/2019 06:00 / atualizado em 11/12/2019 00:59

Tatiana, mãe de Bernardo, e familiares carregaram o caixão da criança até o local do sepultamento: Gostava tanto de você e Como é grande o meu amor por você marcaram o cortejo(foto: Minervino J?nior/CB/D.A Press)
Tatiana, mãe de Bernardo, e familiares carregaram o caixão da criança até o local do sepultamento: Gostava tanto de você e Como é grande o meu amor por você marcaram o cortejo (foto: Minervino J?nior/CB/D.A Press)
“E eu gostava tanto de você.” A letra da música de Tim Maia marcou a despedida de Bernardo da Silva Marques Osório. O menino completaria 2 anos em 31 de dezembro, mas foi assassinado pelo pai, o servidor público Paulo Roberto de Caldas Osório, 45. Nesta terça-feira (10/12), cerca de 100 pessoas compareceram ao Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, e prestaram as últimas homenagens ao garoto, morto em 29 de novembro. Durante a cerimônia, apenas a forte chuva e as orações rompiam o silêncio dentro da Capela 10, onde os presentes, sem palavras, olhavam para o pequeno caixão.

 

O velório de Bernardo começou às 13h. A todo momento, amigos da família chegavam para prestar apoio à mãe do menino, a advogada Tatiana da Silva Marques, 30. Próximo ao caixão, havia fotos da criança e centenas de flores. Emocionados, ela e os parentes decidiram não comentar o caso. “Precisamos de um espaço nesse momento”, informou o padrinho de Bernardo, que preferiu não se identificar.

Rita Luziete França, 60, trabalhou como babá de Bernardo por 7 meses. Ela se emocionou ao lembrar que viu o menino dar os primeiros passos e começar a falar. “Cuidei dele a partir dos 3 meses. Fazia tudo o que podia por ele”, contou. A mulher conta que, diariamente, o então bebê ficava com ela em casa, na Vila Telebrasília, ao lado de outras crianças. “Ele chegava pela manhã e ia embora à tarde. Ele era o meu bebezinho. Corria, brincava. Ainda lembro de ele me chamando de ‘Ita’”, recordou.


A última lembrança que Rita tem de Bernardo é de um menino carinhoso e risonho, que encantava a todos. “Isso é muito triste. Até agora, a ficha não caiu, porém precisamos deixá-lo descansar”, afirmou. A babá ainda comentou que jamais imaginou que Paulo Roberto pudesse colocar o filho em risco. “Ele era um pai carinhoso. Cuidava dele direitinho. Buscava lá em casa, trocava a fralda, dava comida. Não imaginava que fosse capaz de fazer isso”, ressaltou.

Emoção

 

Poucos conseguiram conter as lágrimas durante o cortejo de Bernardo até o túmulo. A família recusou transportar o caixão em um veículo do cemitério e fez questão de carregá-lo. Tatiana seguiu à frente e manteve a cabeça baixa por quase todo o trajeto. Apenas no fim do percurso a advogada deixou a emoção tomar conta e recebeu consolo da mãe, Juciane Mascarenhas Nascimento, 57.


Além de Gostava tanto de você, de Tim Maia, parentes e amigos da família cantaram Como é grande o meu amor por você, de Roberto Carlos. Também rezaram e trocaram palavras de apoio. Pessoas que participavam de outros velórios também pararam para acompanhar o de Bernardo.

 

Ver galeria . 6 Fotos Arquivo pessoal
(foto: Arquivo pessoal )
 

 

Metrô analisa futuro de servidor

 

Em 2005, Paulo Roberto, pai de Bernardo, foi aprovado no concurso da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô/DF). Atualmente, ele estava afastados das funções por força de uma licença psiquiátrica. Em nota oficial, a empresa informou que o acusado recebe o salário por meio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Questionada sobre a possibilidade de o servidor ser exonerado, a companhia ressaltou que “ainda vai avaliar o caso dele e aguardar o desenrolar do processo criminal”.

Os investigadores da Divisão de Repressão ao Sequestro (DRS) devem concluir nesta quarta-feira (11/12) o inquérito do assassinato de Bernardo. Paulo será acusado de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Desde 2 de dezembro, ele está preso na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), no Complexo da Polícia Civil.

Até sexta-feira, a Vara de Execuções Penais (VEP) decidirá se o acusado será transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda ou para uma ala psiquiátrica da Penitenciária Feminina do DF. O Judiciário aguarda resultado do laudo psiquiátrico feito pelo Instituto de Medicina Legal (IML) para decidir o futuro de Paulo Roberto. O exame deve ficar pronto nesta quinta-feira (12/12).

Em 1992, Paulo foi preso pelo assassinato da própria mãe, Neuza Maria Alves Osório, 45 anos, e cumpriu 10 anos de pena na ala psiquiátrica. Em 5 de dezembro, o VEP desarquivou o processo desse caso para analisar os autos e ter mais embasamento no momento de decidir sobre o cárcere do acusado.Policias militares e bombeiros também acompanharam o sepultamento. Uma ambulância seguiu o cortejo para o caso de alguém precisar de assistência médica. Profissionais de ambas as corporações se emocionaram no enterro. A cerimônia terminou por volta das 17h.

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